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Esporte e lazer melhoram a qualidade de vida da terceira idade

Criado há mais de 20 anos, Projeto Gugu leva atividades a três mil idosos em Niterói                                   Foto: Rodrigo S...

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Esporte e lazer melhoram a qualidade de vida da terceira idade


Criado há mais de 20 anos, Projeto Gugu leva atividades a três mil idosos em Niterói

                                  Foto: Rodrigo Soldon


Niterói é considerada uma das melhores cidades para se envelhecer com saúde. Um estudo realizado pelo Instituto de Longevidade Mongeral Aegon junto com a FGV, revelou que a cidade é a segunda melhor no país para o idoso.

                              Alda Borges, a Borboletinha, 92, esbanja saúde e bom humor

Uma boa mostra  da longevidade do município pode ser vista diariamente nos diversos núcleos do Projeto Gugu, criado pela FUNCAB (Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt). Idealizado pelo então ortopedista e professor que leva o nome da fundação, o projeto teve início no dia 10 de abril de 1995, na praia de Icaraí. Completamente gratuito e sem restrição de idade, o projeto conta hoje com o patrocínio da Prefeitura de Niterói e possui 40 núcleos com a participação de 3000 pessoas. 


Regina Bitterncourt, esposa do fundador do projeto, conta que a ideia apareceu após uma palestra dada por Carlos Augusto na UNIVERTI (Universidade Aberta da Terceira Idade). Na ocasião, o ortopedista discutiria sobre prevenção, mas pensou de que adiantaria falar sobre isso já na terceira idade. “Como ele era idoso também, pensou em como colocá-los para fazer exercício. Há 23 anos o idoso não ia para a academia, não havia todos esses projetos. Aí ele teve a ideia de ir para a praia de Icaraí. No dia seguinte tinham 32 senhoras. Levamos um radinho de pilha e aliado à sua experiência em exercícios, ali começou.”

                   O Projeto Gugu conta hoje com 37 núcleos de ginástica, 2 de dança de salão e 1 coral.

O projeto mantém núcleos espalhados por todos os bairros da cidade, como Icaraí, Santa Rosa e Rio do Ouro, com atividades diárias. Além das atividades físicas, a confraternização é um dos focos do projeto, como conta Lourdes, 72 anos, há 16 no projeto: “Ele [o projeto] é muito bom, porque não visa só a ginástica, ele visa as pessoas, a integração de um com o outro. Tem festa de dia das mães, tem passeio, tem festa de fim de ano. A gente recolhe o dinheiro no mês e faz a festinha do aniversariante de dois em dois meses. Festa de São João, de dia das mães... Tudo. É muito bom. A gente faz amizades. Esse núcleo aqui já tem 240 pessoas.”

As atividades têm mudado não só o corpo dos idosos como também a mentalidade de muitos deles. Ainda que tímida, a presença de homens no projeto tem crescido. “As senhoras ficam viúvas, porque o homem morre mais cedo. E essa geração vive em função dos maridos. Quando eles morrem, elas ficam sem chão. Ficam sozinhas, os filhos precisam trabalhar... Acabam caindo em depressão. Mas agora vêm casais. E isso é muito bom, ver esses casais chegando. O homem ainda é muito resistente, mas hoje já vieram seis. Eu fiz um evento no projeto que precisava de assinatura. Consegui 1900 assinaturas. Dessas, apenas 110 eram homens. Mas hoje é diferente. De vez em quando entram alguns, principalmente nesse núcleo. Alto astral é o clima do Projeto Gugu”, completa Regina.

Por Matheus Deccache

Conheça o Turismo Social UFF: Projeto que oferece passeios para alunos e funcionários da universidade

Por Gabrielle Fonseca

Em um país que ainda enfrenta as consequências de uma severa crise econômica, concentrando índices preocupantes de desemprego e que possui uma enorme desigualdade social, o acesso à cultura se torna um bem restrito. Para muitas famílias do Brasil, gastos com passeios e viagens são os primeiros a serem descartados.

No entanto, uma iniciativa do departamento de Turismo da Universidade Federal Fluminense tem transformado esse cenário na vida de alunos e professores da UFF. Com o apoio de uma bolsa que o projeto recebe da PROAES (Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis), o Turismo Social cobra uma taxa simbólica e opcional para seus passeios, revertida para um almoço no local e viagem. Oferecendo excursões quase de graça, o projeto traz destinos e atrações locais para os participantes de seus passeios.

Fundado e coordenado pelo professor da Faculdade de Turismo e Hotelaria Bernardo Cheibub, o projeto conta com participação de alunos bolsistas e voluntários. Com um total de 11 membros, o Turismo Social traz passeios para cidades próximas de Niterói como Petrópolis, Maricá e até mesmo Rio de Janeiro.
Acervo Turismo Social UFF
A criação do projeto veio de uma demanda de auxílio nas atividades da Coordenação de Atenção Integral à Saúde e Qualidade de Vida da universidade. Em 2014, foi solicitada ao professor Bernardo Cheibub, a aquisição de dois bolsistas para ajudar nesse trabalho, surgindo assim, a possibilidade da realização de um projeto de turismo social.

Segundo os organizadores, a iniciativa surgiu com o objetivo de proporcionar experiências turísticas a alunos, servidores e à comunidade que, por falta de condições, não conhecem os atrativos das cidades próximas à Universidade. A partir disso, a equipe do Turismo Social promove visitas guiadas por destinos turísticos, possibilitando a integração e socialização dos participantes em ambientes diversos.

A iniciativa chegou se expandir para fora da comunidade acadêmica, acolhendo também membros do projeto Centro Pop (centro de referência especializado para pessoas em situação de rua) em Niterói. O Turismo Social organizou um passeio em que os moradores de rua conheceram atrativos turísticos, culturais e educacionais das cidades de Niterói e do Rio de Janeiro. No roteiro da excursão constaram lugares como o museu MAC e o prestigiado Pão de Açúcar, altamente procurando pelos turistas.

Recentemente, através dessa iniciativa, o projeto chegou a fazer uma exposição itinerante que passou pelo MACquinho e está atualmente na Biblioteca Central do campus Gragoatá. A mostra conta com fotografias feitas pelas pessoas assistidas pelo Centro Pop e que participaram dos passeios realizados pelo Turismo Social. Os comtemplados pelo projeto ainda fizeram molduras para suas próprias fotografias utilizando materiais recicláveis.
Acervo Turismo Social UFF
Para participar das ações do projeto voltadas para a UFF basta ser aluno ou funcionário da universidade e fazer inscrição no formulário que se encontra no site do Turismo Social. O número de vagas para os passeios varia de acordo com o número de assentos disponíveis no ônibus. Quando as inscrições excedem o número vagas, a equipe do projeto realiza um processo seletivo levando em conta critérios financeiros, econômicos, físico-espaciais, entre outros fatores que contribuem para o afastamento da prática turística.

Desde sua criação, o Turismo Social realizou 10 passeios com a comunidade acadêmica (dois por semestre) e dois passeios com o Centro Pop. O mais recente ocorreu no último sábado (30 de junho) e teve como destino o Rio de Janeiro. Até o momento a iniciativa levou alunos e funcionários da UFF a destinos como Rio de Janeiro, Petrópolis e Maricá.

Os próximos passeios terão como destino Cabo Frio e Penedo/Itatiaia. As inscrições, dessa vez, serão presenciais nos campus da UFF em Niterói. As datas e locais de inscrição serão divulgados no site do projeto. Mais informações também podem ser encontradas no Facebook do Turismo Social.

Os 50 anos de Os Mutantes



Por Matheus Wesley

1968 costuma ser referido como o "ano que não terminou". Essa alcunha muito se dá por uma série de acontecimentos que marcaram a humanidade não só aquele ano como para todo o sempre. Em março, o estudante Edson Luís foi morto por policiais militares no Rio de Janeiro, em abril o pastor e líder dos direitos civis Martin Luther King foi assassinado nos Estados Unidos. Em maio, implodiu na França uma série de protestos organizados por estudantes da Universidade de Paris.

Os ares do planeta Terra estavam um tanto quanto conturbados e turbulentos, e se percebia entre a juventude a vontade irriquieta de burlar padrões, quebrar paradigmas e criar algo novo. Dessa vontade surgiu a Tropicália. Com a Tropicália, surgiram Os Mutantes. Com Os Mutantes, surgiu o seu álbum homônimo gravado em janeiro de 1968, mas só lançado em junho daquele inesquecível ano.

A banda, baseada em São Paulo, era formada pelos irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista e por uma ainda desconhecida Rita Lee. Passou a conseguir certa relevância quando começou a ser atração fixa do programa da TV Record O Pequeno Mundo de Ronnie Von, mas após divergências artísticas acabaram por sair do programa. Essa saída fez com que se aproximassem de um outro ícone do que viria a ser o movimento tropicalista, o maestro Rogério Duprat. O maestro os apresentou a Gilberto Gil, para gravarem a música Domingo no Parque para a disputa do III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. A canção acabaria por conseguir a segunda colocação no festival, e deu mais visibilidade à banda paulista. Essa visibilidade fez com que Manoel Barenbein, produtor musical, os indicasse para assinar um contrato com a Polydor.

O álbum teve sua qualidade e experimentações reconhecidas pela crítica, nacional e internacional: a Rolling Stones Brasil o considerou o 9º entre os 100 maiores discos da música brasileira. A Mojo, revista americana especializada em música, o listou como o 14º disco mais experimental da história da música, à frente de discos famosos como o Sargent Peppers dos Beatles e The Pippers Gates of Down do Pink Floyd. Porém, isso não faz com que o álbum e a banda sejam devidamente reconhecidos pelo público, como aponta o ex-jornalista da Folha e dono do canal Alta Fidelidade, Luís Felipe Carneiro: "Tem seu reconhecimento, mas para um público muito específico. Em 2006, na época da volta deles (com Zélia Duncan nos vocais, no lugar de Rita Lee) fui em um show do grupo no Vivo Rio com 1/3 do público que a casa comporta. É subestimado, aliás como qualquer música de qualidade no Brasil", lamenta.

O disco possui a antropofagia característica de outros trabalhos do movimento tropicalista: influências de músicas estrangeiras (como os Beatles e o movimento psicodélico em voga na Europa à época) sendo "engolidas" e misturadas aos ritmos mais genuinamente brasileiros e "vomitando" algo novo. Essa atitude foi algo inovador para o rock brasileiro da época, visto que seus precursores no Brasil, os integrantes da chamada "Jovem Guarda", nas palavras de Luís Felipe "chupavam muito o que era feito lá fora". Além de quebrar quase que totalmente com o estilo predominante no Brasil à época: a Bossa Nova.

Nos anos 90, Os Mutantes tiveram um boom de reconhecimento, principalmente no exterior, depois que Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, e Sean Lennon, filho de John Lennon, declararam sua admiração pela banda. Kurt chegou a escrever uma carta a Arnaldo Baptista e Sean fez alguns shows com o baixista da banda paulista. O filho de John Lennon chegou a até mesmo fazer a arte do disco Tecnicolor, gravado em 1970 mas só lançado em 2000. Esse reconhecimento tardio faz com que alguns fãs se questionem sobre o que seria da banda se tivesse sido formada na Inglaterra dos anos 60 em vez do Brasil? Apenas divagações, mas Carneiro considera: "Muita gente diz que seriam maiores que os Beatles, eu não acho, até porque eles se inspiraram nos Beatles. Mas seria uma banda muito grande. E seria lembrada da mesma maneira que é um Jefferson Airplane (banda americana de rock psicodélico)".




As músicas

Panis Et Circenses, a música que abre o disco, trata do estado de alienação que parte da sociedade brasileira vivia em relação aos fatos que ocorriam no Brasil e no mundo, dizendo "Mas as pessoas na sala de jantar, são ocupadas em nascer e morrer". A canção tem claras influências do rock inglês da época, usando efeitos de som e mudança brusca de tempo. A segunda canção do álbum é, talvez, o melhor exemplo da mistura entre estilos da banda: na música A Minha Menina, de letra de Jorge Ben escrita após pedido de Rita Lee, um ritmo levado ao samba é acompanhada de uma guitarra estranhamente distorcida. Os vocais alegres dão um tom descontraído à canção de amor.

Essa influência continua a ser percebida em O Relógio, música com efeitos sonoros de um - obviamente - relógio e feita em homenagem ao relógio de Rita Lee. A mistura entre os ritmos brasileiros e o rock inglês (apesar de, ironicamente, não ter em sua gravação os instrumentos típicos dos dois: a sanfona e a guitarra) presente em A Minha Menina, voltaria em Adeus Maria Fulô, originalmente escrita e gravada por Sivuca e Humberto Teixeira, em 1951. A canção, que é um baião, ganha uma pegada de rock com arranjos de música erudita feitos por Rogério Duprat.

Uma pegada mais pop é vista em Baby, uma balada escrita por Caetano Veloso sobre a vida do jovem nos anos 60. Senhor F é a música mais beatle do disco, sendo inclusive assumidamente uma forte influência de Being for the Benefit of Mr. Kite do aclamado álbum Sargent Peppers Lonely Heart Club Band da banda inglesa. Bat-macumba é uma música que mistura referências ao candomblé (como se percebe tanto no título como na batida da percussão) e a algo extremamente estrangeiro: o super-herói Batman. A letra, composta por Caetano e Gil, possui uma construção peculiar:


Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba oh
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba
Bat Macumba ê ê, Bat Macum
Bat Macumba ê ê, Batman
Bat Macumba ê ê, Bat
Bat Macumba ê ê, Ba
Bat Macumba ê ê
Bat Macumba ê
Bat Macumba
Bat Macum
Batman
Bat
Ba
Bat
Bat Ma
Bat Macum
Bat Macumba
Bat Macumba ê
Bat Macumba ê ê
Bat Macumba ê ê, Ba
Bat Macumba ê ê, Bat
Bat Macumba ê ê, Batman
Bat Macumba ê ê, Bat Macum
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba oh
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá

Em Le Premier Bonheur du Jour, é uma canção composta pelos franceses Frank Gérald e Jean Renard, interpretada inteiramente em francês pelos Mutantes. O curioso é que, para fazer um efeito de som, se usou no estúdio uma bomba de inseticida em vez de um chimbau. O resultado foi uma pausa nas gravações pelo estúdio ter se impregnado de veneno. Trem Fantasma, composta em parceria com Caetano Veloso, é uma música recheada de efeitos sonoros e parece relatar um passeio no brinquedo de mesmo nome dos parques de diversões.

Tempo no Tempo é uma versão em português da música Once Was a Time I Thought da banda americana de rock psicodélico Mamas & The Papas. Ave Gengis Khan, com uma série de efeitos experimentais, é a canção que fecha um dos álbuns mais inovadores, experimentais e subestimados de nossa música.





Transferência de curso universitário pode ser alternativa para estudantes desmotivados

Por Joana Mata
Chris Ryan via Getty Images

Ingressar no Ensino Superior é o grande sonho de muitos brasileiros. Mas o sonho nem sempre corresponde à realidade. Segundo informação divulgada pela Secretaria de Educação Superior, cerca de 50% dos alunos matriculados na graduação teriam se transferido de curso ou abandonado a universidade, em 2016. 

Apesar de elevado, o índice ainda não abrange todos os estudantes insatisfeitos com a graduação. Há também aqueles que, por diversas razões, concluem o curso mesmo não se identificando com ele. Para o especialista em produtividade, Christian Barbosa, em entrevista para o Correio Braziliense, isto comumente gera frustração no universitário. A incompatibilidade entre o mercado de trabalho e as habilidades pessoais, em muitos casos, leva os profissionais de volta à sala de aula, em busca de uma segunda graduação.

Em pesquisa realizada pela International Stress Management Association do Brasil, em 2015, constatou-se que 72% dos brasileiros consideram-se infelizes com seu trabalho. Estes profissionais tendem a ser menos produtivos, de modo que a frustração encontrada ao cursar uma área diferente daquela desejada permanece durante a carreira.

Como forma de prevenir insatisfação e desmotivação, Felipe de Souza, que estudou Psicologia durante seu doutorado, sugere que o aluno liste os fatores que o levaram a escolher determinado curso e se pergunte se a conclusão resultará em alcançá-los. Diz ainda, “se a resposta for negativa, é uma boa ideia repensar sua escolha e procurar outro caminho”.

De exemplo vivo desta afirmação, tem-se o estudante José Inácio Piutti que, há um ano, cursa Jornalismo na Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP). O jovem sempre sonhou com a carreira, mas teve que escolher outra área para entrar na faculdade por não atingir nota suficiente no vestibular. Influenciado pela família, matriculou-se no curso de Relações Internacionais e concluiu o primeiro período ainda sem sentir identificação com a carreira.

Inácio, porém, não estava conformado e viu nas vagas abertas para o segundo semestre sua chance de conquistar a vaga desejada. “Usei minha nota e aguardei para, no final, avisar a meus pais que não seria mais um internacionalista”. O bolsista do ProUni conta que enfrentou dificuldades com a secretaria da universidade, pois não eram claros os passos a serem tomados no processo de troca dos cursos, mas acredita que fez a escolha certa e sente-se feliz com a nova formação.

Quem teve mais dúvidas na hora de migrar, porém, foi a estudante Gabrielly Alves. Nascida em Natal, a universitária se mudou para o Rio de Janeiro cursando Jornalismo na Universidade Federal Fluminense, mas começou a sentir-se desmotivada. “Ficava me perguntando se não era uma fase, só falta de costume, ‘no outro período melhora', pensava”. Com o tempo e a constatação de que a situação não mudava, a jovem se viu estressada e cada vez mais queria “largar o que estava fazendo”.

A solução veio ao procurar por outra coisa que a interessasse, algo com efeitos opostos aos do Jornalismo em seu emocional. Apaixonada por escrita e cinema, decidiu ingressar em Produção Audiovisual, mas seus familiares temiam que a jovem deixasse sua faculdade. A mãe da universitária constantemente afirmava que Gabrielly não poderia deixar uma instituição federal sem outra alternativa segura.

Para convencer a mãe, Alves chegou a frequentar simultaneamente ambas as faculdades por um período, assim pode dar a certeza de que o novo curso era uma escolha definitiva e agora já faz planos de complementar sua formação se graduando em Produção Textual.

Uma vez que as alternativas mais comuns são concluir o curso e provavelmente não retornar a utilizar os conhecimentos adquiridos, ou construir toda a carreira numa área não atrativa; apesar das dificuldades que possam ser encontradas, transferir-se de curso dentro da universidade é uma opção que apresenta grande compensação no futuro, quando se está insatisfeito com a graduação corrente.


Grupo Trupe + Amor faz a alegria de crianças em hospital de São Gonçalo

Da esquerda para a direita: Carlos Eduardo, Vanessa, Yasmin e Rodolpho. Foto: Bruna Ximenes

                                                                                      Por Aline Azevedo Paula

No penúltimo sábado do mês de junho (23), o grupo voluntário de doutores palhaços Trupe + Amor visitou a enfermaria de um hospital público infantil do município de São Gonçalo, trazendo alegria e brincadeiras para as crianças internadas. Yasmin Souza, Vanessa Rangel, Rodolpho Rodrigues, Luyse Lanes, Carlos Eduardo Quintanilha, Marcos Antônio Louzada, Victor Barboza, Mariana Serique e Jéssica Avante são os 9 integrantes do grupo, que busca fazer a felicidade dessas crianças sem ganhar nenhuma remuneração em troca.

O grupo, que tem apenas três meses de existência, já conta com muita garra e comprometimento dos seus componentes. Mesmo que a sua maioria estude e trabalhe em outros ramos fora da área de saúde, ainda assim arrumam tempo para visitar escolas, asilos, orfanatos e hospitais pelo menos duas vezes ao mês. Quando colocam suas fantasias e o nariz de palhaço, assumem outras personalidades: Paçoquinha, Tibum, Sorriso, Caramela, Bilbo, Bidu, Pipoca e Soneca. Esses são os nomes que esboçam um sorriso no rosto da criançada da região.

Embora o Trupe + Amor seja recém-formado, a maioria de seus integrantes já possui experiência em palhaçaria hospitalar há pelo menos 2 anos e meio, além de formação em teatro. Luyse Lanes, a palhaça Caramela, diz como se sente em participar desse projeto social:

''Não existe nada mais gratificante no mundo do que o sorriso sincero de uma criança. Quando se encontram em situações de internação, arrancar um sorrisinho delas é emocionante. E a nossa recompensa vem todas as vezes em que ouvimos um 'parabéns por esse trabalho'. Os elogios nos motivam, nos impulsam a continuar'', afirmou.

No hospital, uma das mães das crianças internadas diz como essas brincadeiras ajudam também a descontrair o ambiente hospitalar:

''Eu acho importante porque as crianças aqui ficam tristes, ficam com medo de injeção, medo das enfermeiras e quando aparecem esses palhaços elas até aceitam melhor o atendimento. Acho que eles tornam essa experiência mais fácil pras crianças, porque aí elas veem também que aqui é lugar de brincar, de ser feliz'', disse uma mãe que preferiu não se identificar.


Palhaças Tibum e Paçoquinha fazendo a alegria de criança internada. Foto: Bruna Ximenes


A palhaçaria hospitalar


A figura do palhaço dentro do hospital surgiu em 1986 nos Estados Unidos, o que serviu de influência para vários outros países começarem a investir nesse projeto.  No Brasil, o primeiro grupo a trabalhar com a palhaçaria hospitalar foi o Doutores da Alegria, fundado em 1991 por Wellington Nogueira. Desde então, muitos outros passaram a surgir, contribuindo para a humanização da saúde em diversas regiões do país.

Carlos Eduardo, integrante do Trupe + Amor e conhecido carinhosamente pelas crianças como Palhaço Bilbo, explica como funciona a parte burocrática desse tipo de ação:

''Toda visita nós temos que ter em média dois palhaços e duas pessoas de apoio. Um dos apoios é responsável por tirar fotos e o outro por conseguir autorização dos responsáveis pelas crianças. Não fazemos uso de nenhuma foto ou material sem a autorização deles, então tem que ter alguém responsável só por isso''.

Além disso, ele também ressalta as regras de abordagem que têm de ser seguidas, como não perguntar às crianças o motivo de estarem ali, não sentar nas macas e também não tirar fotos caso não tenham a autorização dos pais.

O Trupe + Amor, além de realizar esse serviço voluntário, faz também campanhas de doação de sangue e de agasalhos. Embora todos os integrantes do grupo tenham feito curso, não é necessário que se tenha alguma formação em palhaçaria ou teatro para participar do projeto. Para eles, a única exigência é ter comprometimento com o horário e gostar desse tipo de ação.












Violência obstétrica no Brasil, casos recorrentes e pouca informação

Legalização do aborto na Argentina traz à tona discussões sobre o atendimento obstétrico no Brasil.
Por Thaís Marques 
No dia 14 de junho deste ano, uma quinta-feira, após 20 horas de sessão, legisladores decidiram a favor do projeto de lei que permite a interrupção voluntária da gestação até a 12º semana, na Argentina. Nas ruas, grupos de mulheres comemoravam a vitória e, de diferentes maneiras, a notícia também repercutia no resto do mundo. Embora ainda muito polêmico, o aborto hoje já passa por debates inseridos nas questões de saúde pública oferecida à mulher. Nesse âmbito, também outro ponto tem a necessidade de ser discutido e inclui grandes falhas no cuidado à integridade física e psicológica feminina: a violência obstétrica.  
Segundo a Defensoria Pública de São Paulo, ela "caracteriza-se pela apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres pelos profissionais da saúde, através do tratamento desumanizado, abuso da medicalização e patologização dos processos naturais, causando a perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos e sexualidade, impactando negativamente na qualidade de vida das mulheres". Os casos podem se manifestar no período de gestação, no parto e, inclusive, no atendimento em situações de abortamento.  
No Brasil, uma pesquisa realizada em 2010 pela fundação Perseu Abramo revela que uma em cada quatro mulheres sofre violência no parto. Além disso, 52% dos partos são feitos por cesarianas, segundo o levantamento Nascer no Brasil, realizado pela Fiocruz em 2014. O número se mostra alarmante, visto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que não exceda 15% do total. 
Para a advogada especialista em violência obstétrica Ruth Rodrigues, os principais casos são justamente os de cesáreas desnecessárias, ou seja, quando fora de uma indicação real; episiotomia (um corte do períneo da mulher) e pela manobra de Kristeller, pressão feita na barriga da gestante para empurrar o bebê. Esta última situação já foi proscrita da medicina, no entanto é recorrentemente praticada e até ensinada nas faculdades. Há, também, a agressão verbal e o uso da ocitocina sintética, que causa muito mais dor na mulher e nem sempre atinge o efeito esperado, um aumento da dilatação. Seu uso indiscriminado pode causar o sofrimento fetal do bebê por uma série de questões fisiológicas  
Em relação ao atendimento em situação de abortamento, os casos também não são raros. Alessandra Primo, hoje mãe de gêmeos, conta que já sofreu três abortos espontâneos e, em um deles, ao procurar atendimento teve que aguardar por horas numa maca sem nenhum acompanhamento. "Quando veio uma enfermeira, não sei se eu estava fragilizada e era impressão minha, mas ela me olhava como se estivesse me julgando.  apareceu o médico, me fez o exame de toque e falou: 'É, você está tendo um aborto', olhou para mim com uma cara feia, estranha".  Ele lhe aplicou soro fisiológico na veia e, após a paciente reclamar de dor, acrescentou remédio para que se amenizasse, a deixando novamente sozinha. Alessandra diz que outras moças em situação semelhante também se queixavam do atendimento no hospital. 
Esse e outros casos parecidos eram os que ilustravam o cenário encontrado em Acarí, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde Nathally Costa e Renata Vasconcelos fizeram estágio como doulas, ao final de 2016. As mulheres que atuam nessa área dão à gestante um suporte físico e emocional antes, durante e depois do seu parto. Na Maternidade Mariana Crioula, dentro do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, única da região, Renata permaneceu apenas por três semanas, justamente por não ter aguentado conviver com tais agressõesNathally, que esteve lá durante 3 meses, conta ter visto todos os tipos de violências possíveis. "Episiotomia; falavam que não era para a mulher gritar porque o bebê sobe, que isso iria matá-lo, que sofreria por causa dela. Diziam: 'Se continuar gritando, vou parar de te atender', 'Vou empurrar aqui para o bebê descer, para ajudar' (manobra de Kristeller)." 
Pensando na educação perinatal, Renata, que também já foi vítima de violência obstétrica, resolve criar o Grupo Matriz, em junho de 2016. Já em fevereiro de 2017, Nathally passou a integrar o projeto, quando o grupo começou a promover rodas de conversa em apoio ao parto, pós-parto e amamentação, na cidade de São Gonçalo, Rio de Janeiro.  
Priscilla Barbosa já tinha certo o desejo de ter uma doula em sua segunda gestação. Então, tomou conhecimento do grupo por sua página no Facebook e participou das rodas entre fevereiro e setembro do ano passado depois de realizar o parto, em abril, e parou de frequentar os encontros porque mudou de cidade. "Foi ótimo, porque nesse período de gravidez acabamos nos sentindo muito sozinhas, principalmente quem busca pelo parto normal, somos uma minoria. Então, ter apoio e poder contar, falar abertamente sobre isso sem ser chata, porque está todo mundo no mesmo meio, foi maravilhoso." 
Em sua primeira gestação, Priscilla passou por situações que julgou bem complicadas. Segundo ela, seu trabalho de parto foi provocado por um medicamento chamado Misoprostol, mas as contrações não apareceram. "Quando eram 16h, já estava desde às 22h do dia anterior sem comer e beber, pois tinham me proibido. Então, me levaram para cesariana, super acreditei que eu não estava dilatando. Depois fui saber que é preciso usar vários comprimidos de tantas em tantas horas para que possam começar a fazer efeito". Em sua opinião, o mecanismo foi usado como uma desculpa para realizarem a cesariana.  
Outras situações também lhe incomodaram. Ela não foi autorizada a ter acompanhante e seu filho nasceu com aplasia cutis congênita, a ausência de uma porção da pele de uma forma localizada ou dispersa que, no caso, se localizava no topo da cabeça. O problema é simples, mas Priscilla se queixa pela maneira insensível pela qual foi avisada, além da não comunicação à família no momento em que o menino foi levado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Por fim, relata: "Foram sucessivos toques, por pessoas diferentes. Perdi as contas de quantos entre 8h e 16h. Uma experiência bem traumatizante". Depois, acabou tendo uma certa hemorragia por conta do nervosismo. 
Para Nathally, a violência acontece muitas vezes sem que a mulher perceba. O momento do parto, principalmente, envolve certa vulnerabilidade emocional e física da gestante. Por isso, o que acontece é feito de modo a parecer que houve o consentimento da mulher. "Ela acha que não aconteceu nada, que estava tudo certo. Depois, quando toma noção, culpa a si e não ao médico, porque ela o autorizou. Na verdade, ele que se aproveitou de sua fragilidade". Mulheres que sofrem esse tipo de agressão são vítimas e existem maneiras de denunciar a ação.  
Ruth, já citada anteriormente, mesmo tendo planejado um parto domiciliar, precisou ir ao hospital porque sua placenta ficou retidaAo chegar no local, conta ter sido mal recebida. "Ele achou que eu tinha jogado minha filha fora, meu marido teve que voltar em casa para buscá-la. Fui tratada como uma louca". A advogada também diz que a deixaram com a placenta presa de 12h até 18h, mesmo perdendo sangue. Hoje, está processando o hospital por violências obstétrica e pediátrica, porque sua filha foi diagnosticada com uma icterícia grave, que três dias depois da alta pôde ser reavaliada por outra pediatra. Ela disse que a complicação era leve e poderia ser tratada com banho de sol apenas.
Segundo Ruth, as primeiras medidas são as denúncias ao Conselho Federal de Medicina (CFM), ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do seu estado, quando for o caso, e ao Ministério Público Federal (MPF). Após isso, é necessário buscar um advogado que entenda do tema e providenciar uma cópia integral do prontuário para análise mais detalhada. "As mulheres vítimas podem pedir indenização por danos morais em razão da violência". 
Em vários locais existem leis que exemplificam a violência obstétrica. No Distrito Federal (LEI DISTRITAL Nº 6.144/18), em Divinópolis - MG (LEI Nº 8.394/2017), nos estados de Santa Catarina (LEI Nº 17.097/2017) e Mato Grosso do Sul (LEI Nº 5217/2018). Ainda segundo Ruth Rodrigues, estas leis são informativas e afirmam o que é violência obstétrica. Nem todas têm alguma sanção ou punição para quem pratica, mas já as considera um grande avanço.  
Quanto às soluçõesela acredita numa reciclagem dos cursos de Medicina e na capacitação de advogados pelo país. As mulheres ainda não possuem uma assistência jurídica adequada para esse tema e o Judiciário não está preparado para recebê-lo. Para isso, a advogada integra o Nascer Direito, que visa a auxiliar as mulheres no ingresso a ações judiciais e intermediar uma conversa com a classe médica e de saúde no que tange a mudança na assistência. Além disso, as mulheres do grupo buscam atuar dentro do Legislativo para que uma lei eficaz contra a violência obstétrica se concretize.  
As reuniões do Grupo Matriz se encontram paradas, pois Nathally teve sua gestação recentemente e Renata, cientista social, se ocupa no momento com a Especialização em Políticas Públicas de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher (PUC Rio). Porém, as doulas pretendem voltar com as atividades em breve e mantêm as informações pela página no Facebook. O atendimento nos encontros é gratuito. "A ideia é fazer aos sábados e ser na Praça Zé Garoto (São Gonçalo), porque acaba democratizando a informação de forma muito mais abrangente", explica Renata.  
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Roda de conversa especial do Grupo Matriz, em 20/01/2018. Foto: Janaina Lima

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