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Cada macaco no seu galho

Saguis invadem a paisagem urbana do Rio e ameaçam outras espécies.

Fofinhos, engraçadinhos, bonitinhos, e até parece que são uma prova de certa preservação da Mata Atlântica, mas não, e até ameaçam-na. Os saguis que pululam na paisagem urbana do Rio de Janeiro, comumente chamados pela população de micos ou micos-estrela, pertencem à espécie Callithrix spp, uma miscigenação de duas outras espécies invasoras, os saguis de tufos-brancos (Callithrix jacchus), que habita florestas arbustivas da Caatinga e a Mata Atlântica do nordeste brasileiro, e os saguis de tufos-pretos (Callithrix penicillata), que ocorrem em áreas de cerrado do Brasil central, sendo encontrados também nos estados da Bahia, Minas Gerais, Goiás, Piauí, Maranhão e norte de São Paulo. Eles se espalharam pelo Rio de Janeiro e por outros estados do Sudeste e do Sul do país levados pelo homem. Décadas após sua introdução, a população explodiu e ameaça a sobrevivência das espécies nativas.

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Callithrix jacchus (esq.), Callithrix penicillata (centro) e Callithrixspp (dir.) Foto: CIÊNCIA HOJE

Por serem espécies invasoras, acabam acarretando um desequilíbrio no meio ambiente ao comerem ovos e pássaros e se reproduzirem sem predadores naturais, como o carcará (Polyborus plancus), nativo de seu habitat natural e praticamente inexistente nas zonas urbanas do sudeste, onde podemos ver o gavião-carijó (Rupornis magnirostris), que, no entanto, não tem os saguis como seu alimento natural.

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À esquerda, gavião-carijó, à direita o carcará. (Fotos: Augusto Mendes)

Por outro lado, os saguis invasores acabam competindo e, por serem mais agressivos, expulsam os habitantes originais da Mata Atlântica do Sudeste, como o sagui-da-serra (Callithrix flaviceps) e o sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita). Outra espécie que é afetada pelos saguis é o Mico-Leão–Dourado. Depois de quase extintos, programas voltados para a sua preservação tiveram êxito no aumento de sua população, mas os saguis aparecem como ameaça por invadir áreas de ocorrência do Mico- Leão-Dourado, não só pela competição como pela miscigenação com eles.

Vorazes comedores de ovos, os saguis põem em risco espécies ameaçadas de extinção, como o formigueiro-do-litoral, ave típica das restingas fluminenses, que integra a lista dos pássaros mais raros do planeta.

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Formigueiro-do-litoral, o popular com-com, ameaçado de extinção. Foto: Luiz Freire / ONG Pingo D’água

O PERIGO DOS ANIMAIS EXÓTICOS

O Laboratório de Ecologia de Pequenos Mamíferos, da UERJ, desenvolve um projeto que envolve a castração química (ver fotos) através da injeção da substância gluconato de zinco nos testículos desses saguis.

Tantos os machos e fêmeas  que sofrem este tratamento são marcados com um colar de contas coloridas e tatuagem de forma a serem identificados para acompanhamento

Um dos objetivos do estudo é verificar a eficácia da esterilização como método de contenção e erradicação das espécies de saguis invasoras.

As espécies exóticas invasoras que afetam o ecossistema são consideradas a grande ameaça atual à diversidade no mundo. Um exemplo do impacto à saúde humana  está no mosquito Aedes aegypti, proveniente da África e que vem causando várias epidemias de dengue no Brasil e no mundo.

Estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro identificou mais de 200 exemplares de fauna e flora invasoras. Ele identifica, entre os mais perigosos invasores, animais como gatos, passarinhos, peixes e saguis, além de plantas como a jaqueira. Sim, os nossos antigos conhecidos domésticos são animais exóticos por excelência, já que devido às manipulações de suas reproduções, hoje já não são animais que se adaptariam à vida na natureza, mas agem nocivamente sobre o ecossistema.

Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos estudo realizado por pesquisadores do Instituto Smithsonian de Biologia e Conservação e do Departamento de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos, estima que os gatos são responsáveis pela morte de entre 1,4 bilhão e 3,7 bilhões de pássaros e entre 6,9 bilhões a 20,7 bilhões de mamíferos todos os anos. Então, vai o velho conselho, castre seus gatos para dar chance aos pássaros. Ou, pelo menos, coloque uma coleira com um sino. Isto reduz em até um terço as chances de um gato conseguir caçar outro animal.

 

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