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15/05 é o Dia de Luta pela Educação

No dia 15 de maio será realizado em todo o Brasil atos em favor da educação e contra os cortes proposto pelo governo federal. Os pr...

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15/05 é o Dia de Luta pela Educação




No dia 15 de maio será realizado em todo o Brasil atos em favor da educação e contra os cortes proposto pelo governo federal. Os profissionais da Educação estarão paralisando as suas atividades para dizer um não a esse projeto que vem para sucatear a educação pública.

O governo federal ameaça a educação pública como um dos cercos para conseguir a aprovação da reforma da previdência, justificando, por meio de nota que “caso a reforma da previdência seja aprovada e as previsões de melhora da economia no segundo semestre se confirmem (os recursos seriam liberados), pois podem afetar as receitas e despesas da União”. Ou seja, na pratica é dizer que “se aprovar a reforma, podemos pensar em rever o orçamento da educação”. Claramente, trata-se de uma falsa promessa que está posta por meio de chantagem contra a mobilização das e dos estudantes e trabalhadores por seus direitos.

No Rio de Janeiro, o principal ato se concentrará na candelária as 16 horas, onde se espera um grande número de pessoas que estarão na luta por uma educação pública e de qualidade. O Jornal O Casarão estará presente neste dia, cobrindo o grande ato e as atividades que aconteceram em torno da UFF. Acompanhe o nosso blog e as nossas redes sociais.

Dia 15 de maio será maior. No dia 08 de maio de 2019, estudantes, professores e servidores da Universidade Federal Fluminense (UFF) de diversos campis participaram do ato "Eu Defendo a UFF" contra o corte de verbas das universidades públicas no Brasil. Em Niterói, a concentração do ato foi no campus Gragoatá e depois saiu em direção as Barcas , no centro da cidade. As alunas de jornalismo e colaboras do Jornal O Casarão Victoria Henrique e Victoria Pereira registraram o ato. Clique Aqui e veja a reportagem.

Serviço: 
Ato em Defesa da Educação Pública
Data: 15/05/19
Horário: 16:00 Horas
Local: Candelária


Entre as prisões e a liberdade



Por Ghabriella Costermani Machado

Cheguei um pouco mais cedo que meus demais colegas da turma de jornalismo da UFF, sendo uma ensolarada tarde de quarta-feira (17), o horário de chegada estava previsto para às 14h, durante o tempo da nossa disciplina de Oficina de Reportagem do 3º período do curso. Passados alguns minutos, logo estávamos todos reunidos no Museu Janete Costa de Arte Popular. Durante o curto intervalo em que passei sozinha no salão, pude conhecer um pouco mais sobre quem seria Janete Costa. “Responsável pela criação de diversas coleções, apresentou a cultura popular aos mais importante colecionadores da arte brasileira, articulando às técnicas-utilitárias juntamente ao talento do cotidiano brasileiro”. E sendo exatamente sobre esse tema que nos é apresentada a exposição do organizador Jorge Mendes, “Piauí, entre anjos e palmeiras”. Buscando representar e causar a reflexão sobre a arte popular brasileira e o Estado do Piauí, a apresentação trouxe diversas obras com elementos característicos do costumeiro brasileiro e piauiense.
Primeiramente, somos guiados até a primeira sala, onde pudemos apreciar esculturas de diferentes anjos, cada um com características próprias dos autores e também a autenticidade brasileira. Estes diversos artistas, entre 25 e 60 anos, fariam parte do que consideram hoje a e geração da arte santeira, na qual a religião seria um tema central, encontrando no estado do Piauí seu ápice.
Fotos: Autoria própria
 Os belos querubins tupiniquins foram esculpidos a partir da madeira do símbolo do estado nordestino: as palmeiras carnaúbas, babaçus e buritis. Bases de sua economia e também dos totens produzidos pelo escultor Guilherme, reproduzindo o cotidiano do campo e utilizando dos troncos como um registro pré-histórico, assim como às antigas pinturas rupestres.
Foto: Luíz Ferreira
  Tudo era bastante belo, podia-se  perceber nos semblantes de meus colegas a admiração pela arte, mas ainda nos faltava alguma coisa: sobre o que de fato, centralmente, a exposição falava? É neste momento que somos levados até as nuvens. É assim que a sala homenageando os três artistas principais da geração: Mestres Dezinho, Expedito e Cornélio, é chamada, a sala das nuvens. Juntando todos os elementos apresentados até então, finalmente, concluímos que a liberdade era a discussão simbólica que a exposição trazia.
Fotos: Luíz Ferreira
    E com apenas alguns passos, diretamente das névoas tão alvas, caímos do paraíso para a escuridão, para os temidos anos de chumbo. Passamos a relembrar sobre o medo ao qual o país esteve imerso durante a ditadura civil-militar. Mas apesar de termos pousado em meio aos tempos sombrios, havia, ainda, um anjo. Torto. Mas um anjo. Homenageando o poeta brasileiro, Torquato Neto, a exposição ressalta a necessidade de, 50 anos depois, ainda ser preciso estar falando sobre esse período. E demonstrando como até o momento, nas ruas, se possui  elementos que perpetuam a luta contra a censura e a tortura. Viajando em uma linha temporal que funde o presente e passado.
Foto: Autoria própria
    Por fim, chegamos ao espaço interativo e multissensorial da exposição. Entre reflexões sobre o que nos aprisiona e nos liberta, tivemos a chance de refletir sobre nossos medos e também onde encontramos apoio e acalento para enfrentá-los e finalmente alcançar a sensação de liberdade; nos livrarmos das amarras, das tonturas, das prisões, do silêncio. E quando enfim conseguirmos, conquistaremos nossas asas e voaremos.

Entre Anjos e Palmeiras
Data: de 3 de abril a 4 de agosto de 2019, de terça a domingo
Horário: das 10h às 18h
Entrada franca
Classificação indicativa: Livre
Museu Janete Costa de Arte Popular
Rua Presidente Domiciano, 178, Ingá, Niterói

Coletivo TransParente

Arte que imita a vida
Coletivo teatral de Niterói é responsável por trazer para os palcos a vivência de seus alunos
Brenda França, Natasha Mastrangelo, Suelen Fernandes e Vinicius Gonçalves




Dentro do Centro de Referência LGBT Leste, em Niterói, na Visconde de Morais, 119, estava aglomerado um grupo de jovens mexendo em peças de roupas que não eram deles. Preocupados com o bazar previsto para a semana seguinte, o coletivo TransParente tenta arrecadar dinheiro para comemorar seus dois anos de união, no dia 7 de dezembro, com uma edição do que eles batizaram de SexTrans, um evento que ocorre a cada dois meses no Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal Fluminense (UFF) e que reúne exposições, esquetes, poesia e debate com o público. O grupo, que teve seu início idealizado pelo cineasta e atual coordenador do projeto Marcos Campello, de 47 anos, tinha como principal objetivo, em novembro de 2016, um trabalho voltado para pessoas transexuais. Hoje, procurando uma transformação social através da arte e da cultura, o TransParente agrega todas as letras da sigla LGBT e acolhe os mais variados segmentos para contornar a opressão dentro e fora dos palcos.

Sem qualquer incentivo público ou privado, o coletivo funciona através de doações e da participação ativa de seus integrantes. Apesar das limitações, Campello, ou “Campai”, como é carinhosamente chamado pelos jovens, diz que as parcerias ajudam muito para que o coletivo se mantenha atuante. “Temos aula de expressão corporal, yoga e teatro com o professor Paulo Merisio da UniRio, já que hoje somos um curso de extensão da faculdade. Também temos parceria com o Centro de Cidadania LGBT Leste, que atende os alunos com profissionais de psicologia, direito e assistência social.”, conta o coordenador.

O grupo já chegou a levar seu trabalho para o ensino médio de diversas escolas municipais de São Gonçalo e Niterói, além de já ter se apresentado na Câmara Municipal de Niterói, no Teatro Popular Oscar Niemeyer e na própria Universidade Federal Fluminense. Abrindo sempre discussões sobre identidade de gênero, orientação sexual, racismo e machismo, o coletivo TransParente tem suas esquetes escritas pelos próprios jovens do coletivo, todos eles oriundos da periferia. “A gente está criando a nossa representatividade porque a gente não se encontra nesses espaços, como pessoas trans, pessoas negras ou LGBTs. E quando estamos nesses espaços, somos artigos de comicidade de forma escrachada, pegando o pior do estereótipo e muitas vezes feito por pessoas que não somos nós.”, explica Rita Dias, 22, que faz bacharelado em Artes Cênicas e é uma das mais antigas do grupo.

Com o bazar idealizado por eles, a meta é arrecadar fundos e diminuir os custos arcados pelo Campai, já que muitos deles não possuem ao menos o dinheiro da passagem para chegar em Niterói. O coordenador ainda conseguiu apoio de amigos, que doam uma quantia mensal para que os jovens consigam se manter no projeto e comprar o necessário para suas produções. Esse clima de acolhimento do coletivo TransParente é o suficiente para transformar a vida dos jovens do grupo. Wallace Berto, pedagogo e coordenador pedagógico do grupo, conta que em 2017 o núcleo foi responsável por acolher Thaís Silva, uma menina trans que foi expulsa de casa aos 13 anos e morava na rua até conhecer uma produtora do coletivo.

“Nosso diretor e nossa produtora realizaram diversas ações para tentar buscar os direitos não acessados por Thaís. Fomos a abrigos, buscamos tirar os documentos, procuramos algum lugar para ela ficar. Depois de muitas indas e vindas, nossa aluna está formada em curso técnico, está num abrigo, ganhou autorização para vir às aulas do coletivo e acabamos de realizar seu aniversário surpresa de 15 anos.”, lembra o pedagogo. “Eu fui acolhida de braços abertos. Eles são o meu refúgio.”, desabafa a menina, que está trabalhando em duas histórias para colaborar com as esquetes do grupo.

Rhayssa Guedes, 21, formada em teatro, explica como que a participação no coletivo vai muito além dos palcos. “Você não necessariamente precisa vir para cá para fazer teatro, tem gente que vem porque se sente bem, porque é um meio de muito amor que acolhe. Aqui é um lugar pra você colocar suas ideias. Eu acho que a cumplicidade vai além da atuação e acho que muita gente se descobre ou se desperta aqui nessa vontade.”, destaca a jovem. Esse descobrimento foi muito sensível para Vinícius Figueiredo, de 18 anos. “Eu já me entendia como artista, mas eu não me entendia como pessoa. O coletivo me ajudou muito a evoluir, a saber amar o outro e a me amar.”, desabafa o menino.

Para que esse trabalho tenha continuidade, o coletivo TransParente está recolhendo doações na sua locação na Visconde de Morais, 119, toda terça-feira de 15h a 18h. Nas quintas, o grupo também se reúne no DCE da UFF. Todo tipo de material é bem-vindo para ajudar nas produções de suas esquetes, como maquiagem, tecidos, equipamentos ou qualquer quantia para arcar com as passagens dos estudantes.

Ressurreição

Nascido e criado no Piauí, colecionei muitas histórias. Boas memórias tenho da infância feliz, amada e sem lágrimas. Ajudei a carregar cestas no sítio de meu pai. Ordenhei vacas. Peguei ovos na granja. Alimentei porcos. Me joguei na lama quando a mamãe não estava por perto. Vivi o verdadeiro esteriótipo do menino da fazenda no Nordeste.
O problema é quando a mocidade chega.
Cobranças aumentam. O contato com o outro lado aumenta. Descubro que existe um vasto mundo fora dali. E agora? Serei pra sempre o menino da fazenda que morre com seu nome enterrado junto aos bois? Não mesmo. E foi assim que fui parar no Rio de Janeiro.
Mas nada foi simples.

Dinheiro faltou. Peito doeu. Acreditava ter certeza de minha decisão, mas a saudade me causou uma eterna dúvida. E conversando sobre essa saudade com meu amigo de anos que esteve comigo desde os meus tempos de boiada, decidimos ir a exposição "Piauí: entre anjos e Palmeiras" perto da nossa casa. Para nossa surpresa, quando chegamos no Museu Janete Costa, o medo veio junto. O medo de entrar e se deparar com o antigo eu. Com o menino da fazenda que se foi. Mas, como aprendi com a minha avó: "Se tá com medo, vai com medo mesmo, meu filho"– ela dizia.

E assim fui.
Entre muitos anjos e palmeiras, ali me vi. Percebi que, na verdade, o menino da fazenda nunca morreu.
Virou anjo.

Mas não daqueles que tocam harpas, mas sim sanfona. Não aqueles que colhem frutos das videiras, mas sim dos cajueiros. Não os que se repousam sob pinheiros, mas sim sob palmeiras. Sou um anjo piauense. Minha cruz no pescoço não me permite
mentir. Não sou anjo branco como dizem por aí. Sou negro. Queimado pelo sol. Sou nordestino. Meu chinelo é de couro. Meu chapéu também. Sobrevoo pelas carnaúbas e babaçus. Protejo os que acordam cedo para capinar, colher, rezar, ordenhar, vender. Protejo os que tem vida. Protejo meu Piauí. E agora, Niterói também.

Me vi num museu segurando uma sanfona ao lado de cajueiros e palmeiras. A liberdade do ser – ali havia. Pela primeira vez, me enxerguei sem espelhos.

Hoje, sobrevoo naquela exposição. De uma sala para outra, cada uma com sua emoção.
Ressuscitei.

Meu lado piauense viu luz, agora não quero mais me esconder.
Essa é minha identidade.
Como cantava Torquato Neto:
"Eu sou como sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível".

A partir de agora assim viverei. Porque parte de mim é saudade e a outra...?

Um vazio em eterna construção.

Por Cecile Mendonça


Cultura em Niterói: o Museu Janete Costa de Arte Popular traz o Piauí Entre anjos e palmeiras


Por Laís Rodrigues
Em meio aos “campis” IACS, Gragoatá e Praia Vermelha, da Universidade Federal Fluminense, a cultura se faz presente na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro. De 04 de abril a 04 de agosto, o Museu Janete Costa de Arte Popular apresenta a mostra “Piauí entre anjos e palmeiras”. O curador Jorge Mendes contou com o apoio do Governo do Estado do Piauí, do Sebrae Piauí e do superintendente do Centro de Artesanato, Jordão Costa, para montar a exposição. Seu objetivo é, em suas palavras, “homenagear a arte santeira, as palmeiras e também a discussão que está permeando a arte popular no momento – a ditadura”.
A proposta é dar visibilidade para a arte popular do estado do Piauí, o muitas vezes esquecida no país. A arte santeira piauiense é celebrada através da obra de seus mestres: José Alves de Oliveira (Dezinho), Expedito Antonino dos Santos (Expedito) e José Cornélio de Abreu (Cornélio). Esses artistas da primeira geração talham as carnaúbas, buritis e babaçus, palmeiras nativas presentes no Brasão do Estado do Piauí e no cotidiano de seu povo, em forma de anjos. A arte santeira é reconhecida como patrimônio cultural do estado.  
As colunas de mestre Guilherme de Parnaíba mostrando a vida de homens e mulheres no sertão também podem ser apreciadas na exposição. O céu azul com nuvens brancas do dia se contrapõe à noite estrelada, diferenciando dois ambientes da exposição. A iluminação noturna convida à sala em homenagem a mais um anjo piauiense reconhecido, o “anjo torto” Torquato Neto. Figura importante na Tropicália está presente numa volta ao tempo para o período da ditadura, unindo o passado e o presente nas manifestações de “Ditadura nunca mais”, em cartazes nas vias urbanas.
Esse setor da exposição faz um convite à “discussão simbólica sobre a liberdade”, segundo a mediadora Juliana Reis. Nas paredes, pode-se observar, além dos cartazes de resistência, como “É proibido proibir” e “Seja marginal, seja herói”, a letra do poema “Go back”, de Torquato Neto, e capas de discos da Tropicália. Hélio Oiticica, grande amigo de Torquato Neto, apesar de não ser piauiense, também é homenageado por sua importância para a contracultura e inovação no modelo de arte interativa, que dialoga com outra parte da exposição.
No segundo andar do museu, na Galeria Mestre Expedito, estão expostas obras da segunda e terceira geração da arte santeira, que estão à venda. Algumas das obras são o “São Miguel Arcanjo”, de Raimundo Soares Cavalcante (Dico), que custa R$ 6 mil, o “Oratório de São Miguel”, que custa R$ 1,2 mil, e o “Anjo”, de Joseilton Ferreira de Souza, o qual está à venda por R$ 12 mil reais.
Ainda no segundo andar, fecha a exposição uma área interativa que dialoga com as sensações provocadas pelo contraste entre a claridade e a escuridão dos céus piauienses. Nas palavras de Torquato Neto expostas no museu, “Ou você mexe com a forma, ou então não mexe com nada”. Esse seria o convite para os visitantes interagirem com a exposição. De um lado, “O que te aprisiona?”, com cores escuras do céu à noite, do outro, “O que te liberta?”, com o azul de um céu de dia claro e o branco das nuvens.
As cores dão a sensação de um clima mais leve ou mais pesado, o que contribui para que os visitantes exponham seus sentimentos, através de bilhetes que podem ser deixados nos murais. Dessa forma, aqueles que se interessarem podem deixar uma pequena contribuição para a exposição. Do lado da liberdade, foi possível observar, no dia 17 de abril de 2019, recados sobre o amor, a arte, Deus e também sobre a liberdade de ser quem se é sem sofrer repressão ou preconceito. Do lado da prisão, entre questões sobre ansiedade tão presentes no mundo contemporâneo, pode-se observar críticas aos 80 tiros dados pelo Exército que levaram à morte do músico Evaldo Rosa e do catador de lixo Luciano Macedo.
Janete Costa, que dá nome ao museu, foi uma reconhecida arquiteta brasileira, natural de Garanhus, Pernambuco. Formou-se pela Universidade de Arquitetura do Rio de Janeiro, em 1961. Na época da faculdade, mudou-se para Niterói e participou ativamente no processo de reformulação urbanística da cidade. Contribuiu para a popularização do artesanato nos projetos de arquitetura e design de interiores e para a apresentação da cultura popular ao universo dos grandes colecionadores de arte brasileira.
A exposição teve abertura no dia 03 de abril de 2019, e permanecerá até o dia 04 de agosto de 2019. O museu funciona de terça a domingo, das 10 às 18 horas e fica na Rua Presidente Domiciano, 178, Boa Viagem, Niterói.


MULHERES NO PODER

(reprodução da internet. disponível em:http://abre.ai/SGj)


Até que ponto elas realmente estão no poder? 

Por Giovanna Mendes, Júlia Leite, Mariana Trindade. 
O grupo do sexo feminino, atualmente, apesar de compor 50% da população brasileira, está presente em apenas 10% na Câmara. Nota-se que a representatividade da mulher no plenário ainda é muito pequena, principalmente levando em consideração a quantidade de pautas urgentes que envolvem essa parcela da sociedade brasileira. Questões como o direito da licença à maternidade, os alarmantes dados sobre feminicídio no país, a quantidade de estupros, a desigualdade salarial e o aborto são exemplo de temas que atingem diretamente as mulheres e seus direitos fundamentais. A cientista política Ana Paula Massonetto, afirma em blog do Estadão, que “a autorrepresentação das mulheres na política é fundamental, tanto para que atuem como protagonistas de suas próprias lutas, quanto para, de fato, equilibrar os espaços e as relações de poder” 
Após a criação de cotas nos partidos, que obriga as coligações a terem no mínimo 30% de mulheres participantes, se tornou comum a prática de usar mulheres como “laranjas”, apenas para cumprir o que manda a Lei nº 9.504/1997. Lucia*, 20 anos, concorreu às últimas eleições como deputada estadual sem ao menos saber, tomando conhecimento de sua candidatura tempos depois por meio de outras pessoas — o partido a havia inscrito para o cargo sem consulta prévia. Tal atitude, que se tornou de corriqueira nos partidos, traz consequências graves às mulheres, como multas e até oito anos de inelegibilidade, por não cumprirem as obrigações como candidatas, como a prestação de contas. O que chamou a atenção da mídia para esses casos foi o fato de muitas candidatas encerrarem as eleições com 0,0% dos votos válidos. 
É importante ressaltar que a luta da mulher pelo voto é antiga e marcada pela necessidade de se mostrar capaz de atuar na esfera política/pública, independente do sexo. Prova disso é a trajetória de Nísia Flores, educadora e feminista, que em meados do século XIX já compartilhava a ideia de que mulheres eram submetidas a um ciclo vicioso, onde eram privadas do conhecimento e da participação política, e por isso permaneciam em uma situação de ignorância. Durante o governo Vargas, em 1932, as mulheres brasileiras viveram a maior conquista até então: o direito ao voto. Entretanto, essa prerrogativa era restrita às mulheres casadas, apenas com a autorização de seus maridos, às viúvas e às solteiras com renda própria. 
Hoje, na luta pelo direito de ser votada, cresce o número de mulheres que dá apoio às vozes que gritam pela representatividade, como a youtuber Julia Tolezano do canal “Jout Jout” que recentemente iniciou uma série de vídeos para conscientizar sobre a importância do voto e da discussão política. Vale destacar que a maioria de seu público é feminino, portanto ela aborda a temática feminista frequentemente. Em um dos seus vídeos ela aponta que, apesar do voto feminino ser aprovado há quase 20 anos, a representação política deste grupo ainda é mínima, a ponto de apenas em 2016 o senado ter construído o primeiro banheiro para elas. Antes disso, as senadoras e funcionárias utilizavam um banheiro de um restaurante próximo. “Não é um banheiro que vai mudar toda a situação, mas o fato de não ter um banheiro no plenário é um indicativo de que a Casa não foi preparada para as mulheres. E não foi mesmo” disse a senadora Vanessa Grazziotin ao G1, em 2016. Existem também outras personalidades que atuam nesse movimento, como os canais Afros e Afins, por Nátaly Neri, e o de Débora Baldin, os quais criaram ambientes de debate político sério fazendo uso de uma linguagem acessível e didática 
Prova dessa falta de representatividade é o recém eleito presidente, Jair Bolsonaro, que não trouxe nenhuma proposta concreta para as mulheres em sua campanha. Em relação às negras, a negligência é ainda maior. Em seu plano de governo o eleito diz "Um exemplo de prevenção: Saúde bucal e o bem estar da gestante. Estabelecer nos programas neonatais em todo o país a visita ao dentista pelas gestantes. Onde isso foi implementado, houve significativa redução de prematuros". Não é preciso, porém, muito esforço para perceber que essa é uma proposta sem embasamento científico, onde o candidato afirma que mulheres com menos cáries têm menos chance de terem bebês prematuros, o que não tem sentido. 
Ou seja, é necessário que se fomente esse movimento a fim de conscientizar a população feminina acerca da importância do voto em mulheres que as representem, pois, com mais figuras femininas no Congresso, se tornará menos difícil lutar por mudanças significativas nesse âmbito. “Em termos de eleição, onde a gente tem uma democracia composta por homens, brancos, velhos de classe média, a gente já vai ter no contexto de produção da pergunta, um corte de desigualdade de raça, de classe e de gênero muito forte” disse a pesquisadora e doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Suellen Guariento, em entrevista ao The Intercept Brasil, em 2018.

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