Navigation Menu

Mas você faz... Pole Dance?

por Ariel Cristina Borges e Maria Clara Vieira


Não há como negar que o Pole Dance é marcado pelo estereótipo da sensualidade onde quer que se fale dele. Uma vez que a prática ainda não é reconhecida como um esporte por muita gente, explicar que se é pole dancer pode não ser fácil. Ainda assim, quem convive com os atletas aprende a respeitar e a admirar a beleza do esporte através de tudo o que ele significa para quem o pratica.


Segunda colocada em um importante concurso de sexy pole, o Pole Dance Competition, Ana Limy, de 24 anos, diz que, no início, enfrentou alguma resistência do pai em relação ao esporte. “Ele dizia que era coisa de prostituta. Depois viu o que realmente era, deixou de pensar assim e hoje dá a maior força”. A dançarina, que também é arquiteta, diz que a força para a prática do Pole Dance não vem só de casa. No trabalho, sempre que precisa de folga para os campeonatos, é liberada pelo chefe que ainda fala para ela voltar com medalhas. “Quem convive com você não tem preconceito”, afirma a atleta.


Além disso, Ana afirma ter que lidar com investidas de desconhecidos. “Se eu conheço um cara e falo que sou arquiteta e pole dancer, na mesma hora ele pergunta ’e quando você vai dançar para mim?” Ao que ela responde, convicta: “Não vou dançar para você. Tenho onze anos de dança do ventre, dois anos de Pole Dance e nunca dancei para homem nenhum na vida”. Ela continua: “Depois que a gente dá um fora, eles param”.


Frequentemente, as atletas realizam eventos a céu aberto para divulgar o esporte. "Na rua, as pessoas se dividem em grupos de acordo com a reação. Tem os admiradores, que elogiam e tiram fotos, mas também tem os inconvenientes, os caras que mexem e tentam atrapalhar. Nesse último, um cara bêbado chegou perto de uma amiga nossa que estava na barra, de cabeça para baixo e tentou mexer nela. Se ela se desconcentrasse, ela cairia e se machucava. Nós trocamos de poste e o cara que fez isso ouviu muita reclamação do pessoal que estava assistindo porque ele acabou com o show", conta Ana.




[caption id="attachment_5008" align="aligncenter" width="470"]letícia 1 Letícia Grasso no Carnaval 2013[/caption]

“Não vou dançar em boate”

Letícia Grasso, de 27 anos, é professora de pole fitness no Pole Dance Niterói e concorda com Ana ao dizer que as pessoas que convivem com o atleta não demonstram preconceito depois que se acostumam e entendem o esporte. “Acho que o preconceito te atinge dependendo da forma como você o encara. Se você gosta do que faz, se sente bem e é feliz fazendo aquilo, não há preconceito que te atinja. Eu nunca tinha dançado antes, era comissária de bordo e apareci fazendo Pole Dance do nada. Ninguém me encarava como artista e ainda assim, não senti preconceito de ninguém próximo a mim”.


Letícia também diz que, quando começou, se preocupou em mostrar o outro lado do esporte às pessoas. “Toda vez que eu conseguia fazer algum movimento difícil aqui, eu postava foto no Facebook comemorando. Meus amigos ficavam admirados e até brincavam, falando para eu tomar cuidado para não cair. Com o tempo, eles foram abrindo a mente e se acostumando com isso”.


Rafael Corrêa, de 32 anos e praticante de pole fitness há três meses, diz que não sofre tanta resistência externa porque não costuma falar disso. “Falo que estou fazendo exercícios numa barra e fica tudo bem. Sempre separo o Pole Dance do fitness para quebrar a ideia de que estou fazendo por ser go go boy ou algo do tipo”. Mesmo assim, Rafael diz que não foi fácil explicar a nova prática para os amigos. “Tive que mostrar muito vídeo para provar que não estava dançando numa boate”, ele conta.
O atleta não descarta o fato de que para as mulheres, a situação é um pouco mais complicada. “Vejo o preconceito com elas sim. Até com a minha namorada”, afirma o empresário. “Quando alguém vê uma foto e diz ‘pô, essa menina é médica e dança isso?’. Ela ama o que faz. É difícil quando ela se apresenta como médica e depois diz que faz Pole Dance. Pensam que ela perdeu a seriedade. Que vai subir num palco e dançar sensualmente. É difícil para quem está fora entender a paixão que essas meninas têm por esse esporte”.


Rafael

2 comentários:

  1. […] afirma que nunca sofreu qualquer discriminação devido ao imaginário social acerca da dança: “O preconceito vem daquilo que você não conhece, e muita gente não sabe o que é Pole […]

    ResponderExcluir
  2. […] do preconceito com que muitos encaram as danças marcadas pela sensualidade, o sexy pole é visto como motivo de […]

    ResponderExcluir