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Estudantes e funcionários vêem o retorno das aulas da UERJ sem condições financeiras de estarem na universidade


Por Maria Clara Pestre e Tatiana de Carvalho



A crise que abala a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) não começou agora. Os primeiros sinais apareceram no final do segundo semestre de 2015, quando os salários dos servidores começaram a ser pagos com atrasos. De lá para cá, o quadro se agravou. Em 2016, os problemas de pagamento levaram a uma greve de professores e técnicos-administrativos que durou, aproximadamente, um semestre. A situação dos terceirizados foi ainda pior, com meses de salários atrasados e demissões em massa. Até agora, a situação das aulas não foi totalmente regularizada: o segundo semestre de 2016 começou no dia 10 de abril deste ano de forma precária.

“SITUAÇÃO DE TORTURA”

Nas primeiras semanas de aulas, os salários dos professores e técnicos-administrativos estavam um mês atrasados e o 13º de 2016 ainda não havia sido pago. Devido a esse quadro, o semestre começou com os técnicos administrativos em greve e com os professores podendo aderir à paralisação a qualquer momento.

O atraso nos salários, iniciado em 2015, continuou em 2016 com pagamentos parcelados. “A gente começou a receber parcelado em duas vezes, dentro do mês, depois em duas vezes, mas já chegando ao outro mês. Depois começou com a história dos vários parcelamentos, em seis, sete, oito vezes.”, explicou a servidora técnico-administrativa, Perciliana Rodrigues, que trabalha na UERJ há 23 anos. Em janeiro de 2017, os servidores receberam o salário de novembro do ano anterior, seguindo assim até abril, quando receberam o pagamento de fevereiro.

Outro problema apontado pela servidora é a falta de calendário de pagamento. “Agora a gente não tem mais dia [de pagamento], a gente nunca sabe quando vai receber e de que forma vai receber. Ou seja, o que o servidor está vivenciando é uma situação de total instabilidade e insegurança. Uma situação de tortura mesmo.”, completou.

O professor e membro da diretoria da Associação de Docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (ASDUERJ), Fábio Iorio, questiona o retorno às aulas quando grande parte dos funcionários não têm condições financeiras para realizar seu trabalho. “A vida das pessoas está precária. Porque se você receber parcelado, paga tudo atrasado. Você não tem previsão de quando entra o dinheiro. Então, tem que ter parente ajudando. Tem gente que não tem essa ajuda. Ou tem um custo maior. Tem gente que mora longe. Só de condução eles gastam uma nota”, diz o professor.



“VOLTA PARA UM GRUPO ESPECÍFICO DE ESTUDANTES”

Os alunos também estão prejudicados com a falta de recursos financeiros da universidade. O sub-reitor de Pós-graduação e Pesquisa da UERJ, Egberto Gaspar, se orgulha do sucesso das ações afirmativas na universidade. Segundo ele, 37% dos alunos da UERJ são cotistas e têm um baixo índice de evasão dos cursos desde a implementação da bolsa permanência na universidade. Entretanto, o auxílio financeiro pago aos estudantes em situação de instabilidade socioeconômica está há dois meses atrasado, em abril.

“A situação não está normal. Nossa universidade volta, mas para um grupo bem específico dos estudantes. Porque no momento em que os cotistas não estão recebendo há dois meses, vocês está excluindo essa galera”, critica o estudante de Ciências Sociais e diretor institucional do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UERJ, Ian Ribeiro

Outra crítica do DCE é a falta do bandejão, que não retornou junto com as aulas. Ian Ribeiro explica como o não funcionamento do restaurante universitário impacta a vida dos bolsistas. “Antes eles pagavam R$ 2 no bandejão. Agora eles vão ter que pagar em torno de R$ 15 por cada refeição na universidade. O custo que era de R$ 4 se torna por volta de R$ 30. Para uma pessoa que recebe R$ 450 ao mês é inviável”, afirma. Segundo Gaspar, a reitoria estava em negociação para o retorno do restaurante universitário no momento em que as aulas voltaram.

Outra consequência da crise é a irregularidade do calendário acadêmico. Para recuperar o tempo perdido, o plano da reitoria é realizar três períodos este ano: o segundo semestre de 2016 e os dois de 2017. O atual período vai durar 75 dias, segundo proposta aprovada em conselho. Ian Ribeiro critica a duração do semestre acadêmico. “De fato não é um semestre, o que precariza ainda mais a educação da universidade”, afirma.

O sub-reitor de Pós-graduação admite o prejuízo pedagógico do curto semestre. “Óbvio que do ponto de vista pedagógico há um certo prejuízo, isso não tem como negar, mas a gente está trabalhando dentro do limite legal, que o Conselho Estadual de Educação permite”, afirma. Gaspar espera que os danos causados aos alunos sejam recompensados nos semestres seguintes. “A gente espera que, passando essa fase, a gente possa recuperar para aqueles alunos que ainda estejam fazendo a graduação aqui. Para aqueles que já estão no final do período, a gente conta com a excelência do curso anterior”.

“TUDO EMERGENCIAL, TUDO PROVISÓRIO”

Desde 2015 com salários atrasados, os funcionários terceirizados de limpeza e manutenção passaram por séries de demissões em massa e viram empresas prestadoras de serviços entrarem e saírem. Sem receber os repasses da universidade, uma das empresas terceirizadas da UERJ demitiu um grande número de funcionários em 2016. “Aqueles que foram mandados embora, alguns com quatro, cinco meses [de salário] atrasado, foram pra rua assim mesmo e estão correndo atrás na justiça”, afirmou a servidora Perciliana Rodrigues, que está lotada na área de Serviço Social do Hospital Universitário Pedro Ernesto.

Para conseguir voltar a funcionar, a universidade fechou um contrato emergencial com outra empresa ainda em 2016, mas também não conseguiu efetuar os pagamentos. Sem serviços de manutenção e limpeza, a UERJ entrou em 2017 sem condição de retornar às aulas.“Ficou nessa história da universidade adiar o retorno das aulas, porque já estava na situação dessa segunda empresa mandando o pessoal embora, não tinha como abrir”, explicou Perciliana.

Por volta do mês de março a reitoria conseguiu renegociar o contrato emergencial com a empresa terceirizada, garantindo o retorno dos serviços e possibilitando a volta das aulas. A servidora critica, entretanto, a forma como as atividades voltaram a funcionar. “A empresa contratou novas pessoas, mas um número bem menor. Na verdade, a gente ainda tá nessa situação, tudo emergencial, tudo provisório.”

Para o professor Fábio Iorio, o número de funcionários terceirizados não é proporcional ao número de pessoas que circula na UERJ. “Tem muito menos gente para limpeza, para manutenção do que tinha antes. E os alunos voltando… Só de aluno na universidade toda são mais de 30 mil. Se misturar isso tudo com professor e técnico fica impraticável”, afirma. Egberto Gaspar, sub-reitor de Pós-graduação, acredita que a quantidade de funcionários que trabalha hoje na universidade é suficiente. “Antes se tinha uma limpeza super eficiente que não deixava nada acumular, e agora você deixa acumular, mas sem riscos para a saúde”.

A adesão à greve não é unânime entre os funcionários da UERJ. Enquanto os servidores técnico-administrativos já começaram 2017 paralisados, os professores defendem o estado de greve. “A categoria docente não está em greve. Parece que eles estão de fato iniciando as aulas, mas no nosso ponto de vista em uma condição totalmente precária”, afirma Perciliana, uma representante dos servidores técnico-administrativos.

Perciliana defende que a greve é essencial para defender o direito dos trabalhadores, mas explica que isso não significa parar completamente de trabalhar. “Greve não é fechar a universidade simplesmente. A gente reorganiza o processo de trabalho. Vão funcionar as essencialidades. Essencialidades não é o que é importante, é o que é perda irrevogável, irreparável”, explica a servidora. Exemplos de serviços essenciais incluem emissão de comprovante de matrícula, de diploma e atendimento integral de pacientes internados no hospital universitário.

Fábio Iori explica que a maioria dentre os professores acredita que a greve vira a opinião pública contra os funcionários. “Eu penso que nós devemos ficar em greve igual aos técnicos, porque nós não podemos aceitar essa precarização, que é muito intensa.  Mas, o outro grupo acha que se nós fizermos a greve, vai ser desgastante e a opinião pública vai ficar contra nós”. O sub-reitor de Pós-graduação defende a volta às aulas. “O fato de estar tendo aulas aqui permite que a gente tenha os estudantes, os professores e os técnicos mais facilmente mobilizáveis, para reagir a alguma medida que o governo queira impor que prejudique a universidade”, afirma.


“A UERJ VALE A PENA”

De 2016 para 2017 a universidade viu o número de vagas disponíveis na primeira reclassificação dobrar em quase todos os cursos. Isso quer dizer que grande parte dos alunos que passaram nas provas da universidade desistiram da vaga. No Direito, curso mais reconhecido da universidade, o número de vagas não preenchidas na primeira chamada saltou de 28 para 105. Para o sub-reitor de Pós-graduação, não há dúvidas de que o aumento esteja relacionado à situação da universidade. “Muitos dos alunos que tinham como primeira opção a UERJ passaram a ter como primeira opção a UFRJ, a UFF e às vezes até universidades pagas, como a PUC. Foi um prejuízo muito sério para a imagem da universidade”.

Apesar das dificuldades, o DCE defende a qualidade da universidade por meio da campanha “A UERJ vale a pena” e frisa a importância do apoio dos alunos para sair dessa situação.“A UERJ continua valendo a pena. Ela é uma universidade de qualidade, porque quem faz a qualidade é a comunidade e a gente resiste”, afirma Ian Ribeiro. “Estamos passando por esse problema que não é culpa nossa, mas do governo que não tem a educação como prioridade. Para sair da crise nós temos que sair dela juntos. Se os alunos não entram, dificulta ainda mais a situação da universidade”, acrescenta. 

Enegrecendo o cinema brasileiro

Jovens não se identificam com a falta de representatividade e projetos independentes surgem na contramão do discurso hegemônico 



Por Marry Lima Ferreira





A pesquisa “A cara do cinema nacional: perfil de gênero e cor dos atores, diretores e roteiristas dos filmes brasileiros (2002-2012)”, divulgada em 2014 pelo GEMMA - Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), mostra que o Brasil das telas é um país predominantemente branco. Apesar de serem mais de metade da população (53,6%), os pretos e pardos representaram apenas 20% dos atores e atrizes que atuaram em papéis de destaque nos filmes brasileiros de maior bilheteria entre 2002 e 2012. Quando inserida na pesquisa a questão de gênero a representação é ainda mais distorcida, já que as negras apareceram em menos de dois a cada dez longas metragens e ocupam apenas 4,4% dos papéis no elenco principal de filmes nacionais. Nesse período, nenhum dos mais de 218 filmes nacionais de maior bilheteria teve uma mulher negra na direção ou como roteirista. O Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp), um dos mais renomados centros de estudos de ciência política na América Latina, foi o responsável pela pesquisa e comparou 939 atores, 412 roteiristas e 226 diretores de filmes, excluindo documentários e filmes infantis. 

Quem me representa?

Constantemente, personagens propagados pela telenovela e o cinema se transformam em referência para o espectador. Roupas, acessórios, expressões e comportamentos ultrapassam a tela e viralizam, inclusive, nas redes sociais.  Lucas Linhares, 19, estudante de Publicidade na Universidade Federal Fluminense, sempre foi um consumidor da TV e do cinema e nunca se viu representado. O jovem acredita que a principal colaboração dessas mídias para a construção de sua identidade seu deu através do apagamento e da construção de um modelo de personagem ideal que não correspondiam à sua realidade de jovem pobre e negro. “Por não ter nessas mídias um espaço onde as minhas realidades se encontravam, eu fui construindo toda uma identidade no consumo de realidades brancas”. Para o futuro publicitário, que passou por um longo processo de auto-aceitação, os profissionais de comunicação precisam romper com esse silenciamento e com os estereótipos, considerando que seu discurso possui uma força no local em que está inserido. “No caso da Publicidade, tem uma questão muito importante que é devolver simbolicamente um espaço de direito que foi tomado através das produções. É fundamental que, de outro lado, além de fiscalizar essas contrapartidas, as minorias étnicas se fortaleçam e trabalhem juntas reivindicando o próprio espaço para compartilhar histórias de afeto, de identidade, de união, de poder, de ancestralidade, de orgulho e de esperança. Só isso vai permitir que toda uma parcela da sociedade conheça histórias que nunca antes puderam ser assistidas, histórias roubadas e apagadas, histórias onde pela primeira vez elas se reconheçam”, afirma.

O Capítulo VI do Estatuto da Igualdade Racial, afirma em seu artigo 43 que a produção veiculada pelos órgãos de comunicação deve valorizar a herança cultural e a participação da população negra na história do país, mas não é o que acontece na prática. Todo esse processo de não-representação também influenciou a forma como Taynara Cabral, 20, via a si mesma como negra. A estudante de Comunicação Social da UFF já desejou e realizou algumas modificações em sua aparência para se assemelhar com as referências de estética perfeita e desejada divulgadas pela mídia. “A TV e o cinema, ainda como plataformas de entretenimento, me influenciaram diretamente em questões comportamentais. Os modelos pré definidos por esses meios, principalmente os mais hegemônicos, ainda que sutilmente, de certa forma moldaram minhas percepções a respeito do que eu deveria fazer e como deveria ser para estar inserida naquele padrão”.

Na contramão da hegemonia

 Difundir a necessidade de igualdade de raça e gênero é algo que precisa ser discutido amplamente e não podemos deixar de incluir a vital importância da mídia como formadora de opiniões e também meio de informação. Criada em 2016 pela cineasta Yasmin Thainá, 24, e como forma de romper a narrativa estereotipada sobre população negra, a AFROLIX é uma plataforma colaborativa que disponibiliza conteúdos audiovisuais online com, pelo menos, uma área de atuação técnica/artística assinada por uma pessoa negra. As opções de exibição no site trazem produções originais, filmes, documentários, curtas, cinema experimental, ficção científica, programas de TV, séries, clipes e vlogs – atuais e antigos. Apesar do nome, o site tem muitas diferenças em relação ao Netflix. A plataforma não cobra taxas de mensalidade para os usuários, é aberta e gratuita para todos e qualquer pessoa pode indicar conteúdos que gostaria de assistir. Além disso, a AFROFLIX não disponibiliza vídeos via streaming, mas reúne o conteúdo deixando a hospedagem com os produtores, redirecionando o acesso e gerando views para aos artistas e cineastas.

Na contramão das ideias propagadas pela mídia hegemônica, o  Fórum Itinerante do Cinema Negro (FICINE)​, atua como um espaço de formação e reflexão sobre a produção mundial de cinema, fotografia e audiovisual que tem os/as negros/as como realizadores/as e as culturas e as experiências negras como tema principal. Composto por historiadores, antropólogos e cineastas interessados na compreensão e debate fílmicos, o FICINE tem por objetivo construir uma rede internacional de discussões, projetos e trocas que tenham como ponto de partida e ênfase a reflexão sobre os Cinemas Negros na diáspora e no continente africano. Janaína Oliveira, pesquisadora, doutora em História pela PUC-Rio e professora desta disciplina no Instituto Federal do Rio de Janeiro – Campus São Gonçalo, coordena o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígena (NEABI) e é idealizadora e coordenadora do FICINE. Para ela, a ausência do negro no audiovisual brasileiro, assim como a imagem negativa que é construída ao redor dele, causa um impacto negativo no processo de afirmação identitária. “Esse discurso, que favorece a cultura branca hegemônica, não é um modo que favorece a identidade negra. Até muito recentemente, para a maior parte da população era ruim ser negro. Hoje, com as redes sociais e o novo acesso ao audiovisual, vemos gradualmente uma transformação. O processo ainda é longo e precisa-se não só descolonizar as telas, como o olhar”.

O estudante Lucas Linhares foi um dos que sentiu a influência das redes sociais no processo de valorização da sua identidade negra. “Foi sobretudo na Internet que toda aquele período de apagamento da minha identidade foi ganhando significado e eu fui me encontrando. Só depois disso é que eu fui tendo contato com uma ou outra entrevista em TV aberta com atores, ativistas e figuras públicas negras sobre esses assuntos que nos envolvem. O primeiro filme que assisti que retomou exatamente o processo de descoberta dessa minha identidade e que me fez sentir plenamente encontrado no cinema brasileiro foi o curta Pele Suja Minha Carne, , assim como Moonlight - mas ambos são do ano passado e independentes, entende? Essa outra fase é muito recente, algo posterior”, conta.

O fortalecimento de outras vozes

 Janaína Oliveira ressalta que o cinema independente é fundamental para se inserir nos espaços quebrando estereótipos e indo contra as representações hegemônicas da imagem. No entanto, a maior dificuldade dessas produções é o investimento para produção e distribuição, visto que a maior parte do cinema brasileiro é feito através de um número pequeno de editais. “Nós percebemos que nos últimos 14 anos houve uma transformação no acesso à universidade pública e isso contribui para a formação de jovens que assumem de algum modo a produção de curtas metragens no cinema negro. Os pontos de cultura e cursos livres fora dos grandes centros e da Zona Sul, também funcionam e se tornam lugares de oportunidades para pessoas sem condições financeiras para um acesso mais técnico”.

Contribuindo com o crescimento do cinema independente, a Nave do Conhecimento oferece diversos cursos, entre eles, cursos de capacitação de montagem, fotografia, direção e roteiro de cinema gratuitamente. O projeto, que é uma iniciativa da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e está sob a administração da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação, visa a democratização do acesso à informação e ao conhecimento de novas formas de aprendizagem em ambientes colaborativos e criativos, promovendo a mediação da informação qualificada e o desenvolvimento de competências necessárias a todos na sociedade do terceiro milênio. Localizado em nove regiões das zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro, o conteúdo programático dos cursos, na atual gestão municipal, inclui atividades de formação que estimulem e promovam o empreendedorismo e a economia criativa.

O projeto de introdução ao cinema surgiu de um edital do Conselho Britânico para intercâmbio de experiências entre instituições do Brasil e do Reino Unido. Segundo Charles Siqueira, coordenador da Nave de Triagem, essa oportunidade foi percebida pelo Instituto Pólen e Creative Wick, que desenvolveram juntos com a Nave do Conhecimento um projeto que criasse oportunidades de trabalho e geração de renda para o desenvolvimento criativo de jovens de periferias do Rio, gerando impactos positivos na vida de cada um, nos coletivos de produção audiovisual que integram e, consequentemente, em suas regiões. As últimas três turmas abertas (150 vagas) receberam mais de 2088 inscrições de jovens de toda a cidade. Os cursos são voltados para pessoas com menores condições de acesso e renda, tendo a possibilidade de fornecer subsídios de passagens e alimentação aos alunos. Ao final do curso, ainda este ano, seis filmes, dos quinze realizados, serão selecionados para apresentação em Londres, onde irão representantes das produções. Todos os estudantes também podem retornar à Nave de Triagem para aproveitar os equipamentos em suas futuras produções, nos coletivos que integram e para consultar a rede de profissionais disponíveis. Para Charles Siqueira, “buscar essa variedade de contextos é o que possibilitará avanços políticos, garantindo a visibilidade e discussão de realidades”.

Na contramão da não-representação no discurso hegemônico, as produções independentes e os cursos livres abrem as portas do mercado audiovisual para jovens de todas as idades, classes e raças. Através destas ações é possível diversificar os discursos, dando voz e autonomia para que histórias sejam contadas e identificações sejam geradas.


A luta contra o tabu: como vivem as pessoas com depressão e ansiedade?


Por Jéssica Simões

Um relatório global lançado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2017, apontou um aumento de 18% nos casos de depressão entre 2005 e 2015. 322 milhões de pessoas no mundo sofrem com a doença, que atinge principalmente as mulheres. No Brasil, estima-se que 5,8 % da população, o equivalente a 11,5 milhões de pessoas, enfrentam a depressão, enquanto outras 18,6 milhões, que correspondem a 9,3% da população, lidam com os distúrbios relacionados à ansiedade.

Fraqueza, frescura e falta de Deus. Essas são apenas algumas das características que as pessoas com depressão ou ansiedade escutam quando externalizam os sintomas. 
O preconceito dificulta ainda mais a vida de quem convive com alguma dessas doenças. Além disso, é comum que as pessoas se perguntem como tudo começou.

Carolina Medeiros, de 23 anos, enfrenta a ansiedade e a depressão desde a adolescência. Ela conta que sempre foi muito introvertida e sentia dificuldade para fazer novos amigos. Durante a infância, Carolina foi abandonada pela mãe, aos 4 anos de idade.

“Meu pai não entendia as necessidades de uma menina. Ele me criava de acordo com o que minha irmã dizia para ele. Também fui sendo criada pelas namoradas do meu pai, mas nenhum de seus relacionamentos durava muito tempo. Eu não tinha um referencial”, explica Carolina.

Aos 13 anos Carolina já tinha problemas para dormir. Começou a fazer diversas atividades extracurriculares e mesmo assim o problema persistia. Aos 16 anos, começou a sentir os sintomas da ansiedade, mas a princípio achou que se tratava de problemas cardíacos.
Dois anos depois, Carolina passou no vestibular para o curso de Engenharia Civil na Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas novamente a doença interferiu em sua vida.

“Depois da universidade. minhas crises começaram a ficar mais frequentes e graves, então eu acabei desistindo e tranquei a matricula. Eu também não coseguia ficar em nenhum emprego, começava um trabalho e com 15 dias já me desanimava”, confidencia.

O tabu também colaborou para que o estado de Carolina se agravasse. A irmã não acreditava que ela sofresse mesmo da doença e a convivência se tornou cada vez mais difícil. O namorado de Carolina na época também não lidava bem com as situações de crise, o que acarretou no fim do relacionamento.

“Fui lidando com o meu problema sozinha. Em alguns dias não comia, em outros tinha dificuldade para tomar banho”, relata.

Como lidar com a doença ainda causa divergência de opinião entre a família. O pai de Carolina ainda acredita que é só um momento e que vai passar. A mãe, que voltou a fazer contato há pouco tempo, quer que ela continue a medicação. Já o novo namorado de Carolina, com quem ela mora atualmente, prefere que ela lide com a doença de forma natural, sem remédios.

Em relação ao futuro, Carolina se diz cautelosa.

 “Ainda não estou trabalhando, mas comecei a fazer uma nova faculdade. A depressão é assim, você tem momentos de bem-estar, mas precisa monitorar a doença por toda a vida.”

O fato da depressão ainda ser tratada como tabu, fez com que Diego D., de 34 anos, se isolasse. Após o fim de seu casamento, Diego foi diagnosticado com a doença.  O médico decidiu entrar com a medicação, mas não surtiu nenhum efeito.  Diego, que já enfrenta o problema há um ano e meio, conta que seus amigos se afastaram e por morar no exterior, prefere esconder da família seu diagnóstico.

“O preconceito existe, é real. No começo eu tentei explicar para as pessoas próximas que estava com depressão, mas tudo o que eu ouvia era que iria passar, que era só procurar uma igreja, arrumar uma namorada. As pessoas também diziam que a vida segue e não adiantava ficar chorando pelos cantos.”

Diego, que é autônomo, conta que tem dificuldade de concentração no trabalho, por isso em determinados dias encerra seu expediente mais cedo. Além disso, ele conta que não consegue ter uma vida social tranquila, tampouco fazer novos amigos.

“Meu sonho é ter uma vida normal, sair dessa doença. Queria fazer novos amigos, porque hoje em dia eu não confio em mais ninguém. Ter a felicidade novamente”, desabafa.


Existem tratamentos eficazes para cada caso, como ativação comportamental, terapia cognitivo-comportamental, psicoterapiainterpessoal ou uso de medicamentos antidepressivos, mas de acordo com a OMS apenas metade dos afetados pela depressão ou ansiedade no mundo recebem o tratamento adequado. Isso acontece devido à falta de profissionais capacitados, além do próprio estigma social que circundam as doenças mentais.

A Universidade Federal Fluminense, através do Serviço de Psicologia Aplicada (SPA), oferece atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito à comunidade.

Nocauteando sonhos

Quatro jovens das categorias galo e pena, descrevem as dificuldades de se tornarem lutadores profissional de MMA no Brasil.

Por Julianna Prado

Rotinas semelhantes, dificuldades diferentes, mas um mesmo desejo: se tornar campeão mundial. Esse sonho resume a vida de quatro brasileiros que já se imaginam conquistando o cinturão de luta-livre mais almejado do mundo, o The Ultimate Fighter Champioship (UFC). Para isso, esforço, dedicação, treinos intensos e alimentação balanceada não faltam no dia-a-dia dos atletas.

Com 28 anos, 1m81 e 68 quilos, a personal traineer Juliana Velasquez se desdobra no cotidiano entre trabalho e treinos durante seis dias da semana. Moradora da Zona Oeste do Rio de Janeiro, a ex-judoca conheceu as lutas marciais ainda pequena, através do pai, que era professor de judô. A vontade de lutar Artes Marciais Mistas (MMA) vem desde essa época. No entanto, Juliana diz ter sido desestimulada pelo próprio treinador com alegação que não havia público para competições femininas neste ramo.

“Com isso, o treinador me desanimou completamente. Até que eu vi a ex-judoca Ronda Rousey entrando no MMA e conquistando o primeiro cinturão do peso galo feminino no Strikeforce e no UFC (eventos de competições internacionais). Então, eu pensei:  ‘Se ela pode, eu também posso!’ Em seguida a brasileira Cris Cyborg começou a lutar e eu fiquei alucinada. Quando eu a vi conquistando o cinturão e a Ronda, que também veio do judô, conseguindo êxito, me deu mais garra”, conta a atleta, que desde 2012 vem lutando na categoria peso galo – até 61kg.

Jonas “Speed” Bilharinho é conhecido pela velocidade em aplicar golpes dentro do octagon. Com oito anos de dedicação exclusiva ao MMA, o carioca garante ter começado a carreira fazendo história no evento brasileiro de luta Jungle Fight, do qual é campeão em duas categorias diferentes ao mesmo tempo. A vitória do segundo cinturão na categoria peso galo abriu novas portas: assinou contrato com um novo empresário e agora espera convite do UFC, seu grande sonho dentro da carreira profissional.
Mas para chegar aqui não foi tão simples. Aos 20 anos, Speed informou à família que iria abandonar a faculdade de estatística na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) para se dedicar apenas ao MMA. Embora a mãe tenha lhe apresentado o atual centro de treinamento, os pais não incentivaram essa escolha.

“Foi preciso coragem para apostar no que eu realmente queria. Tem gente que não entende que eu não vou ter um diploma. Não é todo mundo que precisa de um para ter uma carreira. Eu sou um profissional liberal contratado, e tenho que ter a esperteza para ganhar meu dinheiro”, diz Bilharinho, hoje com 25 anos.

Jonas não nega ter vontade de ir morar em outro país, como fizeram alguns dos grandes lutadores brasileiros, a exemplo de Anderson Silva e Victor Belfort. Segundo ele, o Ministério dos Esportes e os governos municipal, estadual e federal não apoiam nem oferecem incentivos para quem está começando a carreira, como ocorre nos Estados Unidos e no Canadá.

“Infelizmente temos uma grande desvantagem em relação aos atletas de outros países nas questões de investimento, material e patrocínio. Enquanto o governo não começar a dar incentivo, sempre haverá essa desvantagem. Ainda assim, nós brasileiros conseguimos nos manter no topo. Imagina se houvesse apoio público?”, questiona Speed, que pretende ter seu próprio negócio como renda de aposentadoria.

Não é só Jonas que sente falta do apoio do governo brasileiro. O cearense Lucas Melo, o Cangaceiro, e o mineiro Nikolas Motta, o Queijinho, também lutadores, estão certos de que essa falta de investimento poderia ter modificado completamente suas trajetórias. Ambos tiveram que deixar para trás suas respectivas famílias, encontrar uma academia de luta que os acolhesse e, hoje em dia, moram em favelas no Rio.

Logo que terminou o Ensino Médio, Queijinho veio para o Rio e foi morar no interior de uma igreja no Centro, junto com um amigo. Após seis meses, conseguiu um apartamento para dividir com outros lutadores e, por fim, uma casa na favela Morro Azul, no Flamengo, bem próxima à academia onde treina.

Competidor na categoria peso pena, até 66kg, o atleta começou treinando jiu-jitsu, mas prefere lutar em pé, usando as habilidades do muay-thai, e não esconde que a estratégia preferida de golpe utilizada contra o adversário é o “cruzado” que vem do boxe. Das seis lutas em que competiu, o mineiro de 22 anos venceu cinco por nocaute e teve uma derrota.

“Como o nome já diz que é a mistura das artes marciais, tudo pode acontecer. É imprevisível e a luta pode mudar em qualquer momento. Por isso existe a importância em estar preparado para tudo e essa é a importância de saber várias modalidades de luta”, explica.

Como se dedica exclusivamente à luta e não tem patrocínio, Queijinho ainda recebe apoio financeiro dos pais desde o início da carreira. Em 2015, o atleta foi convidado para participar do TUF, reality show organizado pelo UFC, cujo intuito é descobrir novos talentos no mundo da luta.

“Com apenas três anos de profissão, eu consegui entrar no TUF, mas acabei perdendo. A experiência foi maravilhosa, mas a pressão psicológica foi a pior coisa. Agora eu já sei onde errei. Espero que o UFC me dê uma oportunidade de lutar e estar entre os melhores do mundo, já que todos conhecem o meu trabalho. Acho difícil não me darem oportunidade, mas caso não me chamem, são eles que estão perdendo. Eu não faço luta chata. Eu faço luta pra ganhar”, contou o jovem.

Vindo de Cariré, a 267 km de distância de Fortaleza, Ceará, Lucas Melo, 24 anos, vulgo Cangaceiro, foi mais um dos jovens que largou tudo, há quatro anos, em busca do grande sonho de ser lutador profissional de MMA. O esforço físico dividido entre trabalho e treino chega a esgotar, ainda mais quando está em fase de competição, como conta.

“A minha rotina já é uma correria, geralmente. Trabalho e treino praticamente todos os dias. O pior momento é quando estou em preparação para luta. Tenho que fazer dieta e ter uma alimentação bem limitada para perder peso. Treino pesado e ainda trabalho no restaurante.  Mas, para mim, o mais sacrificante é a distância da família”, desabafa o lutador.

No Ceará, Cangaceiro lutava apenas capoeira. Foi no Rio de Janeiro que aprendeu outras modalidades de artes marciais. Com 12 vitórias e quatro derrotas, ele se considera um vencedor e já imagina como será sua entrada triunfal pelos tapetes do UFC.

“Já me visualizei entrando no octagon, a galera gritando e eu conquistando o cinturão. Vou tentar mais um pouco, mas se não der certo volto para o Ceará. Acredito muito em mim e acho que vai dar certo. Nós, lutadores, não temos muita oportunidade. Então, no momento, o que mais preciso é de um patrocinador para que eu possa focar apenas na luta”, conta Lucas, que durante três meses recebeu uma ajuda de custo de mil reais da prefeitura de Cariré.

Psicologia da UFF a serviço da comunidade

Por Andressa Amendola

O Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) da UFF oferece atendimento psicológico e psiquiátrico à comunidade


Divulgação: site do Serviço de Psicologia Aplicada - SPA 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 23 milhões de brasileiros necessitam de acompanhamento na área da saúde metal, por diversos distúrbios. Mas 80% dessas pessoas não recebem nenhum tipo de ajuda profissional.   
A Universidade Federal Fluminense (UFF) oferece atendimento psicológico e psiquiátrico aberto à comunidade, através do Sistema de Psicologia Aplicada (SPA)A ideia é que qualquer pessoa que precise de ajuda possa ser atendida na UFF. O projeto funciona como o estágio obrigatório para os alunos do curso de graduação em Psicologia, que colocam em prática os conhecimentos aprendidos em sala de aula, supervisionados pelos professores. E também beneficia as pessoas que são atendidas diariamente pelo serviço. As consultas acontecem no campus do Gragoatá, bolo N, e no Hospital Antônio Pedro (HUAP), localizados em Niterói.  
O SPA existe desde 1977 e recebe mais de vinte novos pacientes por mês. Toda a quarta-feira,  às 8 horas é feita uma triagem para atendimento dos casos, que serão direcionados para os profissionais adequados. Os alunos podem optar por cobrar ou não pelo serviço. Segundo a coordenadora Renata Monteiro, a linha da psicanálise considera a cobrança uma parte importante do tratamento. "Um psicólogo, um psicanalista no consultório podem não concordar com o valor que um paciente sugira pagar pelo tratamento e não realizar o atendimento. Isso não acontece aqui no SPA. Por isso, a gente tem pessoas que pagam 1 real por sessão, por atendimento e pessoas que pagam 50 reais. Isso é visto pela equipe que trabalha com a questão do pagamento caso a caso, mas de maneira alguma inviabiliza a chegada ou a permanência do paciente  no tratamento". 
paciente Juliana Bittencorut ficou muito satisfeita com o tratamento que recebeu. "Eu fui atendida no Antônio Pedro (HUAP), o meu caso era grave, na época,   e eu tive apoio psicológico e psiquiátrico. Foi melhor do que muitos outros que eu já tinha feiro e tinha pagado caro. Lá, foi de graça". Ela indica o serviço para todos que conhece. "A minha experiência foi realmente muito boa, foi em um momento que eu não estava podendo pagar e minha mãe começou a ficar bem preocupada. Eu fui bem atendida por toda equipe". 
Além disso, os estudantes também ganham com o projeto, afinal, a prática acaba sendo uma parte fundamental da graduação, uma vez que é quando os alunos adquirem experiência profissional. "Eu acho muito importante a gente viver na prática o que escuta na aula. Eu gosto muito dessa experiência clínica mais pura, assim, no consultório", contou a aluna de psicologia Giulia Latge, que faz parte da equipe do SPA.

Para saber mais informações sobre o SPA, acesse o site

Projeto da UFF celebra 21 anos levando reportagens de alunos para emissoras de rádio

Por Maria Clara Pestre

Um parabéns inusitado preencheu os corredores do Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS)  no mês de junho. Com direito a bolo e vela, o projeto de extensão Universidade no Ar comemorou seus 21 anos em um evento que reuniu alunos e professores de diversas gerações do instituto.

Criado em 1996, o Universidade no Ar é um projeto que surgiu na faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) para veicular programas radiofônicos produzidos por alunos em emissoras de rádio fora da universidade -- primeiro na rádio MEC e atualmente na rádio CBN. 

“1, 2, 3, pode entrar no ar”, disse Ana Baum, professora coordenadora do projeto, dando início a roda de conversas do dia 21 de junho,  que reconstituiu a história do Universidade no Ar através de depoimentos de quem acompanhou sua trajetória e de transmissões de trechos do programa.

Com muitos prêmios nas costas e cerca de 500 programas produzidos, o Universidade no Ar passou por muito antes de chegar até aqui. No início, a equipe do projeto tinha que gravar as reportagens no estúdio da rádio MEC,  já que a UFF não contava com a infraestrutura necessária, contou Ana Baum.

“Quem está sentado nessa roda hoje, não sabe como foi a briga para ter o nosso estúdio”, disse a professora. 
Professora Ana Baum, coordenadora do projeto

O obstáculo, entretanto, se transformou em uma oportunidade de aprendizado. A experiência de gravar em um estúdio com profissionais e equipamentos do mercado de trabalho virou um grande atrativo para os alunos. André Coelho, ex-aluno do projeto destacou a importância de vivenciar a “pressão de fazer algo que seria transmitido na prática”.

Para Ana Baum, o projeto permite que os alunos se acostumem com os critérios do jornalismo feito fora da universidade. “Uma coisa é o aluno fazer algo que só a professora vai ouvir. No projeto ele sente a responsabilidade profissional, ética e social do jornalismo”, afirmou a professora.

O projeto caiu tanto no gosto dos estudantes, que eles começaram a levar o trabalho para casa. José Cláudio Castanheira, ex-operador de áudio do programa, relembrou como os alunos costumavam terminar de editar as matérias na casa dele aos sábados para garantir que tudo sairia perfeito.

Até hoje o projeto é sucesso entre os alunos. A estudante Marcella Ramos, que participou do projeto em 2016, conta que o interesse em participar do projeto é tanto, que ultrapassa a capacidade física da universidade. ”A gente tinha que fazer um rodízio para ir às aulas porque não cabiam todos os alunos no estúdio”, lembra.

Dos mais de 1200 alunos que participaram do Universidade no Ar, muitos continuaram trabalhando na área. “Foi esse programa que me fez ser jornalista e trabalhar com rádio”, disse José Ferrão, que atualmente é professor de comunicação na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Evento comemora aniversário do projeto Universidade no Ar 

Antônio Serra, ex-diretor do IACS, destacou a dificuldade de se manter um projeto ativo por tanto tempo. “Manter uma continuidade em uma universidade onde a cada seis meses entram cabeças novas é uma arte”, afirmou.

De fitas cassetes a CDs, os 21 anos do Universidade no Ar foram de grandes mudanças. Em 2002, o projeto deixou de ser transmitido na rádio MEC e iniciou uma parceria que dura até hoje com a rádio CBN. Os programas vão ao ar todo primeiro sábado do mês às 11h30.

Os temas das reportagens são variados, indo dos 25 anos do movimento Diretas Já, passando por uma matéria com o prêmio Nobel de Literatura José Saramago, até entrevistas com catadores de lixo. A ideia é que o aluno “seja crítico, criativo, e que traga outras vozes”, afirmou Ana Baum.

  A professora destaca também a importância de experimentar com a linguagem radiofônica e estimula o uso de elementos musicais nos programas jornalísticos. Segundo Marcelo Santos, atual operador de áudio do Universidade do Ar, são utilizadas músicas com letras “que agregam informação e valor aos programas”.

Atualmente, a parceria iniciada pela UFF com a CBN foi reproduzida em várias faculdades públicas e particulares do Rio de Janeiro e São Paulo, como a UERJ, UFRJ e PUC.

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