Navigation Menu

Manifestações - o que você não viu na TV

Por Paula Fernandes


Em Junho deste ano, iniciaram as manifestações contra o aumento das tarifas de transportes públicos, mas depois o movimento ganhou diversas pautas. O povo brasileiro foi para as ruas manifestar as diversas insatisfações e reivindicar os seus direitos. Há um lado que questiona os rumos de um "movimento livre"; há quem diga que se trata de um movimento de extrema direita. Ambos não podem negar a força da mobilização ocorrida através das redes sociais e do movimento nas ruas.

A mudança de discurso da imprensa

No início do ato, os manifestantes eram citados como vândalos e os policiais estavam apenas protegendo o patrimônio contra as atrocidades das pessoas. Após a Polícia Militar atacar truculentamente a imprensa, o discurso dos jornais e da televisão mudou completamente. O protesto começou a ser apoiado e a intenção pacífica por parte da maioria dos manifestantes foi ressaltada.

Arnaldo Jabor chamou atenção em relação à mudança do discurso. O comentarista da CBN gerou polêmica no dia 13 de Junho, num spot chamado "Revoltosos de classe média não valem 20 centavos". Ele afirmou que a classe média não precisa protestar por causa de 20 centavos, a polícia é vítima, e a causa do protesto é a ausência de causas.

No dia 17 de Junho, o discurso mudou. A legenda do comentário foi "Amigos, eu errei. É muito mais do que 20 centavos". O Jabor falou sobre a violência da polícia e disse que desde 1992 faltava o retorno de algo como os caras pintadas - o movimento que derrubou o presidente. E defendeu que a energia das manifestações deve que ser canalizada para melhorar o país.

A divisão do movimento

A internet trouxe uma novidade: possibilitou um movimento "sem liderança" e onde as pautas eram decididas por enquetes. Por um lado, a heterogeneidade de propostas deu ao movimento um posicionamento mais livre em relação aos participantes, por outro, a falta de um direcionamento deu espaço para a ascensão de causas mais conservadoras.

A participação de pessoas com bandeira de partidos foi um dos desentendimentos entre os manifestantes. Algumas pessoas justificaram serem contra as bandeiras por ser um movimento sem partidos e que a população estava sendo utilizada como massa de manobra. Outras, afirmavam que todos podem manifestar a sua opinião e que negar esse direito é uma atitude de extrema direita, muitas vezes denominada fascista. Outra divisão foi sobre o nacionalismo exacerbado - "o orgulho de ser brasileiro", "a pátria amada, idolatrada" . Os contrários a esse ponto de vista argumentam que o hino forja uma unidade nacional.

Protestar virou moda

Houve diversas críticas nas redes sociais sobre o modismo nas manifestações. Algumas meninas pareciam estar na passarela. Mas não se trata só de estilismo. Algumas pessoas foram só para marcar presença, para dizer que foram, a ida à manifestação valeu por uma foto no instagram. A questão que fica é a seguinte: será que realmente queriam lutar por um Brasil melhor? Algumas sequer sabiam os motivos das manifestações. Há inclusive vendas online de camisas personalizadas, com as frases que foram popularizadas no movimento: "saímos do facebook! #vemprarua" e "Desculpe o transtorno, estamos mudando o Brasil".

A estilista pop, Glória Kalil, publicou em seu blog "Chic" o artigo "Moda para o protesto, roupa de guerra". Embora o artigo dê algumas orientações sobre como se proteger, ele foi muito criticado nas redes sociais , principalmente no twitter, por ser tratado como uma tendência, um "manual de instruções" sobre a roupa certa para ir ao protesto.

O discurso que a TV não mostrou

As diversas pautas abriram espaço também para alguns oportunistas. Havia rumores de um golpe de extrema direita. Pessoas saíram às ruas com bandeiras "VOLTA DITADURA MILITAR", "Fora Dilma". O discurso "Sem Partido" e a violência às pessoas que levantaram a bandeira de partidos comunistas, reforçaram a ideia de um movimento fascista. Os manifestantes que defendiam as bandeiras dos partidos levantaram a questão de estarmos vivendo numa democracia, e por isso todos temos o direito de manifestar as opiniões.


A violenta ação da Polícia Militar reforçou o poder autoritário do Estado. Alguns dizem que"A PM é a força do estado". Nas redes sociais, circularam diversos relatos das violências cometidas pelos PMS não só em "vândalos", mas em manifestantes pacíficos. Enquanto isso, a TV reforçava "a Avenida Rio Branco Lotada" e o vandalismo cometido no final dos protestos.

De fato, é preciso a reflexão dos profissionais da comunicação sobre a ação de compactuar com a restrição das informações ou optar por uma imprensa mais livre. Essa reflexão tem a possibilidade de enfraquecer o discurso da imprensa hegemônica e fortalecer a imprensa contra-hegemônica.

[caption id="attachment_766" align="aligncenter" width="470"]Crédito: Vitor Vogel Manifestação no RJ. Crédito: Vitor Vogel[/caption]

[caption id="attachment_764" align="aligncenter" width="470"]Manifestação no RJ. Crédito: Vitor Vogel Manifestação no RJ. Crédito: Vitor Vogel[/caption]

[caption id="attachment_763" align="aligncenter" width="470"]Manifestação no RJ. Crédito: Vitor Vogel Manifestação no RJ. Crédito: Vitor Vogel[/caption]

[caption id="attachment_761" align="aligncenter" width="470"]Manifestação no RJ. Crédito: Vitor Vogel Manifestação no RJ. Crédito: Vitor Vogel[/caption]

[caption id="attachment_762" align="aligncenter" width="470"]Manifestação no RJ. Crédito: Vitor Vogel Manifestação no RJ. Crédito: Vitor Vogel[/caption]

[caption id="attachment_765" align="aligncenter" width="470"]Manifestação no RJ. Crédito: Vitor Vogel Manifestação no RJ. Crédito: Vitor Vogel[/caption]

0 comentários: