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A quadrilha dos cem mil

[caption id="" align="aligncenter" width="390"]Imagem Cerca de 100 mil pessoas estiveram presentes na manifestação da última segunda-feira no Centro do Rio[/caption]

Com gritos de “o gigante acordou” e “vem pra rua vem”, parte da população brasileira têm ido às ruas nas últimas semanas para protestar contra o aumento das tarifas de ônibus. Na cidade do Rio de Janeiro, após fotografar a ação de manifestantes, o estudante de Comunicação Social – Jornalismo, Wesley Prado, foi preso com um grupo de pessoas e incriminado por formação de quadrilha no ato da última segunda-feira.

Confira a carta que os professores do nosso curso fizeram em apoio ao Wesley e à liberdade de manifestação:

Contra o arbítrio, pela liberdade de manifestação

Os professores do Departamento de Comunicação Social da UFF repudiam
veementemente a atuação abusiva de policiais durante a manifestação desta segunda-feira, 17 de junho, no Rio de Janeiro, ao prenderem arbitrariamente um grupo de pessoas, entre as quais um estudante de jornalismo de nosso curso, Wesley Prado, que fotografava as cenas de conflito diante da Assembleia Legislativa.

Wesley foi preso porque não comprovou ser fotógrafo profissional e por não ter vínculo com qualquer órgão da imprensa tradicional. É um pretexto absurdo, incoerente com os tempos atuais, em que a precarização do emprego faz proliferarem os freelancers e em que a disseminação da tecnologia digital e a comunicação em redes sociais estimulam todo cidadão a documentar e divulgar fatos de seu cotidiano.

Na delegacia, o estudante, como os demais, foi inexplicavelmente autuado por “formação de quadrilha”. Conseguiu ser liberado na manhã desta terça-feira, depois de pagar fiança de R$ 1 mil, obtidos graças à solidariedade de seus colegas e amigos.

Wesley está entre os alunos que têm intensa participação na cobertura de movimentos sociais, o que é motivo de orgulho para nós, professores que estimulamos o compromisso de nossos jovens com o papel social e político de quem integra uma universidade pública, a despeito da depreciação e do desvirtuamento que essa instituição vem sofrendo sistematicamente nas últimas décadas.

Ainda estão para ser esclarecidas as condições que facilitaram a explosão de violência promovida por um grupo minoritário de pessoas ao final da grandiosa manifestação que tomou as ruas do Rio nesta segunda-feira. O que não se pode aceitar é que uma polícia incapaz de conter o vandalismo resolva atuar no varejo, prendendo arbitrariamente quem apenas documentava aquelas cenas.

É condição elementar da democracia o respeito à liberdade de expressão e de imprensa. É fundamental entender que a atividade da imprensa não se restringe às empresas estabelecidas como tais, pois o exercício do jornalismo tem uma função social que ultrapassa de longe os limites impostos pelo mercado. Mas, sobretudo, é imprescindível exigir o respeito a todo cidadão que ouse exercer, nas ruas, seu direito de manifestação.

-Professores do Departamento de Comunicação Social - UFF
Niterói, 18 de junho de 2013

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