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Os pistos, campanas e baquetas da neofanfarra niteroiense






Por Thaianne Coelho


Caixa, lira, prato, bombo, surdo, tarol, xilofone, corneta: do francês, fanfare. Essa é a tradicional banda de fanfarra, a conhecida fanfarra de pisto, a nostálgica banda do interior, dos desfiles cívicos de sete de setembro. A banda de fanfarra, que mais tarde incorporou o grosso calibre dos bombardinos, tubas e barítonos, hoje ganhou uma outra cara. Agora é neofanfarra. A Sinfônica Ambulante é uma das representantes niteroiense do movimento que se reafirma no cenário carnavalesco do Rio de Janeiro. O grupo agita cada carnaval fluminense e já se prepara para março do ano que vem.


Criado em 2011 a partir de uma reunião de amigos, a Ambulante vai para o terceiro desfile de carnaval. No próximo ano, o dia 8 de março, o “sábado das campeãs”, vai ser tomado pelo samba, rock, frevo, maracatu e funk music. Essa pluralidade de estilos é uma das principais características do movimento neofanfarrista e do próprio grupo.




[caption id="attachment_3784" align="alignright" width="240"]574805_287002391389852_765665658_n Edison Matos, saxofonista e um dos fundadores da Ambulante (Divulgação)[/caption]

“Somos muitos, muito diferentes, uns roqueiros, outros sambistas, outros engenheiros, outros psicólogos. Inspirações e referências são muitas e há uma pluralidade enorme de ideias e pensamentos”, explica Edison Matos, saxofonista e um dos fundadores da banda.


No cenário em que já se consagrava a considerada “nave mãe” das novas fanfarras cariocas - a Orquestra Voadora - e despontava ainda outros representantes como Os Siderais e Cinebloco, a Ambulante “caiu de paraquedas”, como classificou o fundador sobre a entrada do grupo no meio fanfarrista. A expressão pode ser vista aqui menos como um despreparo, mas como uma queda livre.


“Antes da fundação da Ambulante, eu e o Rafael Tavares (trompetista e também um dos fundadores da banda), passamos por um período de estudo do estilo. Observamos e ouvimos big bands, como Mantiqueira Big Band, Funk Como Le Gusta, banda Ouro Negro. Observamos também diversos blocos de carnaval e curtimos um carnaval incrível, 'seguindo atrás do trio' do bloco da Orquestra Voadora”, conta o saxofonista.




[caption id="attachment_3782" align="alignleft" width="270"]1451354_480906928694016_1928836404_n A Sinfônica Ambulante (Divulgação)[/caption]

Pouco tempo após a fundação, a banda já era parte do meio e participou de ensaios de pré-carnaval da Orquestra Voadora no MAM, eventos no Circo Voador e outros produzidos pelas próprias bandas, como as batalhas de fanfarra nas ruas. Tradicionais no movimento, as batalhas são como disputas entre dois músicos do mesmo naipe que tocam trechos livres de forma alternada. Pode-se aumentar a dificuldade do que foi tocado anteriormente e provocar o adversário, como em repentes ou batalhas de MCs.


“De batalha mesmo só o nome! Na verdade, é mais uma grande festa do tipo 'prêmio da música' que acontece nas TVs, onde a gente (músicos) pode tocar, se divertir e ainda encontrar os amigos de outras bandas. Mesmo sendo os únicos do lado de cá da ponte (Niterói), percebemos que há uma grande parceria entre todas essas fanfarras”.


Democracia e liberdade: a rua

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O grupo se destaca também pela relação que mantém com a rua. Os espaços públicos, as praças, parques, areias, esquinas podem garantir não apenas o ir e vir das pessoas, mas também da música. A banda realiza ensaios semanais em uma praça no bairro de Icaraí e mensais, nos primeiros domingos do mês, no parque Campo de São Bento, também no bairro.


“Levar música para a rua e não depender de amplificação nem aparelhos elétricos sempre foi a nossa ideia. Ocupar o espaço público levando nossa música para o maior número de pessoas possível é algo que sempre esteve na essência da Ambulante”, ressalta Edison.


Já foram mais de 120 domingos de música democrática e livre para todos os ouvidos. Outra intervenção do grupo que segue a mesma ideia é a Tomada Cultural. Nela há um diálogo com outras performances artísticas, como circo, poesia, artes plásticas e visuais e dança. A terceira edição está prevista para ser realizada no próximo ano.


Fique com o vídeo produzido pelo próprio grupo na ocasião da primeira Tomada Cultural, no ano passado.






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