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Maré e Leblon: dois pesos, duas medidas

“Um tiroteio na favela da Coreia é uma coisa, em Copacabana é outra”, José Mariano Beltrame, Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, em entrevista à imprensa, 2007.

        A infeliz declaração do atual chefe de segurança do Rio, há seis anos, historicamente reverbera nas ações policiais. Mais do que isso, é legitimada na cobertura da grande imprensa e gera uma pergunta: a dignidade tem CEP? Durante os atos para reivindicar direitos nos meses de junho e julho, a truculência policial contra os manifestantes gerou muita polêmica nas redes sociais e reacendeu o debate sobre as ações da corporação e suas consequências. Em meio à onda de críticas à PM por usar bombas de efeito moral e gás de pimenta nos protestos, houve dois episódios que sintetizam a ação distinta das ofensivas militares em diferentes pontos da cidade: a fatídica operação no Complexo da Maré, comunidade na Zona Norte do Rio, na madrugada de 25 de junho, em que dez pessoas foram mortas; e os protestos em frente à casa do governador Sérgio Cabral, no Leblon, quase um mês depois, 17 de julho, em que lojas foram depredadas.


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No Complexo da Maré, durante uma incursão do BOPE na favela Nova Holanda, um policial morreu. No dia seguinte, policiais sem o aval do comandante da corporação entraram na comunidade e houve nove mortes. Andressa Lacerda, produtora cultural na ONG Observatório de Favelas, articula um coletivo com produtores culturais no bairro às terças, quintas e sextas. Terça, véspera da fatídica operação, ela disse que não conseguia chegar à Maré e nem ninguém podia sair da favela, por ordem do BOPE, que passara a noite na região. "Ouvi relatos de que foi muito tiro, invasões de casas, xingamentos e humilhações aos moradores. O Observatório de Favelas fez uma convocação de urgência na manhã seguinte e fomos lá fazer um apelo aos policiais para que saíssem. Conseguimos convencê-los a saírem após um dia de vigília", contou.


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No discurso jornalístico, ações como a da polícia na Maré são legitimadas pelas declarações oficiais, justificando as ações sob o argumento de que "os mortos tinham passagem pela polícia". O Estado democrático de direito é violado na medida em que o extermínio é legitimado - mais do que isso, é reivindicado.  Para o sociólogo Paulo Gajanigo, professor da Universidade Federal Fluminense, a ação do Estado é reflexo da ingerência das classes dominantes do Brasil: “A morte de indivíduos em situações obscuras, em parte, está relacionada com o medo de um setor da classe média e alta, mas em parte está na insensibilidade. A comoção é um sentimento de identificação. É como se não se sentissem na pele da mãe que perdeu o filho“.




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Gajanigo também lembrou do recente caso Amarildo, o pedreiro que desapareceu na Rocinha. Para o sociólogo, o fato só gerou repercussão na mídia devido ao momento de efervescência das ruas, que clamam por direitos. “O caso Amarildo fugiu da repercussão de costume pois ocorreu num momento de levante, de intensa discussão política. Na vida ordinária, esse caso não teria atenção. “



No Leblon, alguns manifestantes quebraram lojas e bancos, em ato pela renúncia do governador Sérgio Cabral. A repercussão foi a esperada para um ato na zona Sul carioca: Cabral imediatamente convocou uma reunião de emergência com a cúpula de segurança do Estado.










Até quando a dignidade terá CEP?

Um comentário:

  1. Verdade seja dita, esses manifestantes não estão nem aí para o Rio, só querem mesmo é uma desculpa pra destruir tudo e arranjar confusão.

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