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Campeonato Carioca: até quando?



Por Lucas Bastos


Vasco e Botafogo se enfrentam, neste domingo, pelo título da Taça Guanabara, primeiro turno do Campeonato Carioca. A questão é: alguém ainda quer esse título?








Claro que todo clube de futebol disputa um torneio a fim de levar o caneco. Igualmente o torcedor, que quer exibir a faixa de campeão. Porém, o que se torna cada vez mais visível é que o Campeonato Carioca dá muito mais prejuízo do que benefícios.

[caption id="" align="aligncenter" width="400"] Primeiro clássico do ano, disputado por Fluminense e Botafogo, atraiu apenas 10 mil torcedores. / Foto: Celso Puppo[/caption]



A própria fórmula da competição torna-a cansativa. São 16 clubes, divididos em dois grupos. Na taça Guanabara deste ano, os clubes enfrentam os adversários da outra chave. Na Taça Rio, os times jogam contra os de seu próprio grupo. Resultado: um campeonato inchado. Começa cedo demais e atrapalha a pré-temporada. Devido a essa maratona de jogos e à falta de preparação física, as lesões aparecem. Na final do carioca de 2012, por exemplo, Deco, jogador do fluminense, se machucou e foi desfalque na Taça Libertadores.





O presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, durante um seminário de Marketing e Gestão Esportiva, apresentou uma possível solução para esse problema: “Os times de menor investimento deveriam jogar uma fase preliminar, uns contra os outros. Desses confrontos sairiam os melhores, que se juntariam aos quatro grandes do Rio e teríamos o campeonato carioca”. Outras propostas de organização já apareceram, mas a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) prefere manter a fórmula atual.




É notório que os clubes (pelo menos os grandes) não se interessam pelo carioca. O título do torneio não garante classificação para nenhum outro e a baixa audiência não atrai patrocínios. Além disso, em muitos casos a equipe prioriza outra competição, como é o caso do Fluminense esse ano, que tem poupado os titulares para a Libertadores.




Os estádios vazios mostram que até o torcedor está desanimado em acompanhar seu time de coração. Na rodada de estreia, partidas com 2.000 pagantes foram registradas. No primeiro clássico do torneio, Botafogo x Fluminense, o público subiu para 10.000, ainda abaixo do esperado. Além de todos os problemas inerentes à fórmula, os próprios clubes não ajudam, ao oferecerem ingressos por, no mínimo, 20 reais. Some, a esse valor, gastos com passagem e comida e teremos um torcedor (considerando que este não leve os filhos ao estádio) gastando 40 reais para assistir Flamengo x Quissamã. Alguns inclusive já começaram a boicotar o estadual, como é o caso de Arthur Mazai, estudante de Publicidade da UFF. Ele explica o porquê de sua atitude: “Tomei essa decisão quando percebi que estava pagando caro demais para jogos de baixa qualidade (...) Acredito que uma remodelagem no campeonato deveria ser feita para atrair mais torcedores”.




Junto com todos esses fatores, o estadual apresenta bizarrices. Flamengo x Madureira, pela segunda rodada da Taça Guanabara, aconteceu às 16h30min de uma quarta feira, ou seja: qualquer um que trabalhe ou estude nesse horário automaticamente não foi ao estádio ou sequer conseguiu acompanhar. Essa mesma partida aconteceu no estádio Conselheiro Galvão, cujo gramado é menor do que o padrão mínimo exigido pela FIFA. Os jogos acontecem sob o sol escaldante do verão carioca, principalmente devido ao horário, e a única solução encontrada foi a “parada técnica”, uma pausa aos 20 minutos de cada tempo para hidratação. Além dessas questões logísticas, é no mínimo engraçado pensar que um jogador como Seedorf, quatro vezes campeão da UEFA Champions League, terá que enfrentar o modesto Olaria.

[caption id="" align="alignleft" width="288"] Seedorf comemora gol contra o Resende diante de pouco menos de 5 mil torcedores[/caption]





O único argumento que sustenta o Carioca é o saudosismo. Nas chamadas de noticiários esportivos muito se fala que é “o campeonato mais charmoso do Brasil”. O que não deixa de ser uma estratégia interessante: se ele não é rentável e nem dinâmico, vamos chamá-lo de charmoso. Há um esforço em tentar resgatar um passado no qual a rivalidade desse torneio movimentava o Rio. Mas os tempos mudaram, e os cartolas do futebol têm que perceber isso. Atualmente, só há vibração por parte do torcedor quando seu time é campeão, e mesmo assim ela acaba no dia seguinte.







Querendo ou não, nos aproximamos da metade do Carioca. É possível se divertir, assistir a alguns bons jogos, mas dificilmente o campeonato ficará na memória de alguém. Até porque é bastante provável que daqui a alguns anos ele nem exista mais.

[caption id="" align="aligncenter" width="400"] Flamengo comemora título sobre o Fluminense no Maracanã lotado com 177.656 pagantes, em 1963[/caption]








Um comentário:

  1. No Rio, todas as pessoas ou têm gato net do Pay-per-view ou têm um barzinho próximo de casa onde passam os jogos. A pergunta é: o camarada vai levar a família a um jogo e gasta 200 reais com estacionamento, comida e ingresso. Não é mais fácil pra ele reunir os amigos e ver no conforto do lar, sem gastar nada? Ou no bar, tomando uma cerveja? No dia em que reduzirem o número de pequenos, abaixarem os preços dos ingressos, houver jogos na casa de todos os pequenos e horários decentes de partidas, o campeonato vai ficar mais legal. Aí tem a pergunta: esses preços abusivos são para o programa de sócio-torcedor bombar... Mas não tem como, o camarada prefere tomar uma no bar com os amigos a ir ao estádio frequentemente.O Carioca jamais pode acabar, é o período mais efervescente de futebol para os clubes do Rio, por incrível que pareça.

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