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Vai dar cinema!

Por Igor Pinheiro e Luiza Gould







Perda, solidariedade, perseverança e a descoberta de um amor fraternal. Esses são os sentimentos por trás da relação entre Dora, uma mulher solitária que escreve cartas para analfabetos na Central do Brasil, e Josué, um menino de 9 anos que precisa procurar seu pai após perder a mãe em um acidente. Dora sai junto a Josué em sua busca numa longa viagem até o sertão na qual eles aprendem a conviver como mãe e filho. O filme é um retrato da vida de pessoas que têm que migrar pelo país em busca de parentes ou de um futuro mais próspero. Para a professora da UFF, produtora e diretora Aída Marques, "Central do Brasil", da Rio Filme, foi um marco e mudou a história do cinema brasileiro que estava sendo escrita até então.


“Fora do Brasil é o filme, depois de "Cidade de Deus", mais conhecido. Foi um filme muito importante porque ele, em um momento difícil da produção do cinema nacional, projetou o país e as pessoas começaram a ver que era possível fazer cinema de novo.” opina.


"Central do Brasil" fez parte do processo de retomada do cinema brasileiro, que durante cinco anos permaneceu adormecido. Esse  hiato foi reflexo da política de Collor de corte de verbas para o cinema, em 1990. A produtora Globo Filmes também teve papel de destaque nesse período, o que se mantém até os dias de hoje. Apesar da hegemonia, muitos questionam os enredos parecidos dos seus longas, voltados para uma audiência de massa. Aída Marques analisa essa dicotomia presente nas opiniões ao redor da produtora, com um olhar crítico em relação ao viés artístico de seus filmes.


“Não podemos deixar de reconhecer esse lado. Agora a Globo faz uma sinergia entre todos os veículos que ela tem. Eu acho que esses filmes têm um papel dentro do mercado, ajudam a trazer um público para o cinema. Mas, fora do Brasil, não passa em lugar nenhum, em nenhum festival. São mais telefilmes do que filmes para sala de cinema. Têm, assim, uma importância mais na economia do cinema. Vale a pena como comercialização, mas não como um projeto de cinema brasileiro”, pondera. Diante dessa visão, Aída traz à tona o questionamento, por enquanto sem resposta, de até onde é válida a inserção de um espectador no público desse cinema de massa, para que depois ele possa se aprofundar na essência do cinema.




[caption id="attachment_1146" align="alignleft" width="205"]2013-07-10 14.51.05 Professora Aída Marques atesta mudança em relação a prática de ir ao cinema, mas declara que continua sendo necessário o patrocínio/ por Igor Pinheiro   [/caption]

Outro ponto polêmico para a professora é o futuro do cinema brasileiro enquanto espaço. Segundo ela, as pessoas estão perdendo o hábito de ir ao cinema, por conta da tecnologia que possibilitou assistir a filmes em qualquer lugar e a qualquer hora. “ A experiência da sala de cinema que é, a princípio, insubstituível, você vai perder. Você vai ver o filme em outras condições. Tanto essas condições físicas, quanto o ritual que é ir ao cinema com outras pessoas, tomar um café, conversar sobre o filme. São todas essas coisas que agora estão em jogo e vão mudando a maneira de ver filmes. Então é preciso encontrar uma equação comercial. Sem uma equação comercial o cinema acaba”, conclui Aída.


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