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Quem são eles?

Você sabe o que faz um deputado federal? E qual a função de um governador? Por Fernanda Ornellas, Karen Rodrigues e Luisa Bertola Voc...

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Quem são eles?

Você sabe o que faz um deputado federal? E qual a função de um governador?

Por Fernanda Ornellas, Karen Rodrigues e Luisa Bertola

Você sabe o que faz um deputado federal? E qual a função de um governador? Às vésperas do 2º turno das eleições, os eleitores ainda não tinham conhecimento do papel de quem votariam. Na enquete feita com 50 brasileiros pelo Jornal O Casarão, através das redes sociais, Facebook e Whatsapp, 58% dos respondentes sabiam parcialmente ou não sabiam a função dos deputados. Quando questionados sobre os papéis do governador e prefeito, o número de cidadãos que declaravam conhecer subia para 74% e 82%, respectivamente.
Diante de uma democracia tão frágil e de um cenário político conturbado, é de suma importância o brasileiro ter direito ao voto e poder escolher seus representantes na política, mas também é necessário ter a consciência sobre o papel de cada governante.
O histórico brasileiro republicano mostra que o país já enfrentou várias vezes períodos antidemocráticos. Em 1930, Getúlio Vargas assumiu a Presidência mesmo ser ter ganho as eleições. Entre o primeiro golpe e o fim do Estado Novo foram 15 anos de governo ininterrupto. Em 1964, o Brasil sofreu um novo  golpe, com a permanência dos militares por vinte e um anos no poder. Após a ditadura, em 1985, Tancredo Neves foi eleito de forma indireta pelo Congresso e morreu antes mesmo de assumir a presidência, herdada pelo vice José Sarney. Quando os brasileiros tiveram novamente o direito ao voto para presidente, em 1989, Fernando Collor de Mello foi eleito e após dois anos de mandato sofreu impeachment após denúncias de corrupção.
Portanto, para fortalecer a democracia, é imprescindível que os cidadãos brasileiros conheçam as funções legislativas e executivas de seus governantes, para tomar decisões de votos mais conscientes. Entenda quais são os papéis de cada cargo político:


Vai ter minoria no poder, sim!

Nas eleições de 2018, o número de mulheres na Câmara de Deputados aumentou em 21 em relação à última eleição, mas ainda representa apenas 15% das 513 cadeiras. No papel de governadora, apenas Fátima Bezerra, do Partido dos Trabalhadores, foi eleita, pelo Rio Grande do Norte. Para abordar o papel de governantes e a representatividade das mulheres na política, a então eleita deputada estadual Renata Souza fala a respeito do assunto.
Eleita pela primeira vez Deputada Estadual do Rio de Janeiro pelo PSOL, nas Eleições 2018, Renata Souza, 36, é jornalista de formação e apesar da pouca experiência no cargo de deputada, sua caminhada na política é de longa data. Ela trabalhou dez anos com Marcelo Freixo nos bastidores políticos e foi ex-chefe de gabinete de Marielle Franco, vereadora assassinada em março deste ano.
“Diante da execução sumaria dela a gente também se sente chamado e responsabilizado a estar não só enfrentado o debate ‘O que são as mulheres e as mulheres negras, pobres nesse espaço de poder?’, mas também, como construir uma pauta qualificada que vá fazer com que outras mulheres se interessem para estar na política. Então, a minha decisão [de me candidatar] foi depois da morte da Marielle, mas meu trabalho com política nos bastidores já vem aí há mais de 12 anos.”
Agora, encarregada de um cargo político de suma importância social, ela afirma que sua função e de todos os deputados estaduais é servir de meio e ferramenta para que a população possa ser representada em um espaço de construção de projetos de leis, além de fiscalizar o poder executivo.
“Então, para além de fazer as leis de acordo com as necessidades e demandas da população, a gente tem obrigação de fazer que essas leis sejam cumpridas e olhar o orçamento do Estado, onde o dinheiro está sendo aplicado, se está sendo aplicado, como que foi previsto para a educação, saúde, saneamento básico. Então, esse é o trabalho do deputado estadual.”, conclui Renata.
A deputada denuncia que, por parte dos políticos, essa falta de conhecimento da população sobre os cargos políticos não é coincidência. “Esse desconhecimento do que faz um vereador, um deputado estadual é proposital para que as pessoas continuem sendo utilizadas só no momento do voto e não no momento de fiscalização do permanente, do que esse deputado também está fazendo”, afirma Renata Souza.
“A solução está na educação sempre. Eu acho que a gente tinha que ter elementos de educação política para toda sociedade, no momento da educação formal. Mas, as próprias casas legislativas têm que ter processos de abertura para que o povo chegue lá e entenda o papel do deputado estadual, deputado federal, do vereador, para que essa forma de lidar com o público seja algo mais próximo. O deputado não pode ser aquela pessoa distante do que é o cotidiano das pessoas, isso é um absurdo.”
Esse distanciamento entre o povo e os políticos é uma questão que deve ser revista. Um cidadão que vota mas não sabe em quem está elegendo como deputado ou o que esse candidato pode fazer para ele no futuro, não tem cabimento dentro de uma sociedade democrática. Assim, há a necessidade de ter pessoas que representem a população no sentido mais literal da palavra. Na Câmara dos Deputados, apenas o deputado Jean Wyllys, também do PSOL, representa a comunidade LGBTs. Sobre os negros, nas eleições de 2016 apenas 18% possuem cargos eletivos na política. Mulheres, negras, pobres, faveladas, LGBTs precisam de representatividade no governo.
“Eu, por exemplo, sou uma aberração naquele espaço, mulher, preta, favelada, esse não é um lugar que foi previsto para nós, não é o lugar que a sociedade aceita que nós estejamos, não é a toa que a Marielle é executada, porque ela ousou falar alto demais em cima de uma lógica política que é perversa. Então, a política matou ela.”, denuncia a deputada. “Todas aquelas pessoas que se sentem tocadas a continuar, a lutar não só pelos ideais, mas pelas coisas reais que a Marielle lutava, pelo direito das mulheres, da população negra, pelo direito da população LGBTQ+, de pobres, de periféricos, todas as pessoas que se sentiram tocadas para uma luta pela igualdade humana e pela dignidade humana, ela está adquirindo o legado da Marielle, que é um legado universal e um legado de todos nós.”

Foto: Karen Rodrigues



Os bastidores da implementação das cotas raciais na Universidade Federal Fluminense

Os bastidores da implementação das cotas raciais na Universidade Federal Fluminense

Como a Universidade tem lidado com as ações afirmativas e as polêmicas em torno delas?



Por Daniel Magalhães

Foto: Coletivo Pretxs sem nome


Apesar de mais da metade (54%) da população se autodeclarar negra (inclui-se pardos e pretos), um censo da PNAD e do IBGE mostra um alarmante nível de desigualdade, já que até 2017 apenas 9,3% dos negros possuíam ensino superior completo. Comparado a 2000, o número aumentou consideravelmente, já que somente 2,2% dos negros no Brasil possuíam um diploma de graduação. Porém, o número ainda é pequeno e as ações afirmativas são ferramentas que procuram diminuir essa discrepância entre alunos brancos e negros, favorecendo estes e outros grupos que são historicamente discriminados, sobretudo na universidade pública.
Na Universidade Federal Fluminense, dos 32.372 alunos matriculados em 2016, 5.226 ingressaram via cotas raciais - estas direcionadas para pretos, pardos e indígenas. Levando em conta as outras cotas direcionadas a estudantes de escolas públicas e as cotas sociais/renda familiar, este é um número expressivo, mas que não demonstra tanto assim a realidade.
Em 2012, especificamente no dia 11 de outubro, passou a vigorar em âmbito federal o decreto de nº 7824 referente a lei de nº 12.711 que dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio por meio de ações afirmativas, também chamadas de cotas. As ações afirmativas são válidas para as instituições federais em todo o território nacional que utilizam o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como forma de ingresso. A lei prevê que 50% das vagas da instituição sejam destinadas a alunos cotistas. A implementação acontece de forma gradual, ano após ano, até que a porcentagem estabelecida seja atingida. Em termos gerais, dos 32.372 alunos matriculados em cursos presenciais na Universidade Federal Fluminense, 9.652 ingressaram via ações afirmativas, representando 29,8% do total. A universidade assegura que em pouco tempo atingirá os 50% estabelecidos por lei.
As cotas raciais dividem opiniões: muitos alunos são a favor e reconhecem a política de ações afirmativas como uma reparação por uma dívida histórica de exclusão de grupos marginalizados. Por outro lado, muitas pessoas consideram as cotas uma medida preconceituosa que coloca os negros em uma posição de inferioridade. Alguns até são totalmente contra e as chamam de esmolas e outros, apesar de reconhecerem o papel das ações afirmativas, por inúmeros motivos, decidem não ingressar por meio delas, mas escolhem ingressar via ampla concorrência. É o caso do Eddie Miranda, estudante de Pedagogia, que tinha nota suficiente para ingressar na UFF tanto pela cota como pela ampla concorrência, mas preferiu esta última modalidade. Ao entrar via ampla concorrência, ele acredita que tenha dado oportunidade para que a cota fosse utilizada por alguém que realmente precisasse. Mas, atualmente, ele se arrepende, ele diz que “as cotas permitem entrar com mais facilidade em diversos programas de bolsa.” Laís Mariano, estudante de Hotelaria da Uff também ingressou via ampla concorrência. Ela diz que, por não ter uma opinião formada sobre as ações afirmativas, preferiu não utilizá-las. Sobre as cotas, ela afirma: “Não acho correto ou incorreto, melhor nem pior, apenas penso que se eu me esforçar tenho plena capacidade de conseguir o que desejo [...] Acho que entrar pelo método de ampla concorrência te faz acreditar em si mesmo e ver que independentemente das circunstâncias será capaz, desde que tenha um objetivo e corra em direção a ele.” Ela reconhece o papel social das cotas na universidade pública, mas acredita que o sistema alimenta um ciclo vicioso: “O fato é que as cotas existem em resposta a um erro no sistema educacional desde suas bases. Também reconheço que existem realidades bem diferentes  e que este fator dificulta o ingresso em determinados cursos, mas custo a acreditar que a solução encontrada sejam as cotas, pois é como "tapar o sol com a peneira", uma vez que será um ciclo vicioso da má formação de profissionais pelas mesmas questões problemáticas já detectadas na escola pública.” Outros vestibulandos preferem ingressar por ampla concorrência ou em outras ações afirmativas por conta de todo o processo burocrático que preferem evitar e isso revela também uma falha no próprio edital da UFF: inúmeros estudantes contam que o edital não é claro o suficiente e acaba causando dúvidas quanto à documentação necessária.
Um outro dilema envolvendo as cotas raciais é o desempenho dos alunos cotistas na universidade. Frequentemente, os opositores das ações afirmativas alegam que os alunos que ingressam na universidade através da modalidade têm um desempenho inferior ao dos alunos não cotistas. Uma pesquisa da Folha de São Paulo, no entanto, mostra que os alunos cotistas têm desempenho igual ou até superior aos alunos que entram por ampla concorrência. Apenas em alguns cursos, sobretudo de exatas, os alunos cotistas possuem um desempenho 5% inferior ao dos alunos não cotistas. Isso revela a defasagem no ensino de Matemática nas escolas públicas frente às escolas particulares. Apenas 4% dos alunos de escola pública se formam com um conhecimento adequado na matéria. Em Português a porcentagem sobre para 22%.

Mecanismos que a Universidade encontrou para combater as fraudes
A política de cotas raciais enfrenta mais uma polêmica nesses últimos anos: embora seja reconhecido que o número de estudantes negros tenha aumentado significativamente, recentes escândalos colocaram em xeque a credibilidade dos processos requeridos para se beneficiar das ações afirmativas. Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por exemplo, brancos usavam cotas para negros e pardos para entrarem no curso de Medicina da universidade. Na UFF aconteceu o mesmo escândalo e em março de 2017 113 candidatos foram considerados não aptos pela comissão de heteroidentificação - também conhecida como comissão de aferição de autodeclaração de cor/etnia.
A comissão de heteroidentificação surgiu como uma forma de barrar as fraudes depois da reitoria receber inúmeras denúncias de alunos brancos que entraram na universidade se aproveitando das cotas raciais. Em 2016, coletivos negros da UFF uniram forças para pressionar a reitoria após constatar inúmeros estudantes do curso de Relações Internacionais que ingressaram na faculdade após supostamente fraudarem as cotas. A comissão é formada por professores, técnicos e alunos de movimentos negros da universidade que avaliam se o candidato que recorre às ações afirmativas étnico-raciais se enquadra dentro dos requisitos estabelecidos. Mas será que essa comissão funciona da maneira que achamos como funciona?
Os vestibulandos que entram por ações afirmativas de raça devem comprovar que estão aptos para as vagas. Em alguns casos, por conta de algumas características fenotípicas óbvias, os candidatos são aprovados logo após entregarem os demais documentos requeridos para ingressar na universidade. Porém, em outros casos o processo é mais cauteloso e, além da documentação, é necessária uma entrevista com a comissão de heteroidentificação, caso o candidato seja considerado inapto. Caso fique constatado que o concorrente não esteja apto para preencher a vaga via ação afirmativa, ele pode recorrer.
No boletim de serviço da UFF, publicado em 22 de dezembro de 2017, o então reitor Sidney Luiz de Matos Mello nomeou a antropóloga Ana Paula Mendes de Miranda como assessora da Assessoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (AFiDE/UFF). A AFiDE foi criada para analisar os processos dos candidatos considerados inaptos pela comissão e que decidiram recorrer.
Alunos de diferentes coletivos, no entanto, consideram que a nomeação de Ana Paula Miranda, que é branca, para a diretoria da Assessoria de Ações Afirmativas foi totalmente política e contraditória, já que ela é uma antropóloga que afirma ser contra a comissão de verificação de cor/etnia que ela deve supervisionar. Além disso, alguns alunos contam casos de racismo por parte da diretora da assessoria. Questionada sobre sua nomeação, a criação da assessoria e as acusações de racismo, Ana Paula conta que a assessoria foi criada para avaliar os recursos da primeira comissão e, ao analisar, constataram que os alunos considerados inaptos eram na verdade pardos e, portanto, estavam aptos a utilizarem a política afirmativa que se destina a negros, pardos e índios. Sobre sua nomeação, mesmo sendo abertamente contra a comissão de aferição, ela diz: “É melhor que a gente, que é contra, ocupe esse lugar e dê um encaminhamento diferenciado do que deixar quem é a favor, pois quem é a favor já faz uma tragédia, faz uma coisa mais excludente. Eu ser contra a comissão não implica em eu negar uma demanda social. Podem me chamar de racista, eu sei que eu não sou e estou tranquila em relação a isso. Eu não to aqui para fazer ninguém chorar, a não ser de felicidade. Honestamente é isso que eu penso. Eu não fiz concurso na universidade para ficar humilhando pessoas.” Alunos também questionam porque alguns alunos que foram denunciados por fraudarem as cotas raciais e a comissão responde que, de acordo com o defensor público da União Thales Treigher, nada pode ser feito em relação às pessoas que fraudaram as cotas no antigo sistema, antes de 2017. O que pode ser feito é a partir de agora [do momento de criação das comissões e da Assessoria].

Os alunos de coletivos contam que não há uma comunicação entre a comissão e a AFiDE e, com isso, a assessoria toma decisões sem consultar os membros da comissão de heteroidentificação. A assessoria, no entanto, diz que convidou os alunos membros da comissão para um diálogo e também um treinamento do Ministério Público para membros da comissão, mas eles não compareceram. Questionados sobre essa conversa e o treinamento, os alunos disseram que o convite nunca aconteceu. Leonardo Vieira, pesquisador e membro da assessoria, questiona o posicionamento dos alunos dos coletivos e diz: “O problema é que essas pessoas  estão partindo de um ideal daquele jovem de 16 anos que já tem que chegar na universidade com a sua estrutura identitária já estruturada.” Rosiane Rodrigues de Almeida, doutoranda em antropologia e pós-graduada em Educação para as Relações Étnico Raciais pelo CEFET/RJ, que também compõe a assessoria, complementa a fala de Leonardo: “Esses meninos chegam aqui de Nova Iguaçu, Bento Ribeiro, Jardim Catarina, interior de Minas Gerais, Pará. Esses meninos têm um certo nível de reflexão quando chegam aqui, só 2 ou 3 participaram de um movimento estudantil no ensino médio, o resto nunca pensou nisso na vida. Então eu não posso ter uma comissão que pense que todo mundo lê Angela Davis no segundo grau.”
Segundo Rosiane, toda essa discussão em torno das cotas raciais e os casos de fraudes é uma maneira de enfraquecer essa política de ações afirmativas que, segundo ela, é “uma das poucas políticas de inclusão que mais tenha resultado no país em um curto período de tempo”. De acordo com a assessoria, a porcentagem de fracasso dessa política é extremamente pequena. Rosiane afirma que “uma política pública que tenha 30% de fracasso ainda é considerada extremamente eficiente”. Ela ressalta que o número de fraudes em nível nacional “não chega nem a 0,5%, o que torna a política de cotas muito eficiente.” Ana Paula Miranda diz que, na atual conjuntura do país, levar adiante a discussão das fraudes podem maximizar os comentários negativos referentes a política de cotas raciais e dar base para que decidam eliminar uma das poucas políticas de inclusão dos últimos tempos. A assessora afirma que é preciso focar nos benefícios que os alunos cotistas conseguem ao adentrar à Universidade: “Temos que mostrar o potencial da cota na vida das pessoas, como a cota transformou elas positivamente. Como está o desempenho dela, como ela está fazendo para se manter.”

A ascensão do cinema brasileiro

Por Juliana Oliveira e Roberta Ruchiga

 "As Boas Maneiras" de Juliana Rojas e Marco Dutra

 
Apesar dos diversos meios de acesso à cultura, segundo o estudo feito pela Tendências Consultoria através da Motion Picture Association (MPA), quase metade da população, 46%, ou seja, 93 milhões de pessoas, não têm acesso a cinemas. Ainda que o percentual seja alto, o mesmo estudo mostra que, de 2013 a 2015, as salas de cinema cresceram de 2679 para 3005 e que o número de ingressos vendidos nos cinemas também aumentou.

Os festivais de cinema brasileiro servem de plataforma para o crescimento e a consolidação de novas produções audiovisuais do país. No Brasil, o mais antigo e tradicional é o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que já está em sua 51ª edição. Sediado no Cine Brasília, o evento anual foi instaurado pelo professor de cinema da Universidade de Brasília, Paulo Emílio Sales Gomes em 1965, e é promovido pelo governo do Distrito Federal.

O Festival do Rio é uma junção de dois antigos eventos da cidade, Mostra Banco Nacional e o Rio Cine Festival, e desde 1999 exibe longas e curtas, principalmente brasileiros, em diversas salas dos cinemas cariocas. Sem o apoio da Prefeitura do RJ há dois anos, em 2018, o festival adiou sua estreia em um mês por falta de patrocínio. Grandes nomes do mundo cinematográfico já passaram pelo FDR apresentando seus filmes, como Roman Polanski, diretor de "O Pianista", em 2002; Dario Argento, para a mostra "Dario e seu mundo de horror", em 2011; E atores e atrizes como Samuel L. Jackson, Kylie Minogue, Jane Birkin, Danny Glover e muitos outros.

No Rio Grande do Sul, o Festival de Cinema de Gramado marca presença desde 1973. Um dos maiores do país, premia seus ganhadores com o famoso troféu "kikito". O evento possui sessões de reprises gratuitas para o público e já recebeu nomes como Camila Morgado, Tony Ramos, Alinne Moraes, o francês Etienne Chicote, entre outros. O Festival de Gramado tornou a Serra Gaúcha palco de grandes debates e encontros de artistas do cinema.

Outra iniciativa que colabora com a expansão do cinema nacional é realizada pela rede de cinemas Cinemark. O evento “Projeta Brasil”, que já teve 19 edições, exibe filmes nacionais em salas de todo o país. Os ingressos custam apenas R$4,00. O objetivo da rede é incentivar o cinema brasileiro aproximando o público das principais obras nacionais e fomentar recursos para apoiar premiações, projetos educativos e de acervo.

O aumento de produções brasileiras em festivais internacionais é um grande benefício para o cinema daqui e, para incentivar ainda mais esse crescimento, o programa da ANCINE - Agência Nacional do Cinema “Programa de Apoio à Participação Brasileira em Festivais, Laboratórios e Workshops Internacionais” ajuda com cópias, financeiro e legendas, filmes e projetos audiovisuais que foram oficialmente convidados para participar dos festivais ou laboratórios internacionais, mas não possuem a verba total. Em 2017, o programa levou 25 obras para 11 festivais, entre eles Festin (Portugal), New Directors/New Films (Nova Iorque), FICG (Guadalajara) e muitos outros. A inscrição pode ser feita no site oficial da ANCINE.



A presença do Brasil em festivais internacionais

Nos últimos anos, tornou-se comum o reconhecimento de produções nacionais em grandes festivais mundiais. Em 2017, o filme de horror “As Boas Maneiras” de Juliana Rojas e Marco Dutra ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Locarno, evento anual que acontece na Suíça. O longa foi uma surpresa agradável para os amantes do cinema, conquistando com sua história envolvente e inovadora críticas positivas de jornais, como o The New York Times e a revista estadunidense Variety.

Já em 2018, o cinema brasileiro concorreu no Festival de Berlim em diferentes categorias. O evento premiou cinco das 12 produções indicadas, com seis prêmios distribuídos entre eles. Os filmes “Tinta Bruta”, “Aeroporto Central”, “O Processo”, "Bixa Travesty” e “Ex-Pajé” desenvolvem enredos controversos sobre a realidade brasileira, como a sexualidade e o impeachment de Dilma Rousseff.

A seção independente “Quinzena dos Realizadores” do Festival de Cannes, teve em sua edição de 2018 dois representantes brasileiros de peso. O longa “Los Silencios” e o curta “O Órfão” não levaram o prêmio, porém deixaram a marca do Brasil pela 34ª vez no evento internacional.

Cada vez mais o cinema nacional vem estabelecendo a expressiva relevância das produções brasileiras e deixando sua marca ao redor do mundo.



O cinema da Retomada

Desde o seu surgimento, em 1897, o cinema brasileiro passou por ascensões e momentos de crise. Durante a década de 60 e 70 a cultura do país viveu anos sem liberdade. Pouco tempo após, na década de 80 enquanto o Brasil se redemocratizava pós ditadura, a crise econômica atingiu fortemente o mercado audiovisual, que se reergueu somente em meados dos anos 90.

A Retomada veio graças à leis de incentivo à cultura, como a Lei do Audiovisual - de 1993 - que além de conduzir o crescimento na produção cinematográfica, gerou mais liberdade criativa dos cineastas e acabamento técnico superior ao que a população estava acostumada.

Segundo a ANCINE, nos últimos quatro anos da década de 90 e começo do século XXI o crescimento foi de quase 300%. Em 1995, quando a indústria cinematográfica começou a se reerguer, sete filmes nacionais foram lançados, contra 31 em 2000.

Desde então, os números só aumentaram. Os blockbusters brasileiros começaram a fazer sucesso, longas como “O Auto da Compadecida” de Guel Arraes e “Os Normais” de José Alvarenga Júnior tiveram grande êxito comercial como exemplos clássicos da comédia brasileira.

Um marco da mesma época é o aclamado longa de Fernando Meirelles, “Cidade de Deus”, lançado em 2002. O filme foi um sucesso tanto no Brasil quanto internacionalmente, sendo indicado a quatro categorias da importante premiação norte-americana Oscar. Jornais como o The Guardian e a revista The Atlantic aplaudiram a produção de Fernando Meirelles em suas críticas positivas.

Do início do século XXI aos dias atuais, o cinema brasileiro cresceu aceleradamente, concorrendo cada vez mais em premiações internacionais importantes. Além do empenho em desenvolver gêneros que eram pouco explorados, como o terror e a ficção científica.

Parados no sinal

Trânsito tira a tranquilidade da Cidade Sorriso



Por Anna Luiza Amorim, Breno Behnken e Lara Barsi


Foto: Aayush Srivastava/Pexels

O aplicativo de transporte particular 99 publicou uma pesquisa, feita a partir da própria plataforma, que elegeu as dez cidades mais engarrafadas do Brasil. A surpresa está no pódio: Niterói tem o pior trânsito do país, superando grandes centros urbanos como Rio de Janeiro, em 8º lugar no ranking, e São Paulo, que ficou na sétima posição. A análise foi feita a partir da relação entre distância e tempo de viagem nos trinta centros onde mais se utiliza a plataforma. A Cidade Sorriso desbancou as duas maiores capitais do país com horários de pico até 80% mais lentos do que o normal.
Jailson Salles é taxista em Niterói há 8 anos, e todos os dias enfrenta o estresse do engarrafamento da cidade, que “já é muito engarrafado, porém fica muito pior no horário de pico”. O congestionamento chega a afetar a saúde do motorista, que diz ter dores na perna causadas pelo uso constante dos pedais, e o tempo que passa sentado no carro, parado no trânsito.
Os problemas enfrentados por Jailson são os mesmos que outros muitos motoristas vivenciam no dia-a-dia. A prefeitura, ciente dos problemas que afetam a vida dos niteroienses, já realizou intervenções pela cidade em busca da melhoria do tráfego. Em 2017 foi inaugurado o Mergulhão da Praça Renascença, com o intuito de desafogar o trânsito, principalmente dos coletivos que vêm do Terminal João Goulart em direção à Ponte Rio Niterói e à Alameda São Boaventura, mas os motoristas ainda encontram dificuldades. Vias importantes da cidade, como a Visconde do Rio Branco e Ernani do Amaral Peixoto, as duas principais do Centro, sofrem com o trânsito intenso. A Rua Marquês do Paraná, que liga o bairro à zona sul através de Icaraí, não depende nem de horário de pico para estar engarrafada. E as ruas Roberto Silveira e Miguel de Frias, que levam o fluxo do carros de Icaraí para o Centro, também passam mais tempo engarrafadas do que livres.
Existem projetos no planejamento da cidade, como a criação de um Corredor Metropolitano, com faixas exclusivas para o fluxo dos coletivos, com controle centralizado e acionado pela demanda. O alargamento das vias, quando possível, também está nos planos da Prefeitura, para melhorar a acomodação do fluxo. Algumas dessas obras já começaram, como a expansão da Avenida Marquês do Paraná, via que liga os dois principais bairros da cidade. No entanto, um ano após o seu início, a remodelação ainda não terminou, mesmo com o prazo dado pela Prefeitura ter sido o segundo semestre de 2018.
Para o presidente da NitTrans, Coronel Paulo Afonso Cunha, o trânsito em Niterói tem origem principalmente no número de carros. A cidade possui 500 mil habitantes e 298 mil carros, para 32km² de área. Assim, para ele, a pesquisa do aplicativo 99 não corresponde ao trânsito da cidade. “Eu não concordo com a pesquisa. Nossos números em termos de acidentes, em termos de entroncamentos, mostram que o trânsito está numa faixa boa, tanto de segurança, quanto de fluidez. A nossa visão é de que o trânsito em Niterói acompanha o seu IDH”. O Índice de Desenvolvimento Humano da cidade é o mais alto do estado, e o quarto maior do Brasil. “Nós não consideramos o trânsito aqui como essa 99 declarou, que é o pior trânsito do país. Ela fez um cálculo errado na minha acepção”, completou.
O professor do Setor de Transportes da Engenharia Civil da  UFF, Levi Salvi, aponta que Niterói cresceu de forma pouco ordenada e no passado não existiu um projeto efetivo de médio e longo prazo para o sistema viário, como é comum em cidades planejadas, com vias expressas, arteriais, coletoras e locais. Na maioria das cidades brasileiras, entretanto, grande parte do percurso é realizado por vias locais e de pequeno porte, e mesmo assim, parte da via é utilizada para estacionamento de veículos na lateral.
Levi ainda aponta uma provável solução: “A experiência vivida por outros centros urbanos semelhantes mostra que os projetos que terão melhor resultado prático estão ligados ao transporte coletivo e de massa com qualidade, que diminuem o número de veículos particulares e individuais em trânsito. A expansão do sistema viário em área urbana densamente povoada é muito difícil, e tem inclusive um impacto social, como as desapropriações.”

Bicicletas: o transporte do futuro


Foto: Cristiana Raluca/Pexels

Fabiana Marques conta que faz uso da bicicleta desde que se mudou para Niterói, há sete anos, sendo o meio de transporte mais rápido para levar seu filho para a escola, além de não ter que se preocupar com estacionamento. Ela faz uso do carro apenas em momentos que precisa sair com a família toda, como em um almoço de domingo, um passeio mais distante ou uma visita a familiares. Fabiana acredita que a prefeitura não se mobiliza o suficiente para melhorar a vida daqueles que optam pela bicicleta: “Não existe segurança efetiva para os ciclistas nas ciclovias, frequentemente caminhões e carros estacionam exatamente em cima da ciclovia (para carga e descarga de materiais no comércio). Não há nenhuma placa de sinalização e os motoristas em geral não respeitam o limite de 1,5 m de distância das bicicletas. Sou ciclista de todos os dias e ainda carrego meu filho na cadeirinha. Faço a minha parte, sinalizo com os braços e minha bicicleta tem retrovisores, isso me ajuda muito”.
Levi considera ciclovias como uma tendência mundial:  “Acredito que os resultados serão mais efetivos se a construção da ciclovia vier acompanhada de uma política pública mais ampla de incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte urbano. As ciclovias são relativamente recentes no Brasil e nos grandes centros urbanos, como é o caso de Niterói. Com um pouco mais de tempo e experiência, os pontos falhos serão ajustados e obteremos bons resultados”.
Para o Coronel Paulo Afonso Cunha, presidente da NitTrans, a bicicleta é uma alternativa possível para a cidade. “O meu sonho é que, ao invés de termos 298 mil carros, tivéssemos 298 mil bicicletas em Niterói. Não haveria poluição, não haveria tantos acidentes, tanta violência. Só que temos apenas 5 mil bicicletas na cidade”. Segundo Cel Paulo, a Prefeitura de Niterói é extremamente favorável ao transporte de bicicletas, através do projeto de mobilidade urbana que expande as ciclovias e ciclofaixas na cidade. Além disso, a cidade inaugurou o Bicicletário da Praça Araribóia e também pretende inaugurar um bicicletário em Itaipu, finalizando a Transoceânica e integrando a bicicleta com o transporte o transporte de massa.
“As duas mais importantes ruas de Niterói, Ernani do Amaral Peixoto e Roberto Silveira, possuem ciclovias. E temos mais de 20 km de ciclovias. Damos todo o apoio ao transporte de bicicleta. Já terminamos? Não, ainda tem muita coisa. Mas também precisamos dar apoio às motocicletas, aos caminhões de carga e descarga, aos ônibus”, afirma.

Escape do trânsito!


A cidade conta com site e conta oficial no Twitter, com o nome de Nittrans, para informar sobre trânsito e transportes. Também é disponibilizado um número de Whatsapp [(21) 98400-5519] para melhorar a comunicação da população com a Nittrans. Além dos canais oficiais, os niteroienses contam com diversos perfis e grupos nas redes sociais, como é o caso da Niterói Radar no Twitter, que atualiza constantemente as informações sobre o tráfego.

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