Navigation Menu

A PM e as diferentes causas

Por Mayara Mendes


Em 29/01/2012, Copacabana foi palco de uma grande manifestação que reuniu a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. Faixas com palavras de ordem exigiam melhores condições de trabalho e todos cantavam dizendo após um palavrão que seus salários eram os piores do Brasil. Lá havia muitos PMs ao lado de suas esposas e filhos, com camisas que representavam os seus batalhões. Uma faixa dizia ‘’SOS policiais’’ e as palavras contra o governador eram incontáveis.Correto, estavam indo às ruas para reivindicar seus direitos. Mas, diante do cenário da atuação da Polícia Militar nos protestos do Rio de Janeiro – e não só no Rio - isso soa no mínimo irônico.

[caption id="attachment_1128" align="alignleft" width="470"]Manifestação da PM e Bombeiros em Copacabana. Créditos: Jornal de sábado - Região dos Lagos Manifestação da PM e Bombeiros em Copacabana. Créditos: Jornal de sábado - Região dos Lagos[/caption]

A passeata dos Royaltes, que partiu da Candelária até o final da Avenida Rio Branco em 26/11/2012, também contou com a força policial. No entanto, parece que ali os policiais resolveram lembrar da função que tinham: dar segurança à população.

Tanto que, ao chegar à Avenida Rio Branco, na altura da Biblioteca Nacional, saiu uma briga de média proporção. Eu e uma amiga éramos estagiárias de um pequeno jornal de Niterói na época. A briga veio para o nosso lado, mas rapidamente a polícia conteve e então ouvi da minha amiga que tínhamos a sorte da briga ter acontecido enquanto a PM estava por perto. Mais uma ironia. Não foi preciso bomba, ninguém soltou gás e nem de longe spray de pimenta. Não me prenderam por fotografar e podia ter dez vinagres na mão, que ninguém me prenderia. Talvez porque a intenção ali não era assustar e nem desmembrar o movimento e muito menos colocar medo nas outras pessoas para que ele não crescesse. Era interessante que o povo estivesse ali.

Em pensar que a PM que estava em peso nas ruas de Copacabana e passeata dos royaltes faz parte da classe que perseguiu jovens durante os protestos. Sem querer generalizar, mas não seria surpreendente saber que um policial que participou das duas manifestações citadas também protagonizou a violência contra o povo nas ruas do Rio. Por mais que muitos queiram nos fazer acreditar que esta atacou o que eles insistem em chamar de minoria de vândalos(termo turvo e repetitivo usado pela mídia), os relatos dos que foram e as cenas que se disseminam na internet não mentem.

Durante as manifestações, a maioria esmagadora dos posts no facebook foi falando sobre o abuso da força policial. Pessoas que foram presas porque fotografavam, outros que falavam dos horrores do gás lacrimogêneo e de pimenta que levaram nos rostos. Pessoas que fazem parte do nosso dia-a-dia, que não são vândalos, mas que queriam lutar por direitos.

As redes sociais contribuem para que ações abusivas como a da polícia nestas manifestações não fiquem encobertas. Ao entrar no facebook, após a segunda grande manifestação no Rio de Janeiro, o comentário de uma amiga de infância era de que os policiais tacavam bombas em manifestantes sentados no chão. Logo depois, um vídeo mostrou cena muito similar. Veja aqui.

A ação da polícia de amedrontar e atacar os manifestantes foi simplesmente vergonhosa. Seria plausível pedir que eles lembrassem daquele dia em Copacabana em que grande parte da classe carregava faixas debaixo de chuva, falando mal do que hoje tentam defender.

0 comentários: