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Confeitaria Colombo: Um século de histórias

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Por Mianon Nascimento


Maître da Confeitaria Colombo há 13 anos, Marcelo Teixeira, 43 anos, pescava para aproveitar as férias que tinha acabado de tirar quando o celular toca. Ele atende e ouve a voz que há dez anos liga no mesmo horário sempre com o pedido:


- O senhor pode reservar a mesa do canto para o Dr. Olivieri almoçar?


Antônio Oliveiri, 79 anos, é empresário e almoça religiosamente na Confeitaria Colombo, não por que trabalha ao lado do local, mas por freqüentar a casa desde adolescente. Por causa dele, o almoço que era servido a partir de 12h, foi transferido para as 11h30. O fiel cliente chegava à Colombo antes da refeição ser servida e tinha que esperar. Quando jovem Olivieri ia com os pais ou amigos tomar o tradicional chá da tarde, segundo ele toda a sociedade da época se reunia na Confeitaria.
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Desde o surgimento em 1894, a Confeitaria Colombo é parte da história da cidade do Rio e da vida de pessoas como Antônio Olivieri e Delfim Joaquim, 56 anos. Joaquim, como é chamado pelos funcionários, trabalha na casa há 28 anos. Começou lavando tanque na fábrica de doces que fica em um dos sete andares do prédio da famosa Confeitaria. De lá para cá, teve várias funções no local, já foi ajudante de cozinha, vendedor e hoje é chefe e supervisor do setor de salgados. No trabalho teve a oportunidade de conhecer muitos famosos que freqüentaram o lugar, ficou amigo, inclusive, de Francisco Horta, presidente do Fluminense, tamanha assiduidade do cliente. Em outros tempos a Confeitaria foi ponto de encontro de artistas, políticos e intelectuais importantes da nossa história – como Chiquinha Gonzaga, Olavo Bilac, Rui Barbosa, Villa-Lobos, Lima Barreto, José do Patrocínio, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.


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A Confeitaria Colombo é um dos pontos turístico do Centro do Rio de Janeiro. O local é patrimônio cultural e artístico da cidade. Foi fundada por imigrantes portugueses que importaram a elegância e requinte de cafés europeus inspirados na Belle Époque. A arquitetura do ambiente tem um toque do estilo art nouveau, com amplos salões e enormes espelhos de cristal. Uma abertura no teto do pavimento térreo permite ver a clarabóia do salão de chá, decorada com vitrais. Baixelas de prata portuguesa, louças da Cia Vista Alegre, mais de 500 cardápios antigos, fotos e embalagens de produtos comercializados pela Confeitaria fazem parte da decoração do local.


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Mayara Canto, Roberta Russo e Tayene Cristina todas com 18 anos e moradoras do Rio de Janeiro foram conhecer pela primeira vez a Confeitaria Colombo levadas para uma visita em grupo pelo professor de Biologia, Anselmo Alves, 32 anos. Anselmo pretendia observar com os alunos o comportamento social no ambiente. O professor escolheu a Colombo pela história que este local carrega. Pessoalmente também vai com freqüência à confeitaria. Inclusive, já comemorou aniversários por lá. Anselmo acredita que a Colombo é um espaço para levar pessoas especiais.


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Há 94 anos em atividade a confeitaria Colombo ajuda a escrever a narrativa urbana do Rio de Janeiro e de pessoas como Marcelo Teixeira, Antônio Oliveiri, Delfim Joaquim, Anselmo Alves e tantas outras. Conhecer a Colombo é sem dúvida entrar em contato com diferentes momentos da história.


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3 comentários:

  1. Fernanda Costantino21 de agosto de 2013 11:26

    que matéria delícia de ler! colombo é incrível. amo aquele lugar!

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  2. A matéria tá linda, mas a data esta errada em "Desde o surgimento em 1984".

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  3. […] originalmente, no jornal O Casarão, uma produção dos alunos do curso de Jornalismo da […]

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