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Esperança...

[caption id="attachment_1785" align="aligncenter" width="470"]Léo Foto: Leonardo Loureiro[/caption]

Por Patrícia Fernandes


Esperança. Mais do que qualquer coisa, as manifestações que tomaram conta do país nas últimas semanas denotam esperança. Esperança de ser ouvido, esperança de fazer diferença, esperança em dias melhores. Engana-se quem pensa que o movimento começou com o aumento de R$ 0,20 nas tarifas de transporte público. Ele vem de muito antes e vai muito além.


É sobre a situação social do país. É sobre os investimentos sem fim para os grandes eventos sediados no Brasil advindos do bolso sem fundos do Estado e as alegações de que não há verbas para questões de interesse sociais, como a saúde, a educação e o transporte público.


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Esse “pequeno aumento” , em teoria, não pesa no bolso dos contribuintes, mas acumula milhões nos cofres de grandes empresários. E a população deu um basta. “Chega de exploração disfarçada, não somos marionetes. Estamos aqui e exigimos nossos direitos.”


Assim, o que era para ser um movimento lindo de mobilização social por um futuro melhor, a reação de um país, um gigante que acordou, acabou enfrentando diversos inimigos. Governantes que desacreditam sua legitimidade e o taxam de ações opositoras, descaracterizando sua natureza popular e independente. Violência policial injustificável, que visa desanimar os participantes e fazê-los repensar a validade de toda a movimentação. Porém, o pior de tudo, são os atos de vandalismo realizados por poucos, que acabam contaminando todo o grupo e impulsionando as críticas da grande mídia e as violências exacerbadas de alguns “homens da lei”.


Perto disso, o grande questionamento quanto à multiplicidade de causas que parece desviar a atenção de toda a atuação social perde forças, pois ela é nada mais do que uma multiplicidade de problemas e de esperanças em solucioná-los. O mesmo ocorre com a extrema viralização dos protestos, que começaram e se sustentaram com o apoio da internet, mas, em muitos casos, atraiam pessoas mais desejosas de “fazer parte” do que de “fazer diferença”.


Ainda aqui devemos ter a esperança de que, não importa o motivo pelo qual se juntaram à causa, acabaram por fazer parte dela, contribuindo de alguma forma. Não nos esqueçamos de muitos brasileiros (ou não) em países distantes que decidiram apoiar a sua nação no momento em que ela mais precisava. E não, eu não estou falando da Copa do Mundo.




[caption id="attachment_1780" align="aligncenter" width="470"]patycosta2 Foto: Patrícia Costa[/caption]

De um modo ou de outro, o aumento das tarifas de transporte foi um estopim para a luta que começou com a dita Revolta do Vinagre ou Revolta da Salada devido ao absurdo que se constituiu no ataque a manifestantes indefesos por parte de uma polícia paulistana despreparada para lidar com essa situação tão inovadora (só que não) de protestos pacíficos que envolvem muitos cidadãos. O comentário irônico se deve aos caras pintadas, que movimentaram a política do país há tantos anos e foram relembrados nas últimas semanas em um comparativo com a geração atual.


Revolta-da-Salada


A verdade é que não sabemos como será o futuro do país. Muitos pais que viveram épocas de repressão nos alertam, ainda que de forma um pouco agressiva, para a possibilidade de retorno da Ditadura. O cenário pode ser parecido em alguns aspectos, mas gosto de acreditar que, se a História não vale à sociedade em nada mais, ao menos nos ensina algo do passado. E, mesmo que não saibamos exatamente o que queremos, aprendemos com as experiências de outros e sabemos o que não queremos.


Ao participar de uma dessas manifestações, senti um nacionalismo que sequer imaginava ter, um orgulho em cantar o hino nacional e pedir por um país melhor para mim e para todos os que estavam ao meu lado. Fiquei, ainda, surpresa ao ver parte grande parte do centro financeiro da cidade do Rio de Janeiro se unindo à causa de jovens estudantes ditos rebeldes. Isso me deu confiança, porque, se nada mais, estamos certo de ainda ter esperanças.

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