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Ódio Gratuito no UFF Niterói

Por: Mariana Trindade  Nos últimos tempos a internet tem sido palco de discurso de ódio de maneira gratuita, e no grupo do faceboo...

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Ódio Gratuito no UFF Niterói

Por: Mariana Trindade

 Nos últimos tempos a internet tem sido palco de discurso de ódio de maneira gratuita, e no grupo do facebook “UFF Niterói” não está sendo diferente. O grupo já testemunhou episódios de mau gosto, como publicações e comentários que ferem os direitos humanos, contendo discurso de ódio e intolerâncias: Religiosa, Lesbofobia, homofobia, bifobia, transfobia, misoginia, racista e xenofóbica. Apesar dos moderadores lutarem contra isso, por vezes acabam saindo do controle.
 Há diversos exemplos de pessoas que nem mesmo tem vínculo com a universidade mas entram no grupo para irradiar ódio e realizar propagandas políticas; como o estudante de engenharia de uma outra universidade do Rio que fez comentários com apologia ao nazismo. E o caso da estudante da UFF que foi atacada por comentários lesbofóbicos por um homem que também não estuda na instituição.

Apesar desses casos isolados os moderadores sempre buscam repelir do grupo esses tipos de situações e regularmente fazem posts abertos para denúncia. Em entrevista Lizandra Machado, estudante de jornalismo da UFF e uma das administradoras do grupo, alegou que: "Nós da moderação tentamos dialogar, rever o que foi feito no grupo. Mas há situações como de lesbofobia, machismo, bem como outras de racismo e discurso de ódio que devemos retirar do grupo. Até porque esse é o mínimo que podemos fazer.". Ela também conta que o real intuito de grupo é formar uma rede de ajuda: ”O grupo cresceu de forma surpreendente desde que foi criado, em fevereiro de 2017. O UFF Niterói se tornou importante porque é um espaço que reúne não só estudantes, mas a comunidade acadêmica como um todo. Então, se tornou um canal de dúvidas, troca de informações, ajuda, bem como questionamentos, debates….” A maior parte dos alunos aproveita o para divulgar eventos, venda de livros e alimentos e buscar por itens perdidos.


Aliás, o “Dia de Agostinho Carrara na UFF” é um exemplo da popularidade positiva. O evento que ocorreu no dia 13 de setembro de 2017, com intuito de homenagear o personagem do seriado "A Grande Família" não passava de uma grande brincadeira até ser divulgado no grupo "UFF Niterói"; Assim, de fato diversos alunos foram a caráter e não deixaram de registrar e divulgar no grupo, fora isso, o evento foi reproduzido em outras universidades.
 Dentre essas e outras razões o grupo se mantém ativo, Lizandra acredita que “a importância do grupo se centra nessa ideia de ser um espaço de escuta e formar realmente uma rede”. A aluna destaca também que o humor do grupo e a identificação entre os ocorridos é o tema corriqueiro por vezes proporcionado de forma crítica, caracterizando lutas importantes: “Quando os membros publicam seus próprios memes, textos cômicos e debochados sobre a UFF, chama-se a atenção para os problemas e reivindicações. Muitas publicação falam sobre fila, consumo consciente no bandejão, uso do busuff, fraude nas cotas, machismo, racismo, LGBTfobia, entre outros. E percebo que há muitas pessoas que trabalham na UFF acompanhando a repercussão. Além disso, quando viraliza uma imagem de estudantes cansados pelo fim do período, por exemplo, há uma identificação. Isso tudo demonstra que não estamos sozinhos e compartilhamos, apesar de graus diferentes, dilemas e problemas“



Porta de entrada para universidades

Pré-vestibular social da UFF auxilia estudantes a melhorarem sua formação para o ensino superior
Por Thalita Queiroz Nascimento




Com o apoio do PROEX - Pró-Reitoria de Extensão, o pré vestibular social da UFF oferece aulas presenciais em diferentes Campus da universidade, localizado em Niterói e em outros campi da UFF. As inscrições para novas turmas aos sábados e dias de semana são abertas no começo de dezembro. Através do site oficial da UFF e das redes sociais você pode se informar sobre as datas para realizar sua inscrição presencial e o processo se vale através da realização de um valor mensal a ser pago de R$ 45,00.
O pré vestibular dispõe de cerca de 955 vagas para o Campus de Niterói e outras 550 vagas para os Campus de Rio das Ostras, Nova Friburgo, Josué de Castro (Campus dos Goytacazes). Essa oportunidade é voltado para estudantes do ensino público ou para aqueles que possuem certa vulnerabilidade socioeconômica e que vivem a expectativa do vestibular e seus desafios para ingressar em uma faculdade.
Alunos que já passaram pelo pré vestibular social relembram suas experiências de passar por essa etapa, por vezes estressante, na vida do vestibulando. A estudante Laís Ferreira, de 21 anos, fez o pré social da UFF aos 16 anos e em meio a tantos desafios diz que o ambiente era saudável para tamanha pressão: “Era bem descontraído, os professores são jovens e isso facilitava a compreensão do que era explicado devido à compatibilidade das linguagens” recorda, a jovem, que hoje cursa Biomedicina na própria instituição.
Mesmo assim, os estudos devem ser intensificados fora de sala de aula "Sempre foi necessário estudar em casa, pois o pré era muito massante  e às vezes não dava para focar em tudo”, diz João Henrique, de 21 anos, hoje cursando Letras na UFF e que também fez o pré social da universidade.
Os alunos entrevistados e que já passaram pelo projeto relembram a forma como o conteúdo era passado, de uma forma que todos os estudantes, independente da qualidade do ensino escolar que tiveram antes pudessem acompanhar.
O professor Denilson Júnior lembra de algumas de suas experiências ao trabalhar no pré vestibular e do contato que adquiriu com todos os tipos de jovens estudantes que almejam passar para a faculdade. Sobre o seu maior desafio ao dar aulas, o professor foi direto: “É conseguir que os alunos aprendam a matéria. Tem alunos com dificuldades e tem outros que são bem desenvolvidos., então tenho que conseguir elevar o padrão de ensino”.
Denilson dá aulas de Matemática desde 2012 e há seis anos tomou para si o desafio de fazer com que estudantes ingressem em um Ensino Superior. “A gente pega muito aluno com um ensino fraco e ao mesmo tempo tem alunos de colégios particulares que têm um bom desenvolvimento e um bom ensino” completa o professor.
O ambiente criado pelos professores e alunos se tornou o diferencial e é o que mais chama a atenção daqueles que indicam o pré-vestibular. Aulas, dentro de salas, que por muitas vezes podem se tornar monótonas para estudantes adolescentes, se transformam em um grande ambiente amigável. A relação humanizada entre professor e aluno é um ponto positivo para eles.
Denilson conclui como ele procura direcionar sua forma de ensino: “Minhas aulas são expositivas, tento relacionar a matéria com o cotidiano, pois sempre nos fazemos a pergunta: 'para que serve isso?' 'Onde vejo isso no meu dia?'”. O professor ainda acrescenta que manter uma relação boa é um caminho para conseguir motivar e escutar esses jovens.
A professora Thayná Gomes, ensina Matemática para diversas turmas do pré-social há dois anos. Ela afirma que a diversão em sala de aula é o ponto chave para um bom aprendizado diante da realidade desses alunos. Porém a professora relata que há algumas melhorias que precisam ser feitas. A falta de material, infelizmente, se torna uma realidade no projeto. “Acabamos tirando do nosso próprio bolso para poder dar uma melhor aula”. Casos como esse relatado pela professora se tornam uma falha no projeto e que precisam de uma atenção maior dos responsáveis pelo pré vestibular da UFF. Entretanto, o objetivo de muitos desses alunos que depositam suas expectativas no pré são correspondidas com sucesso.
A estudante de Biomedicina, Laís opina: “Vejo que foi necessário, especialmente o tempo que passava assistindo aulas. Foi como que um “treino” para o que estava por vir”. O estudante João Henrique também compartilha da mesma visão e vai além: “Senti-me imediatamente grato ao trabalho do pré-vestibular da UFF e fiquei feliz pelo resultado e por ser mais um dos que passou para a universidade pública tendo seguido um pré-vestibular social”, completa.

Neste site você encontra informações completas sobre as vagas oferecidas por ano.
  

Segurança das mulheres na UFF

Por Beatriz Lisbôa.

O trajeto entre casa e faculdade deveria ser um percurso tranquilo e comum, porém não é o que acontece para grande parte dos estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói. As mulheres, assim como em qualquer situação, são as maiores vítimas dos perigos nas ruas e, até mesmo, dentro da faculdade.
Segundo pesquisa realizada com estudantes da UFF, aproximadamente 92% das mulheres não se sentem totalmente seguras dentro do ambiente da faculdade, dentro desse percentual, 63% dependem das condições que se encontram para sentirem-se mais seguras. Muitas relatam se sentir desprotegida à noite por conta da diminuição das rondas de seguranças, carência de iluminação e falta de companhia e câmeras no campus. Uma estudante declara que “À noite, a UFF é assustadora.”
Pelo menos 60% das estudantes da universidade já passaram por alguma situação de perigo dentro da UFF ou nos arredores dela. E 80% das estudantes conhecem outra estudante que já passou por uma situação de perigo.

Reprodução Internet

A vida de uma estudante que mora no campus universitário

Por ser um espaço público federal, a universidade tem acesso livre popular. Pessoas que não tem ligação com a faculdade visitam o campus para ter acesso à biblioteca, assistir palestras, visitar o espaço que é considerado muito bonito, participar de eventos, etc. Porém, esse acesso irrestrito causa algumas situações arriscadas aos estudantes, especialmente às mulheres. São muitos os relatos de estudantes que foram perseguidas por homens dentro do campus ou próximo dele, não sabendo informar se eram estudantes ou pessoas de fora do ambiente universitário.
Em entrevista realizada com uma residente da moradia estudantil da UFF, ela descreve a insegurança das mulheres que frequentam a faculdade e, principalmente, a insegurança das mulheres que moram na própria faculdade. Roberta Ruchiga, que convive mais frequentemente com os riscos do campus, relata como o ambiente da faculdade é mal iluminado e tem escassa segurança. “O fato da moradia ser dentro de um local federal, que qualquer um pode entrar, a torna muito perigosa, porque você não sabe qual pessoa está, basicamente, no ‘quintal da sua casa’”.
Apesar da facilidade de morar próximo a faculdade, para quem morava muito longe, da economia com aluguel e alimentação, e haver um controle na portaria da moradia, onde apenas pessoas autorizadas podem entrar, a universidade falha em manter a segurança dessas estudantes. Roberta admite não se sentir segura até mesmo dentro da moradia, por não saber quem são as pessoas de fora que estão lá como visitantes e por já terem acontecido casos de furto entre os moradores, ou seja, existe uma segurança para controlar quem entra, mas não existe uma segurança interna da moradia.
Além disso, durante os períodos de baixa movimentação, como férias, finais de semanas, recessos, o receio é ainda maior. A estudante diz que a faculdade parece esquecer que existem alunos que moram lá e apagam boa parte das luzes, que são poucas normalmente. As rondas dos seguranças permanece a mesma, porém a quantidade de seguranças já é insuficiente mesmo em períodos ativos da faculdade, e por não ter movimento de estudantes, a universidade fica deserta. A sensação de perigo é muito maior, por saber que qualquer pessoa pode estar escondida a espreita e ninguém verá, principalmente à noite com a má iluminação.

Grupos femininos para segurança

Moradoras da moradia estudantil ou não, as estudantes buscam estratégias para se proteger, como não andar sozinha pelo campus ou andar mais rápido quando estão sozinhas, não expor objetos de valor, sair mais cedo de aulas que irão até as 22h, evitar usar roupas chamativas, pegar transportes sempre que possível, pedir companhia de amigos homens, entre outros “cuidados” descritos pelas estudantes.
Existem, também, os grupos de estudantes que buscam companhia feminina para fazer trajetos pela cidade e percursos entre a faculdade e suas casa. As integrantes informam quando há algum perigo iminente, alguma situação pela qual passaram, buscando uma forma de se sentirem mais protegidas e seguras juntas. Um desses grupos é o Vamos Juntas, um grupo fechado de mulheres, “criado com intuito de ser plataforma para interação de mulheres que precisam de companhia para evitar que andem sozinhas saindo/indo para UFF”, como o próprio grupo se descreve.
O Vamos Juntas - UFF possui grupos na rede social Facebook e grupos específicos por áreas de moradia em Niterói no Whatsapp, as mulheres membros do grupo se unem e criam uma rede de proteção, que pode ser acessada por qualquer estudante da UFF do sexo feminino que queira fazer parte da comunidade, através de outras participantes do grupo ou através da página no Facebook. O acesso é restrito e controlado pelas moderadoras dos grupos.
Não esquecendo de grupos destinados a mulheres da moradia estudantil que se reúnem para atravessar o campus em horários de risco, grupos de estudantes que vão para o mesmo ponto de ônibus, grupos de estudantes que pegam o mesmo ônibus, grupos de carona, grupos para dividir táxi e uber, entre outros.

Perigos de Niterói

Os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) expõem, no Dossiê Mulher, o número de 41 denúncias de “importunação ofensiva ao pudor” em 2017, sendo 100% de violência sexual. Nesse delito está incluso assédios, assobios, buzinas e “elogios” ofensivos e de mau gosto.
Cenas de assédio tem se repetido na cidade de Niterói. Não são raros os casos de violência durante a luz do dia também, envolvendo até perseguições assustadoras as vítimas.
Acredita-se que muitos dos casos não são relatados, por medo de minimizarem seus relatos ou por sequer saberem identificar a violência em casos de “importunação ofensiva ao pudor”.
As vítimas não são apenas as mulheres, apesar de serem elas as maiores vítimas e de maior vulnerabilidade. A cidade de Niterói apresenta perigos e violência para todos os gêneros e estudantes.
A culpa nunca é da vítima e, sim, do agressor. Portanto, caso esteja diante de alguma situação de violência contra mulher ou esteja passando por essa situação, procure uma delegacia ou denuncie pelo número 180.

“Senti vontade de morrer e tentei. Não achava que iria sair da depressão"

Relato de jovem que descobriu doença aos 15 anos reitera a importância de cuidar do transtorno, presente na vida de 5,8% dos brasileiros


Por: Júlia Carvalho


              (Foto: arquivo pessoal)



Diferente do que se acreditava na década de 70, a depressão pode vir à tona em qualquer idade e momento como resultado de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. A doença atinge 11,5 milhões de pessoas só no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o que representa 5,8% dos brasileiros.

Isabela Lima, de 21 anos, descobriu o transtorno aos 15, na época, ainda estudante do ensino médio. "De uma hora pra outra comecei a sentir muita raiva e tristeza. Achei que era fase. Não queria que ninguém soubesse para manter a ideia de ser forte", relata.

A estudante de Medicina Veterinária conta que a personalidade comunicativa deu lugar ao isolamento. Também sentia fortes dores de cabeça, fraqueza e crises de ansiedade. "Comecei a chorar muito e a perder o controle da situação, foi quando decidi contar aos amigos próximos e aos meus pais. Depois, procurei ajuda junto a um profissional da psicologia, mas ainda assim não estava bem", conta. A estudante se afastou dos amigos, passou a ter mudanças bruscas de comportamento e a perder o sono frequentemente. "Me levaram para o psiquiatra, mas o refúgio mesmo foi a bebida, quando eu não bebia era desesperador. Também senti vontade de morrer e tentei. Não foi fraqueza, foi coragem. Não achava que ia sair da depressão".

Como a estudante, estima-se que 300 milhões de pessoas no mundo também sejam afetadas pelo transtorno mental. Segundo a OMS, no entanto, menos da metade das pessoas que enfrentam a doença recebem tratamentos, seja por falta de recursos, ausência de profissionais preparados ou desconhecimento. Segundo a psicóloga Adriana Rodrigues, além dos sintomas, que impedem a realização de atividades rotineiras, a banalização do termo clínico é um dos fatores que também dificulta o acompanhamento. "O desconhecimento da sociedade, que atribui a causa da depressão à questões religiosas ou a uma suposta fraqueza na personalidade, atrapalha o processo. Uma rede de apoio fortalecida é o principal fator de ajuda à essas pessoas", explica.

Apesar de caracterizada por uma tristeza contínua, a doença não é, de acordo com Adriana, o próprio sentimento. “Tristeza é um sentimento que todos nós vivenciamos de maneira natural. Na depressão o sujeito se sente vazio, sem esperança”, pontua. Segundo a psicóloga, outros sintomas presentes são a dificuldade de concentração, insônia e a hipersonia. Entre os tratamentos, estão as terapias comportamentais, a psicoterapia e os medicamentos antidepressivos. “No início me sentia dependente dos remédios, mas é importante entender o que está acontecendo com você. Quem é feliz nem imagina o que é isso”, disse Isabela.


Mais afetadas

A Organização Mundial de Saúde aponta que as mulheres são mais afetadas pela doença de que os homens. O relatório de 2017 mostra que 3,6% da população masculina tem depressão. Já entre a população feminina, o percentual sobe para 5,1%, e eleva para 7,5% quando são analisadas mulheres entre 55 e 74 anos, perfil de maior ocorrência do transtorno. A doença também pode variar de leve, moderada ou grave e ser crônica, aspecto que agrava o estado de saúde daqueles que não buscam tratamento, além de poder levar ao suicídio – segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos.

Desafios de se adaptar a um outro país


Por Fernanda Ornellas


Com um número crescente de vagas para intercambistas a UFF pode ser tanto um lugar acolhedor como um quebra cabeça para os estudantes estrangeiros.
 Ter a oportunidade de estudar fora do seu país, enriquecer seu currículo e entrar em contato com uma nova cultura é o sonho de muitos estudantes universitários ao redor do mundo. O número de estudantes que decidiram expandir as escolhas além dos destinos mais procurados como Estados Unidos e Canadá aumentou exponencialmente desde 2015 e de acordo com o Governo Federal o Brasil entrou de vez na rota dos estrangeiros.
O fator econômico é o principal ponto positivo não só para os estudantes como para o governo, que tem extremo interesse na ampliação do programa de internacionalização. Apesar dos esforços do MEC, o número de estrangeiros em instituições federais do país representa menos de 1% da quantidade total de alunos nas universidades. É o que aponta levantamento feito pelo Estado, sendo a USP a que mais consegue trazer estudantes, 3,4% do número total de alunos em 2016.
Antecipando a tendência, desde 2006 a UFF, através da Superintendência de Relações Internacionais (SRI), oferece um número cada vez maior de vagas de intercâmbio para estrangeiros estudarem por um período de seis meses a um ano na universidade.
Segundo informações da Superintendência, ao todo a UFF vem recebendo aproximadamente 150 estudantes, entre graduação, pós-graduação, doutorado e mestrado. Todos os estudantes precisam provar proficiência na língua e cumprir uma série de procedimentos de inscrição e documentação, como ter um seguro saúde, portar o visto adequado e ainda realizar uma visita à polícia federal para retirar a Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM), explica o superintendente.

Além de estudar em outro país e aprofundar os conhecimentos em um outro idioma, os estudantes são inseridos em uma nova comunidade acadêmica e têm que enfrentar o desafio que é conviver com outras culturas e costumes. Yeonju Lee Cha, ou Jay, para seus amigos, é a primeira estudante vinda da Coreia do Sul na UFF em dez anos. Morando em Niterói há oito meses e se dividindo entre aulas dos cursos de Comunicação, Estudos de Mdia, Pedagogia e Turismo, ela conta que uma de suas maiores dificuldades ao chegar na UFF foi a burocracia:
“Eu percebi que tem muita burocracia e foi difícil resolver sozinha. (...) Demorou quase um mês para eu me inscrever nas matérias, porque eu tinha que ir em várias coordenações para receber assinaturas e carimbos. Isso é muito diferente da Coréia, porque lá a gente faz tudo pela internet. Foi difícil, mas eu sempre pedia ajuda para as pessoas e todo muito era muito atencioso. Eu me senti bem recebida e aprendi a conviver com as pessoas aqui e com o jeito delas também”.
O apoio que os estudantes brasileiros dão aos intercambistas é muito importante para que os alunos de outros países consigam se adaptar bem assim que chegam no Brasil. Há um esforço da Superintendência para garantir a adaptação e bom recebimento dos estrangeiros, como o Programa de Apadrinhamento ao Intercambista (PAI). Ele consiste na inscrição de alunos da UFF para “adotarem” um colega vindo de outro país. Segundo a SRI “eles são responsáveis por assistir o aluno estrangeiro na sua chegada ao Brasil, auxiliando-o no que for necessário. Ao fim do período de apadrinhamento, há uma entrega de relatório final e são concedidos certificados de participação àqueles que cumpriram com suas obrigações”. Além disso, é fácil notar o interesse dos brasileiros em ajudar e criar laços de amizade.
Como a oportunidade de uma experiência fora do País para o brasileiro médio diminuiu muito devido à recessão e ao fim de programas como o Ciências Sem Fronteiras em 2016, a troca de experiências com os estrangeiros é uma forma de trazer o ambiente internacional para a própria casa.
“Você passa um pouco de você e eles passam um pouco deles e isso é muito legal. Sem contar que é uma chance de você aprender um pouco da língua. Muitas pessoas não têm condições ou não fizeram um curso e ali na hora conversando você aprende um pouco”, Conta Yanca Rosa, aluna do curso de Arquivologia, que já participou do PAI e se disponibiliza para ajudar o estrangeiros sempre que precisam e manter contato com os novos amigos.
Ela diz que os “padrinhos” e “madrinhas” têm a preocupação de “proporcionar a eles (estrangeiros) a melhor estadia aqui, tentar fazer com que eles só tenham boas lembranças do Brasil quando voltarem e que eles possam contar coisas positivas da gente”.
Nem tudo são flores


Decidida a vir para o Brasil por ter feito curso de português e amar a cultura, as belezas tropicais e as praias, segundo ela bem diferentes das da Coreia, Jay conta que a escolha pela UFF foi bastante pensada, devido à violência no estado do Rio de Janeiro.
“Eu estava muito preocupada em morar no Rio de Janeiro porque todos os meus colegas que vieram ao Brasil estudar foram para o Sul e para São Paulo. Pelas notícias que são mostradas na Coréia, parece muito grave e muito perigoso morar aqui. Meus pais e amigos ficaram preocupados. Quando eu cheguei, estava com medo, mas eu tentei achar um bairro mais seguro para morar e me preparei bem. É perigoso, mas não significa que não dá para viver, pois tem muita coisa boa também”.
Embora os índices de violência sejam altos, o mais surpreendente, segundo Jay, foram situações de racismo sofridas por ela, até mesmo no ambiente da faculdade, como quando foi abordada de maneira rude por dois homens no bandejão.
“Aconteceram muitos casos desses, só que esse foi na UFF, no bandejão, foi muito absurdo, porque eles perguntaram se eu gostava de ser coreana, se meu nome era estranho… Foi muita falta de respeito. Fora da faculdade acontece muito. Eles podiam perguntar de onde eu sou, porque para outros estrangeiros eles perguntam de onde eles são, mas aqui, os brasileiros só me perguntam se eu sou chinesa ou japonesa. Sempre fazem sinal de olho puxado para mim, o que é muito absurdo. A expressão olho puxado é usada pelas pessoas aqui porque eles querem diferenciar a gente deles. Isso me incomoda muito porque as pessoas não sabem que isso é racismo”.
“Cada um vai se moldando um pouquinho ao outro para conseguir conviver bem...”
Fazendo um balanço Jay considera sua estadia no Brasil muito boa. Além de feliz com as amizades que fez aqui e com a hospitalidade das pessoas que conheceu na UFF, ela também amou as outras cidades que conheceu e a culinária regional. Principalmente os pratos apimentados, como ela está acostumada na Coreia.
“Eu quero muito conhecer o Nordeste, porque eu ouvi dizer que a comida lá é muito boa! Eu quero muito ir para Salvador porque gosto de cidade histórica. Eu gostei muito de Foz do Iguaçu e Arraial pelas paisagens lindas. A Coreia é um país pequeno e lá a natureza também é linda, mas não tem essas praias lindas do Brasil”, diz Jay.
A experiência é gratificante para todos. Ao voltar ao seu país de origem, os estrangeiros podem alavancar suas carreiras profissionais, já que conviveram com as particularidades de um outro povo, assim como os estudantes brasileiros. Os alunos amadurecem mais quando expostos à diversidade cultural. “É lógico que tem uma diferença muito grande de cultura, mas é uma troca. Cada um vai se moldando um pouquinho ao outro para conseguir se comunicar e conviver bem” Afirma Yanca.





CAMPUS GRAGOATÁ: CONSEQUÊNCIAS DOS PROBLEMAS ESTRUTURAIS NO DIA A DIA DOS ALUNOS

Por: Suzana Carqueija

A Universidade Federal Fluminense (UFF), criada em 1960, tem hoje como um dos principais campi em Niterói, o Gragoatá. Composto por 12 blocos, identificados por letras, 2 restaurantes universitários, biblioteca, quadra, campo de futebol, creche universitária e moradia estudantil. Lá encontramos, por exemplo, o Instituto Ciências Humanas e Filosofia (ICHF), no bloco P e a Faculdade de Economia, no bloco F.

CAMPUS GRAGOATÁ -UFF NITERÓI
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=wlAm4anLH1c
A Biblioteca Central do Gragoatá e os bandejões, por exemplo, são direitos dos alunos, mas em relação aos outros campi, acabam sendo um destaque. Mesmo com os pontos positivos, além de uma orla com vista da cidade do Rio de Janeiro, os alunos do Campus Gragoatá enfrentam problemas diariamente. São eles relacionados a estrutura dos prédios, a acessibilidade, a iluminação, entre outros.

Esses problemas não afetam apenas a UFF, mas as universidades públicas do Brasil em geral, devido ao descaso do governo em relação a educação no país. De acordo com o G1, 90% das universidades federais tiveram perda real no orçamento em cinco anos, com queda da verba nacional em 28%. Além disso, em 2017, de acordo com o Estadão, o governo reduziu a autonomia das faculdades para gastos com obras. Essa situação não reflete apenas no ensino dos alunos, mas na qualidade de vida de todos que frequentam o ambiente universitário. 


Felipe Gomes, aluno do curso de Matemática e vice-presidente do Diretório Acadêmico de Matemática e Estatística, conta em entrevista sobre os problemas estruturais dos blocos G e H, onde tem aula. As marquises dos prédios foram malfeitas e, por isso, quando chove, a água entra nelas, fragilizando ainda mais a sua estrutura e aumentando o risco de desabamento. Felipe afirma que algumas partes das marquises já caíram, o que é muito grave, pois qualquer pessoa que frequenta o local fica vulnerável a sofrer um acidente. O máximo que os alunos podem fazer é analisar a situação das marquises e alertar os outros. “O pessoal vê, avisa para alguém do Diretório Acadêmico e a gente repassa para os administradores do prédio. Eles fazem uma faixa, botam em volta da região e no outro dia, quebram a marquise de manhã cedo, antes dos alunos chegarem”, ele relata. Esse problema em relação às marquises deve ter atenção em todos os blocos do Gragoatá. Mesmo que não seja em relação a má construção e a entrada de água da chuva, pode ser pela construção antiga, com vigas a mostra e a estrutura visivelmente danificada, como no bloco B.

BLOCO H
Foto: Suzana Carqueija

BLOCO B
Foto: Suzana Carqueija
Em conversa, o Diretório Acadêmico Raimundo Soares, do curso de Ciências Sociais, fala sobre os problemas do bloco P. Mesmo recém construído, em 2014, algumas questões foram mal projetadas, como os canos dos banheiros, que acumulam urina, causando mal cheiro, e as janelas, que são frágeis. “As janelas são um problema grave, que já ocasionou acidente, já que elas não seguram o vento que rola no Gragoatá, batendo com tanta força e quebrando em cima de aluno, como ocorreu, no caso. Então, todas permanecem fechadas, com freios impedindo que a janela seja totalmente aberta”, afirma. 

O que também tem risco de não aguentar o vento são as paredes. Principalmente as divisões de sala improvisadas, são muito finas e frágeis. Além do barulho de uma sala atrapalhar a outra, algumas salas possuem até um alerta para não abrir as janelas, pois as paredes podem não suportar a força do vento. E se cai uma parede em cima dos alunos, causa um grave acidente, o que coloca, mais uma vez, quem frequenta os ambientes da UFF em risco. Recentemente, aconteceu no Campus Praia Vermelha, no 4º andar do bloco H. Felizmente não atingiu nenhum aluno, mas uma turma do curso de Engenharia estava tendo aula na sala no momento da queda da parede.


SALA 401 A - BLOCO A
Foto: Suzana Carqueija
SALA 402 - BLOCO H - CAMPUS PRAIA VERMELHA
Foto: Bruno Chiara


Outros problemas que afetam o dia a dia dos alunos são em relação aos banheiros e elevadores dos blocos. Nos banheiros, os problemas vão do mais básico, como falta de papel higiênico e portas quebradas, aos mais complexos, como vazamentos de água, que podem acabar danificando a estruturas dos prédios, com infiltrações. Sobre os elevadores, a reclamação é geral. Todos os blocos possuem elevadores, mas nunca todos estão funcionando. O problema maior, entretanto, é a qualidade do funcionamento dos que estão em uso. Jamille Almeida, aluna de Sociologia, já ficou presa em elevadores do bloco O e P, o que é até considerado "comum" entre quem costuma usar os elevadores do campus. 


BANHEIRO FEMININO - BLOCO C - 2º ANDAR
Foto: Suzana Carqueija
ELEVADOR 3 - BLOCO B
Foto: Suzana Carqueija
Os problemas nos elevadores também abrangem outra questão: a acessibilidade. O Campus Gragoatá é um grande problema em relação a isso. Sem elevador, alunos cadeirantes ou com dificuldade de locomoção, dependem de outras pessoas para assistir às aulas. Esse caso marca a exclusão e a falta de atenção aos deficientes. Os caminhos do Campus, entre os blocos ou no estacionamento, também representam problemas de acessibilidade. Pedras, rampas e calçadas quebradas e paralelepípedos comprovam que não é fácil se locomover. O novo reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas Nóbrega, que assume o cargo em novembro, é cadeirante. Ele é o primeiro reitor tetraplégico de uma universidade federal brasileira. Em entrevista à Folha de São Paulo, ele afirma que dará prioridade à inclusão e espera impactar a vida das pessoas de forma positiva. Acesse a matéria da Folha em: https://www1.folha.uol.com.br/c/tetraplegico-eleito-reitor-na-uff

RAMPA
Foto: Facebook
A iluminação do campus também é um problema. As aulas vão até às 22 horas e iluminação ruim torna o ambiente desagradável. A aluna Natalia Chaves, de Psicologia, assim como muitas outras alunas, acha perigoso andar pelo Gragoatá durante a noite. Ela e a maioria das meninas costumam andar em grupo, com medo de perseguições e tentativas de estupro. A segurança deveria ser prioridade, mas a falta de iluminação é um risco para todos os alunos, já que qualquer pessoa pode entrar no campus. 

A aluna L.V., de Medicina Veterinária, é moradora da Moradia Estudantil do Gragoatá. "Sobre a segurança: em relação ao campus, acho muito "fraca" e ineficiente porque já soube de casos em que pessoas (homens) entraram no campus e seguiram meninas. E vejo essa ineficiência também quando a gente entra no campus de carro. Os guardas mal olham a cara da pessoa e a foto da carteirinha, nem pedem identidade nem nada", conta a estudante.

Em junho, o GT de mulheres do DCE UFF fez uma petição à reitoria exigindo a melhor iluminação dos campus. No link da petição, dizia: "Garantir o funcionamento dos postes de luz em todos os Campus da UFF Niterói, assegurando um espaço seguro de locomoção para todas as estudantes, terceirizadas e professoras". O número mínimo de assinaturas ainda não foi atingido. Caso tenha interesse em ajudar, acesse: https://secure.avaaz.org/po/petition/Reitoria_Mulheres 

Entramos em contato com a Divisão de Assessoria de Imprensa (DAI) da UFF, por e-mail, para um esclarecimento a respeito dos problemas apresentados. Pois, além dos relatos e opiniões dos alunos, é importante ouvir a posição da reitoria. Até o fechamento da reportagem, entretanto, não tivemos resposta. 






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