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Barbárie a meses da Copa levanta discussão sobre segurança: 'Temos que avançar'

[caption id="attachment_3573" align="aligncenter" width="470"]Batalha em Joinville deixou quatro feridos e dúvidas sobre organização (Foto: Reprodução) Batalha em Joinville deixou quatro feridos e dúvidas sobre organização (Foto: Reprodução)[/caption]

Thayuan Leiras

O submundo das torcidas organizadas, no Brasil, não é tão subterrâneo. As sedes, os integrantes, as alianças e as rivalidades são facilmente identificados pelos que se interessam pelo “mundo da bola”. Mas a organização destas facções é o que falta para a inteligência policial brasileira que cuida destes casos. Esta é a opinião do secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio Lima.


“A polícia tem completa condição de descobrir. Isso envolve também o Ministério Público. É preciso investigar e isolar esses torcedores violentos, não deixá-los participar dos jogos. Não é só torcida organizada”, disse ao jornal LANCE!.


A batalha campal nas arquibancadas da Arena Joinville, em Santa Catarina, na partida entre Atlético-PR e Vasco, na última rodada do Campeonato Brasileiro, além de estimular declarações pesarosas, levantou o debate sobre a precariedade da segurança nos estádios brasileiros e das punições praticamente homogêneas.


Sem defender novas estruturas de poder, o secretário-geral sugere uma mudança na lógica da segurança, seja particular ou pública, nos eventos futebolísticos.


“Segurança pública não depende só da polícia, e sim de vários atores. Temos que avançar a articulação - polícia, poder judiciário, organizadores. Da forma que atuamos hoje, fica um jogo de empurra para ver de quem é a culpa.”




[caption id="attachment_3575" align="aligncenter" width="470"]Pancadaria mostra arquibancadas desertas de segurança pública e particular (Foto: Reprodução) Pancadaria mostra arquibancadas desertas de segurança pública e particular (Foto: Reprodução)[/caption]

 Debate também envolve responsabilidade sobre segurança


Pelo Regulamento Geral de Competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), cabe ao clube mandante toda a organização na partida, o que envolve a segurança. Apesar de, no Brasil, ter se convencionado dedicar à Polícia Militar local toda a demanda, não caberia ao serviço público a responsabilidade por um evento privado. Dentro deste princípio, o Ministério Público de Santa Catarina vetou a ação da PM em toda a lógica de segurança em jogos de futebol. Logo no primeiro jogo, houve a barbárie de atleticanos e vascaínos na cidade catarinense.


Isto não mostra, porém, o equívoco da indicação do MP, e sim o trabalho ineficiente no setor, segundo Renato Sérgio Lima. O secretário defende que os organizadores arquem com os custos da organização, mesmo evolvendo órgãos públicos.


“A presença da Polícia Militar, tão somente, no estádio é extremamente oneroso Os grandes eventos poderiam adotar uma operação específica para eles. A prefeitura contrata policiais para que na folga atuem em policiamento de interesse  da prefeitura. Nada impede que as Polícias façam convênios com a CBF ou com a Fifa para que os policiais possam atuar devidamente fardados e remunerados”, indicou Lima, dando como exemplo modelo similar ao inglês pós-FLA, em que oficiais do setor público trabalham nos eventos, porém remunerados pelas organizações particulares.


Antes de se tornar ícone em organização no futebol, o cenário de abandono estrutural também era identificado na Inglaterra. Após dois desastres praticamente seguidos e a certeza da necessidade de mudança, o país criou a Football Licensing Authority (FLA), órgão especializado na organização do futebol inglês.

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