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Uma alternativa para quem não tinha alternativas

[caption id="attachment_1000" align="aligncenter" width="470"]maceds Foto: Victor Caivan[/caption]

*Por Marcela Macêdo


O mês de junho de 2013 mudou o rumo do Brasil e dos brasileiros. Não foi mais o mês em que os jornalistas estavam preparados para pautar a Copa das Confederações e o amor ao futebol. Não foi mais o mês conhecido pelo amor romântico no ar devido ao dia dos namorados. Na retrospectiva de final de ano (não a da Globo, obviamente) veremos outro amor. Um amor mais intenso, que vem munido de outros sentimentos, com ênfase em um valor de extrema importância e de grande (lamentavelmente) carência; a JUSTIÇA. Em caps lock, para causar estranhamento mesmo, um estranhamento que espero ser maior do que a acomodação vivida durante anos, por um povo brasileiro que demorou a perceber as coisas estranhas (leia-se absurdas) que acontecem em nosso país e muitas vezes não são pautadas, pelo simples fato das pautas estarem ocupadas demais com outros amores.


É de extrema complexidade resumir em algumas folhas de papel o que ocorreu nas últimas semanas. Talvez nem os livros de história do futuro, provavelmente nem o melhor dos artigos e certamente nem o melhor canal de TV conseguirá definir bem com palavras os motivos que levaram toda aquela gente a sair de suas casas para lutar. Lutar por reformas políticas, lutar contra o preconceito e contra a corrupção, lutar contra o aumento das passagens, por mais saúde e educação, lutar acima de tudo, por DIGNIDADE E DIREITOS. Em Caps lock novamente, dessa vez para ressaltar a importância da causa.


Uma causa defendida por milhares de rebeldes (Sim, eles têm uma causa!) que protestaram durante semanas. Infelizmente sem o apoio, ou com o pseudoapoio de quem está no poder. Ou ainda pior e lamentável, sem o apoio, ou com o pseudoapoio do quarto poder (Aquele poder sabe? Aquele criado para defender o povo e representá-lo!). A mídia mais uma vez se absteve e mais uma vez mostrou seu caráter conservador e manipulador, extrapolando os limites da mera e aceitável persuasão, para mergulhar fundo na dominação.


Dominação e manipulação veladas e disfarçadas, o que torna a situação ainda mais ridícula e preocupante. O corte de câmera em momentos estratégicos; a ênfase nas exceções que infelizmente tentam burlar os movimentos; o uso de palavras inadequadas para caracterizar os manifestantes; o espaço extremado para as justificativas daqueles que já têm muito espaço, na tentativa de dar ainda mais voz para quem já tem muita voz e pouca coisa a dizer; o perigoso silêncio; o falso pedido de desculpas quando o erro torna-se notório.


Se hoje existem as mídias alternativas é unicamente porque as tradicionais não nos representam. Se hoje existem pessoas sem a formação adequada para noticiar é porque os formados já caíram no buraco negro da “desapuração”, seja por falta de forças, por falta de tempo ou até por falta de vontade (leia mais). Se hoje as mídias digitais contribuem muito mais do que aquelas folhas de papel escritas, a que chamamos de jornal, não é só porque os tempos mudaram, mas também porque em tais folhas já não cabem a voz do povo e as reivindicações de mudanças. Não é falta de esperança nos jornais, é falta de esperança em quem os comanda atualmente.


Sim, o midialivrismo também é uma forma de sair das amarras e uma maneira de se protestar. Sim, não podemos ser inocentes ao ponto de crer que este está completamente limpo e isento da desinformação, afinal não podemos assegurar o bom caráter e a competência de quem digita do outro lado da tela. Porém, é inegável que em meio à falta de alternativas para se obter voz, as redes sociais são uma maneira eficaz de proliferar a voz, e mais do que isso, de unir as vozes e fazer com que as mesmas saiam às ruas com todo o seu pluralismo.


* Marcela Macêdo é estudante de Jornalismo na UFF. 


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