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Antes de se tornar ícone, Inglaterra foi protagonista em desastres no futebol

Thayuan Leiras


A Europa, mais precisamente a Inglaterra, viveu dois “momentos-chave” antes de se tornar o exemplo a ser seguido em termos de organização no futebol. Com o hooliganismo ainda com grande força nos anos 1980 e início dos anos 1990, os estádios europeus seriam irreconhecíveis para os que estão acostumados a, hoje, verem Messi, Cristiano Ronaldo e companhia em volta de torcedores seguros e bem acomodados, e duas tragédias foram determinantes para a mudança de postura da organização e dos Estados quanto à segurança nos eventos futebolísticos.


O cenário de desorientação de quem hoje cuida dos estádios e, inclusive, das novas arenas no Brasil também era facilmente reconhecível no velho continente, o que resultou nas tragédias de Heysel e Hillsborough, de 1985 e 1989, respectivamente. Para o jornalista britânico Tim Vickery, da BBC, os episódios mostraram a fragilidade de organização do futebol europeu.


“O desastre de Hillsborough mostrou que as lições de Heysel não foram aprendidas. Acho que o momento-chave foi Hillsborough. O desastre de Hillsborough mostrou como havia falta de planejamento. A ação da Polícia foi um desastre total, até porque a pessoa que estava à frente não tinha experiência. Foi um jogo extremamente importante para mostrar como o trabalho era primitivo e procurar melhorias”, disse o jornalista ao jornal LANCE!.


Ambos os acontecimentos foram marcantes por representarem dois diferentes erros de organização. Hillsborough, apontado por Vickery, diz respeito ao jogo entre Liverpool e Notthingham Forest, pela FA Cup de 1989, no qual simplesmente não houve controle do público que teve acesso às arquibancas após confusão do lado de fora do estádio. O resultado foram 96 pessoas mortas e 766 feridas.


Veja o desastre de Hillsborough registrado pela inglesa RTE TV
http://youtu.be/4SdGtCWrvlo?t=4m40s


O episódio de Heysel, na final da Liga dos Campeões de 1985, entre Liverpool e Juventus, na Bélgica, foi uma grande manifestação de hooliganismo. Após os confrontos e a falta de contenção da segurança, 39 pessoas foram mortas.


A confusão rendeu aos clubes ingleses cinco anos de exclusão de competições europeias e ao Liverpool, protagonista na barbárie, seis anos disputando apenas competições domésticas. Mas Heysel também proporcionou, em conjunto com Hillsborough, a visão de uma grande mudança na organização, materializada, na Inglaterra, na Footlball Licensing Authority (FLA), órgão ligado ao governo dedicado apenas a regular as ações do futebol no país e que ganhou total espaço no Relatório Taylor de 1990, após a sequência de barbáries.


“É importante ter um responsável. Ter uma cadeia de comando, de responsabilidade, é muito importante para distribuir tarefas e ajudar na identificação. Foi isso que a FLA significou”, encerrou o jornalista da BBC.


A emissora italiana RAI acompanhou a tragédia na final europeia
http://youtu.be/Wf51zMMSmks?t=1m30s

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