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Na Academia da Popozuda

Por Fernanda Costantino, Lara Vieira, Letícia Castro, Luísa Mello e Luiza Cunha


Quem vê o rosto da Valesca estampado na capa do projeto “Experiência Popozuda” não imagina que um dos objetivos do trabalho dos alunos de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense é filmar um curta metragem que relacione a polêmica figura do funk com a famosa personagem de Gustave Flaubert, Madame Bovary.

Considerada pelo grupo a “nova figura popular feminista”, Valesca usa sua sensualidade como forma de expressão e as letras de suas músicas para retratar o cotidiano da mulher do morro, rompendo o costume da sociedade, como fazia a personagem de Flaubert. A ideia do curta- metragem é que Valesca viva uma saga erótica e amorosa de sua personagem através de narrações inspiradas em algumas de suas músicas.

Confira a entrevista com Hiran Matheus, diretor do projeto “Experiência Popozuda” e não deixe de conferir o trabalho dos alunos da UFF.

Porque vocês escolheram a Valesca como tema do projeto?
A Valesca foi escolhida como alma do projeto, pois ela carrega a essência do funk feminino moderno, as músicas dela têm um ar de liderança. O filme quer representar essa alma feminina presente nos morros, mas diferente do samba. O Rio de hoje é um Rio moderno, conectado com todo o mundo através de redes invisíveis, como a da internet. As comunidades sempre lutaram pela sua visibilidade e dessa luta surgem as experiências culturais mais incríveis.

Como você encara essa alma feminina no funk?
A alma feminina é o reflexo do Rio moderno e suas redes invisíveis. Se o samba é protegido por um senhor do morro, o funk é protegido pela senhora do morro.

De que forma a alma feminina no funk está relacionada ao movimento feminista?
Não dá pra exigir que uma mulher nascida no coração de uma comunidade tenha acesso às maiores figuras feministas. Tem gente que cobra um conhecimento acadêmico dessas mulheres, mas se esquece que tem forças maiores que impedem que a Academia chegue até a favela. Não é culpa do morador. Nossa vida é uma luta constante para conseguir fazer as conexões mais improváveis, unir o sagrado e o profano. Tomara que um dia todas as mulheres da favela tenham acesso ao ambiente acadêmico. Mas, até lá, tem que ser uma luta constante dos dois lados: de quem está dentro da Academia e tem uma visão carinhosa com essa causa e de quem está do lado de fora sedento por cultura. É uma guerrilha onde o sangue não precisa ser derramado.

Um comentário:

  1. […] Na Academia da Popozuda: Uma entrevista com o idealizador do projeto “A Experiência Popozuda“ […]

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