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A carne é fraca

Para médicos, os adeptos da dieta ecologicamente correta devem redobrar atenção com a saúde


Por Daniele Barbosa


Quase dois terços do desmatamento da Amazônia Legal está ligado à pastagem de animais, segundo estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). De acordo com Ibope, 8% dos brasileiros se declaram vegetarianos, porém uma ala mais radical defende o veganismo, uma dieta sem nenhum tipo de alimento ou produto que contenha substancias de origem animal. A filosofia é baseada numa consciência ecológica mais ampliada, mas pode trazer implicações à saúde.

Vegetariana há 15 anos e vegana há três, a produtora de cinema Fernanda Mayrinck acredita que a humanidade precisa se tornar inofensiva e isso envolve, também, hábitos alimentares.

“A indústria de laticínios mata tanto quanto a de carnes. As galinhas são mantidas a base de hormônios. Mas não é só uma questão de saúde. A indústria que mata os animais é cruel e existe uma engrenagem política por trás que precisa ser desmascarada”, defende a produtora.

[caption id="attachment_3082" align="aligncenter" width="300"]Veganos Fernanda Mayrinck: ativista da causa animal e vegana[/caption]

Para Sérgio Venuto, a opção pelo veganismo se deu por não encontrar leite e ovos produzidos com base no respeito ao animal. “Por um ano não comi ovo nem derivados de leite, pois não encontrava galinhas e vacas felizes. Quando achei produtores que criavam galinhas soltas, passei a comer ovo. O mesmo aconteceu com as vacas. O grande detalhe era resolver a questão da vitamina B12 [essencial para as funções cognitivas e encontrada em alimentos de origem animal]. Eu não queria tomar comprimido da vitamina para repor algo que encontro na natureza”, argumenta.

De acordo com o médico ortomolecular Ícaro Alcântara, especialista em homeopatia pela Associação Médico Homeopática Brasileira, a preocupação dos veganos com a saúde deve ir muito além da reposição de vitamina B12. Embora a pessoa fique livre de algumas toxinas geradas pelo consumo da carne, Alcântara ressalta que as proteínas animais possuem uma rica variedade de aminoácidos e o vegano deve ter um acompanhamento nutricional rigoroso para não se prejudicar. Dentre os perigos, o médico ressalta anemia e dificuldades maiores com o controle da glicose.

Para Eduardo Almeida, PhD em Saúde Coletiva e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), o discurso do vegano é politicamente correto, porém adotar a dieta e ter uma alimentação 80% baseada em trigo e outros carboidratos é arriscado. Além disso, o médico explica que, por consumir mais vegetais, o vegano precisa estar mais atento à questão do agrotóxico.

“Para se ter um aporte grande de aminoácidos sulfurosos, encontrados principalmente na proteína animal, tem que ser praticado um veganismo de alta qualidade, que significa a ingestão alta de alimentos fermentados, germinados, crus, e tudo orgânico”, explica o médico.

Ele ressalta ainda que há pessoas que, mesmo tomando todo cuidado, não se adaptam. O médico sugere para quem quiser tentar o veganismo observar com atenção os sinais do corpo. Sintomas como perda de massa magra, cansaço, irritabilidade, má digestão e perda do brilho da pele e dos olhos, segundo Almeida, apontam para um sinal amarelo e podem indicar a hora de rever a opção.

Só para o especialista em Nutrologia Eric Slywitch, o veganismo não apresenta maiores riscos para a saúde e seus adeptos não precisam procurar um médico com mais frequência que carnívoros.

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