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Machismo vs feminismo, a falsa dicotomia

[caption id="attachment_3159" align="alignleft" width="231"]"Sim, nós podemos fazer isso". Foto: Imagem da Internet "Sim, nós podemos fazer isso". Foto: Imagem da Internet[/caption]

Por Mayara Azevedo e Natália Nunes


Feminismo é o oposto de Machismo? Essa questão confunde muita gente. Não, não é. Machismo é a dominação do homem sobre a mulher. Feminismo é a busca por direitos iguais para as mulheres e homens. Ao contrário do que muitos pensam os dois termos não são análogos. O machismo, por definição, é anti-mulher, mas o feminismo não é anti-homem. O inimigo do feminismo não é o homem de carne e osso, mas sim a estrutura machista da sociedade.


Contudo, existe outra vertente de pensamento que difere do feminismo na forma como esta vê a libertação da mulher, que é o femismo, um neologismo criado para que não houvesse confusão com o feminismo.




[caption id="attachment_3163" align="aligncenter" width="150"]Cantadas. Foto: Imagem da Internet Cantadas. Foto: Imagem da Internet[/caption]

Segundo a 7ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2012 foram registrados 50.617 casos de estupro no país, número superior ao de homicídios dolosos (47.136). Ou seja, a cada dia, 138 vítimas vão à polícia relatar um estupro. Por hora, seis pessoas buscam o Estado para procurar justiça. Em relação a 2011, houve um aumento de 18,17% nos casos de estupro registrados.


Para diminuir e, futuramente, extinguir o estupro, não basta simplesmente não estuprar: é preciso não alimentar a cultura do estupro. A violência contra a mulher não acontece num vácuo, mas é possibilitada por todo um contexto de piadas machistas, de objetificação feminina, de controle do corpo da mulher. E quem cria esse contexto são tantos os homens quanto as mulheres.


Recentemente, o vídeo íntimo da estudante goiana Fran, divulgado sem o consentimento dela, gerou bastante repercussão. No vídeo, de 13 segundos, Fran aparece em um ato sexual, e ao final faz o sinal de OK. Muitas pessoas compartilharam o vídeo e repetiram o gesto, colocando-a como culpada por ter sido exposta dessa maneira e criticando-a como apenas mais uma “vagabunda que se deixou filmar”.


A jovem Julia Rebeca também teve um vídeo íntimo divulgado na internet. Só que esse caso chegou ao extremo, e a adolescente se suicidou, após deixar uma mensagem no Twitter e no Instagram: “Eu te amo, desculpa eu n ser a filha perfeita mas eu tentei… desculpa eu te amo muito mãezinha (…) Guarda esse dia 10.11.13 [sic]“.


Para Fabi Bordada de Flor, 22 anos, estudante de história, que é uma das organizadoras da Marcha das Vadias de Niterói, que luta, entre outras coisas, por igualdade e liberdade para as mulheres, esse tipo de opinião é influenciada pela educação patriarcal e machista que existe na sociedade “O capitalismo precisava criar estruturas familiares, heranças e filhos legítimos. Dessa forma tornou a mulher tão propriedade do homem quanto as terras e seus filhos. É então que a mulher é encarcerada dentro de casa e protegida por seu homem. A educação patriarcal propagandeia essa ideia e as pessoas a reproduzem. Todo mundo faz sexo, mas a educação machista ainda propagandeia uma falsa moral. Será que se fosse o contrario, se o tal rapaz fosse filmado e o vídeo aparecesse na internet, a pergunta seria a mesma?”


Casos como esses que vêm se tornado recorrentes no Brasil inspiraram o deputado federal Romário a apresentar o projeto de lei que transforma em crime a divulgação indevida de material íntimo. Em recente entrevista para uma revista, ele afirmou “nossa sociedade costuma julgar as mulheres. É como se o sexo denegrisse a honra delas”.




[caption id="attachment_3160" align="aligncenter" width="188"]Nem santas, nem putas, somente mulheres. Foto: Imagem da Internet Nem santas, nem putas, somente mulheres. Foto: Imagem da Internet[/caption]

Breve história da conquista feminina no Brasil


Durante todo o século XIX, os direitos civis das mulheres eram alvo de grandes discussões no Brasil. Só em 1827 as brasileiras ganharam direito a cursar educação elementar, enquanto a admissão nas faculdades veio em 1879. A primeira partida de futebol feminino foi disputada em 1921. Sete anos depois, as mulheres conquistaram o direito de participar dos Jogos Olímpicos, e o Barão de Coubertin, idealizador dos jogos, renunciou à direção do Comitê Olímpico, revoltado com esse “absurdo”. Nas Olimpíadas seguintes, em 1932, o Brasil mandou sua primeira atleta, única integrante feminina da delegação, a nadadora Maria Lenk. Em 1964, o futebol feminino foi proibido no Brasil, decisão que somente seria revogada em 1981. O direito ao voto somente foi conquistado em 1932. A primeira senadora, uma suplente, tomou posse em 1976. A primeira senadora eleita viria apenas em 1990.


Ninguém, no Brasil de 1850, conhecia mulheres médicas e mulheres não-médicas, mulheres atletas e mulheres não-atletas, porque não havia a possibilidade de mulheres serem médicas ou atletas. O feminismo não acabou com a escolha feminina de tornar-se mãe e mulher. Pelo contrário. Ele pegou um mundo onde a mulher não tinha escolhas e o transformou em um mundo onde a mulher pode escolher ser médica ou não, ser do lar ou não, ser nadadora ou não.


Fonte:  As mulheres e os direitos políticos no Brasil

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