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Lá é pra curtir, pra relaxar e deixar a mente se acalmar.

Por Patrícia Fernandes

Entrevista com a estudante de Economia da UFF, Stéphanie Lopes.
Ela conta como conheceu o café mais antigo do Rio de Janeiro e qual sua relação com ele.

Você disse que conheceu a Cavé através da sua mãe.


Pode contar um pouquinho como foi isso?


Foi há uns 3 anos. Eu tinha acabado de entrar de férias na UFF e fui encontrá-la no Centro. Comentei que estava já há alguns dias com um desejo por uma coxinha de frango e ela disse que me levaria pra comer a melhor coxinha da minha vida. Quando chegamos lá, vivi uma mistura de sensações muito intensa. Uma sensação de acolhimento, de fim da correria de final de período, de calma e, principalmente, de saciedade, porque eu estava realmente com muita fome. A primeira coxinha de frango com requeijão foi praticamente engolida de uma só vez. Precisei pedir mais... Acho que comi umas três. Até o café com leite estava sensacional. Foi uma lanche completo, digno de casa de avó.




Quando chegamos lá, vivi uma mistura de sensações muito intensa. Uma sensação de acolhimento, de fim da correria de final de período, de calma e, principalmente, de saciedade, porque eu estava realmente com muita fome.



E a sua mãe? Como conheceu a Cavé?


Na década de 70 minha mãe foi ao médico no Centro com a mãe dela, que, depois da consulta, a levou lá pra lanchar. Desde então minha mãe é apaixonada por lá e nunca mais parou de frequentar. Ela fez faculdade no Centro e até hoje trabalha lá, e a Cavé é pra ela uma forma de escapar de toda a loucura que é o Centro da cidade. Lá ela pode se sentar em paz, tomar uma média enquanto lancha, conversar em paz sem aquele clima de pressa tão típico de todos os outros lugares em volta.




Na década de 70 minha mãe foi ao médico no Centro com a mãe dela, que, depois da consulta, a levou lá pra lanchar. 




Vocês já fizeram algum tipo de programa geracional, do tipo mãe, filha, avó no café?


Mãe, filha e avó não.. mas já fui diversas vezes com a minha mãe e amigas dela.. e também, num dia de turista pelas redondezas com uma prima minha nascida na Suíça que passava férias aqui, a levei à Cavé para descansarmos e comermos. Associo bastante a Cavé a "descanso", porque é realmente como se estivesse dando uma pausa daqui, me transportando daquelas ruas lotadas de gente pra outro bairro, ou melhor, outra época. Uma época em que não era necessário comer andando e falando no telefone pra não perder tempo, levando o resto "pra viagem" pra poder voltar pra frente do computador. Lá é um lugar pra se aproveitar. Minha prima ficou super encantada. Só fomos embora depois da terceira sobremesa.




[caption id="attachment_2128" align="aligncenter" width="282"]Cartão da Casa Cavé Cartão da Casa Cavé.
Imagem: Patrícia Fernandes.[/caption]

Como você se sente lá, sua relação com a Cavé é permeada por alguma sensação de suspensão no tempo, onde é possível relaxar do stress do Centro nervoso do Rio ou é simplesmente um lugar ao qual você vai rapidamente, sem um contato mais profundo?




Lá eu sinto que posso respirar. Talvez pela maioria dos frequentadores já ser de longa data, com uma idade mais avançada, o lugar consiga preservar um estilo de vida diferente... bem menos estressado que o nosso.



Sempre que vou à Cavé é quando estou precisando fugir da realidade. Até quando te levei lá, lembro que era porque a gente precisava desesperadamente sair um pouco do escritório hahahaha Lá eu sinto que posso respirar. Talvez pela maioria dos frequentadores já ser de longa data, com uma idade mais avançada, o lugar consiga preservar um estilo de vida diferente... bem menos estressado que o nosso. Gosto de ir lá pra poder sentar, olhar bem o cardápio, mesmo que eu tenha certeza de que vou acabar pedindo a coxinha hahahaha Se for pra comer com pressa, prefiro ir à outro lugar. Lá é pra curtir, pra relaxar e deixar a mente se acalmar. É como se fosse o meu "cantinho". Os apressados nem chegam ao salão, porque é possível fazer pedidos no balcão também naquele corredor da entrada. Lá é pra quem quer desfrutar de todos os mimos que a confeitaria pode proporcionar.


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