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Feira de São Cristovão, um pedacinho do nordeste na cidade maravilhosa

FeiraSaoCristovao 1Nordestinos buscam melhores condições de vida no sudeste e deixam sua marca no bairro carioca


Por Marcela Rochetti




[caption id="attachment_3517" align="alignleft" width="225"]1486877_556765511066312_1868121010_n Imagem de Padre Cícero na entrada da Feira[/caption]

Quem chega à Feira de São Cristóvão, logo sente aquele ar vindo do nordeste brasileiro. O forró típico compete com a mistura de sotaques. Sente-se os mais diversos aromas, encontra-se as mais inusitadas iguarias, que vão desde rapaduras, garrafadas e pimentas, até o típico guaraná Jesus. A estrutura é grandiosa, sua fachada remonta aos tecidos, às redes. Na entrada, a imagem de Padre Cícero abençoa os visitantes. Hoje, a feira é um famoso ponto turístico, frequentada por diversas classes sociais, mas nem sempre foi assim.


Na época em que Geisa Arnaldo, 55 anos, chegou ao Rio de Janeiro, o local era ocupado por paus-de-arara e barraquinhas. Segundo ela, a feira era o ponto de chegada de retirantes ávidos por melhores condições de vida. Nela, reencontravam-se pais, filhos e esposas que não se viam havia muito tempo. Festas eram celebradas com músicas de Luiz Gonzaga, sertanejo que empresta o nome ao Centro Municipal de Tradições Nordestinas


A cearense de Santa Quitéria mora no Rio de Janeiro há 40 anos. O motivo da vinda foi o reencontro com marido Janildo Arnaldo. de 82 anos. Os dois se casaram no estado nordestino. Entretanto, o comerciante veio para cidade




[caption id="attachment_3518" align="alignright" width="225"]Geisa Arnaldo cearense que mora no Rio há 40 anos Geisa Arnaldo cearense que mora no Rio há 40 anos[/caption]

carioca um mês após o casamento. Ele a  visitava  mensalmente. Como ela relembra:


-Meu marido veio para cá com 19 anos. Ele ficava indo e vindo a trabalho e sempre mandava dinheiro. Graças a Deus nunca me faltou nada. Tive meus três filhos no nordeste, sempre fiz minhas costuras. Mas sentia falta dele. Por isso, vim para o Rio.


Movida pela saudade, Geisa  enfrentou a longa viagem de ônibus com seus filhos, o mais novo ainda com 11 meses.  A história da comerciante não é muito diferente da de muitos que ocupam a feira Nordestina.


Romária Cavalcanti, 19 anos, deixou o Piauí para cuidar do sobrinho e continuar os estudos no sudeste. Para ela, a mudança inicial foi terrível: "No início foi muito estranho, eu queria voltar correndo, chorei uns três dias. Depois de um mês eu me acostumei e não quero mais voltar , já faz quatro anos que estou aqui".


Romária gostou tanto do sotaque chiado carioca que logo  - como dizia Gonzaga - só pensava em namorar.  A jovem está noiva há um ano e já planeja o casório. Para ela, a diferença mais drástica foi o ensino das escolas municipais. Ela afirma que a grade curricular é mais avançada no nordeste. "Quando cheguei aqui, fui fazer a oitava série, e tudo que vi nesse ano já tinha aprendido na sétima, lá.".


Entre tantas histórias de nordestinos que adotaram a cidade maravilhosa de vez para morar, existe também aqueles que vêm passar a temporada e esbanjar sua graça e simpatia com seu trabalho. Jamires Bento, 22 anos, moradora de  Feira de Santana, veio para Rio curtir a cidade até o carnaval e divulgar  seu trabalho.


A baiana tem um stand onde faz suas tranças Nagô, logo na entrada da feira. Quando perguntada  sobre a possibilidade de morar no Rio, ela é incisiva. " Eu amo a minha cidade, vice. Feira de Santana é a segunda maior cidade do estado da Bahia. Lá, tem muitas lagoas, igrejas e até Universidade, rapaz". Com um sorriso no rosto ela define bem um sentimento que parece correr nas veias de todo aquele povo arretado que construiu com suor o Brasil: "Pra mim, ser nordestina é um orgulho, ser baiana então! O povo nordestino é trabalhador, sofredor, são pessoas que têm caráter."


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