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Nas areias de Copacabana

Por Fernanda Costantino


O calçadão da praia de Copacabana tem parada obrigatória: próximo ao Hotel Othon e o Museu da Imagem e do Som  estão as esculturas de areia de Rogean Rodrigues, as preferidas entre os turistas. De short, camiseta e boné, o artista chega à praia de carro. Quem o conhece, não imagina que Rogean já viajou por todo o mundo e recebe contratos de trabalhos de até R$ 15 mil por uma escultura. Ex-engraxate e ex-vendedor de balas, ele possui empresária, segurança para garantir a integridade das suas obras e até apartamento próprio. Mesmo assim, não perde a simplicidade de garoto, nascido e criado no Pavão-pavãozinho.

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CASARÃO: Como você começou a esculpir nas areias das praias?

ROGEAN: Aos 12 anos, eu estava passando pela praia de Copacabana e conheci Alonso Gomes, colombiano que já fazia o trabalho de esculturas de areia. Na época, eu morava na Comunidade do Pavão Pavãozinho, engraxava sapatos e vendia balas para ajudar minha mãe em casa. Eu sempre fui muito curioso e comecei a perguntar como ele fazia aquelas esculturas. Alonso me ensinou tudo e chegou a montar uma escolinha para ensinar também outros meninos que queriam aprender. Depois de um tempo, comecei a trabalhar com ele e a gente  viajava por toda a América Latina com o  dinheiro que recebíamos com as obras.

C: Quando começou a trabalhar sozinho?

R: Há sete anos mais ou menos, eu decidi que queria morar de vez no Brasil. Já tinha conseguido juntar um dinheiro, já tinha conhecido minha mulher e queria ter um filho, que hoje já tem seis anos. Então, parei de viajar com o Alonso e comecei a trabalhar de vez em Copacabana. Em 2007, durante os Jogos Pan-Americanos no Rio, a SporTV veio me procurar para oferecer um contrato: eles queriam que eu construísse um maracanã de areia na orla. Foi meu primeiro grande trabalho, o que me deu confiança para seguir sozinho e ainda me rendeu vários novos contratos. Com os trabalhos que vieram a seguir, eu consegui comprar um apartamento próprio e ainda comprar outro para minha mãe.

C: Como é a sua rotina e como você faz suas obras?

R: Para fazer as esculturas, é preciso ter muita paciência. Eu levo entre duas semanas e dois meses para terminar cada trabalho. Depois de todo o cuidado, eu passo um fixador usado na construção civil. Só assim, as obras ficam resistentes a sol, chuva e vento. Apesar disso, ainda preciso contratar alguém para tomar conta e não deixar ninguém destruir o trabalho (o que já aconteceu). Todo mês, eu faço as esculturas em Copacabana. Podem ser relacionados a um tema recente ou algum pedido que recebo. Minha rotina é boa, pois tenho liberdade para tudo, faço meus horários e conheço todos os tipos de pessoas, que normalmente estão de férias, alegres e descontraídas. Além disso, eu recebo contratos maiores, de hotéis por exemplo, que são fechados pela minha empresária. Já recebi trabalhos do Citibank, Goodyear e Stock Car, e de hotéis em todo o mundo, como uma vez que fui até as Ilhas Maldivas, na Ásia. Eu adoro fazer as viagens e graças aos contratos eu já pude conhecer quase o mundo todo. Mas eu gosto mesmo é de trabalhar aqui na praia, no Rio. Eu recebo o público, converso, tiro foto para os turistas. Nos finais de semana, sempre venho para a praia e minha família vem junto, meu filho brinca na areia, anda de bicicleta pela orla. É maravilhoso trabalhar aqui. E já tenho projetos para trabalhos durante a Copa e as Olimpíadas, não só na cidade, mas no Brasil todo.

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