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Skate: de hobby a trabalho social

Por Vinícius Mathias


Na década de 1960, surfistas do estado da Califórnia, nos EUA, decidiram trazer suas pranchas para as ruas. Para se divertirem na época de marés baixas, tiraram as rodas de seus patins e passaram a andar na rua com as pranchas de madeira. Assim, meio que por acaso, surgiu o skate.

No Brasil, o primeiro campeonato aconteceu apenas em 1978, no Clube Federal do Rio de Janeiro, vencido por Flávio Badenes. Na década de 1980, o skate mudou radicalmente graças a Tony Hawk. O americano popularizou o estilo de pista em U com paredes nas extremidades, chamada de half pipe. No Brasil, surgiram grandes nomes vencedores no esporte como Sandro “Mineirinho” Dias, Bob Burnquist e Lincon Ueda.

[caption id="attachment_5003" align="aligncenter" width="470"]Falta de Skateparks faz skatistas procurarem as ruas e praças de Niterói e Rio de Janeiro (Foto: Daniel Scarmont) Falta de Skateparks faz Alexandre e outros skatistas procurarem as ruas e praças do Rio de Janeiro (Foto: Daniel Scarmont)[/caption]

A fama e o sucesso reconhecido internacionalmente – principalmente pelos vários títulos de Bob e Mineirinho – fez o skate ser muito popular atualmente em Terras Canarinhas. Atualmente, é o sétimo esporte mais praticado no país, com cerca de 2 milhões e 700 mil praticantes.

Originalmente um hobby, o skate acabou se tornando profissão para o estudante e skatista Alexandre Caldas, um dos organizadores do projeto SkateArte Escolinha de Skate. Porém, não como um skatista profissional, mas como ele mesmo se define: “um profissional do skate”.

Hobby profissional

Desde pequeno, Alexandre acompanhava seu irmão, Pablo Caldas, andando de skate e assistia a alguns campeonatos transmitidos pela televisão. Desde o Ensino Médio, são cinco anos de prática.

Mais maduro após esse tempo de namoro com o skate, o estudante de 21 anos conta que o objeto é mais do que um simples esporte. “Hoje entendo que é uma prática que foge muito do rótulo de esporte e envolve um estilo de vida diferenciado. O skate tem um envolvimento enorme com arquitetura, artes visuais, cultura urbana, moda... E foi um dos motivos que me levou a cursar Design de Interiores na Estácio de Sá e Artes na UFF”.

[caption id="attachment_4987" align="aligncenter" width="470"]18 Inspirado por seu irmão, Alexandre começou a andar de skate desde a adolescência (Foto: Arquivo pessoal)[/caption]

Apesar de ter alguns ídolos famosos, como Rodrigo Maizena, Wes Kremer, Rodrigo TX, Jorge Zunga e Luan Oliveira, Caldas não pensa em profissionalização. “Nunca pensei em me tornar um skatista profissional, sou um profissional do skate. Todo meu sustento (bolsa do UFF Esporte) é oriundo dele. Optei por buscar oportunidades de trabalho relacionadas ao skate, mas longe de ser um competidor.”

De acordo com ele, tornar-se atleta não é a realidade do skate nacional, por conta das poucas oportunidades e falta de incentivo público, o que dificulta a formação de jovens com nível técnico de competição. Para alimentar a fome de hobby, Alexandre frequenta o Rolé de Quarta na Praça XV e a pista conhecida como Pântano, em São Francisco.

Além de andar, o skatista também usa o hobby fora das pistas. Há três anos ele organiza o Rolé Natalino Centro Puro, um churrasco de final de ano entre amigos, onde acontecem algumas competições com brindes, prêmios e fantasias. “É uma brincadeira”, ele completa. Atualmente, Alexandre organiza a festa Skatedrink, voltada para um público mais adulto.

Trabalho social

Ao entrar no curso de Artes na Universidade Federal Fluminense, Alexandre percebeu que faltava espaço ao esporte na faculdade. Inspirado por algumas instituições que possuem seus próprios Skateparks, ele começou a pensar em maneiras de trazer o skate à tona na UFF.

Assim, em janeiro de 2014 entrou em funcionamento no Diretório Central dos Estudantes da UFF a SkateArte Escolinha de Skateboard. “O projeto possui quase 50 alunos e a mudança para um local maior faz parte dos planos para o futuro. Sabemos da possibilidade de intervir positivamente no futuro das crianças. Não temos intenção de formar atletas, queremos mostrar novas alternativas de vida.”

[caption id="attachment_4997" align="aligncenter" width="470"]O projeto já conta com quase 50 crianças (Foto: Mariana Borges) O projeto funciona aos sábados e domingos das 10 às 12 e das 14 às 16 horas no DCE da UFF (Foto: Mariana Borges)[/caption]

Além das aulas práticas, o projeto conta com aulas sobre a história do skate nacional e internacional. A escola oferece também oficina de audiovisual, com acompanhamento de monitores nas áreas de fotografia, filmagem e edição. Pela SkateArte, foi realizada a oficina Graffiti que ajudou na pintura e restauração do DCE.

Há também visitas a alguma pistas espalhadas pelo Estado com transporte cedido pelo UFF Esporte. Alexandre relata que já estiveram no Tatu Skatepark em Madureira; na Praça Duó, Barra da Tijuca; e em breve, irão para Teresópolis.

O projeto ainda busca parceria com estudantes da própria UFF, para que eles falem sobre seus cursos às crianças. Alexandre lembra que para participar da Escolinha as crianças devem apresentar o documento de matrícula e boletim escolar.

Dificuldades, preconceitos e recompensas

Segundo Alexandre, a falta de pistas em bom estado atrasa a evolução dos skatistas. “Niterói possui algumas pistas, mas todas possuem no mínimo dez anos de construção e os skatistas sofrem com o risco de andar em uma pista com estado de conservação precário. Isso também afasta novos praticantes."

A solução é andar nas ruas, praças públicas ou gastar tempo e algumas passagens para andar nas pistas públicas no Rio.” Caldas, porém, está esperançoso já que a licitação para a construção de uma pista nova na Marina de São Francisco está em andamento, além de uma provável reforma na pista do “Pântano”.

[caption id="attachment_5009" align="aligncenter" width="470"]UFF Esporte concede transporte para crianças do Projeto SkateArte Escolinha de Skate nas visitas às pistas longe de Niterói (Foto: Bruno Amâncio) UFF Esporte concede transporte para crianças do Projeto SkateArte Escolinha de Skate nas visitas às pistas longe de Niterói (Foto: Bruno Amâncio)[/caption]

Além dos problemas estruturais, outro fator que incomoda os praticantes de skate é o preconceito. “O preconceito sempre vai existir, inclusive dentro de casa. É normal ouvir comentários que relacionam skate ao consumo de drogas e desocupação.” Alexandre complementa dizendo que infelizmente isso existe sim, mas é como em qualquer outro esporte, lugar e profissão. “São comentários provenientes de pessoas que não conhecem absolutamente nada de skate.”

Porém, todos esses problemas somem da cabeça quando Alexandre anda de skate. Segundo ele, são muitas emoções e momentos vividos através do skate. Muitas crianças saíram de Niterói pela primeira vez durante as visitas aos Skateparks fora do Município, o que deixou o skatista feliz. “Poucas sensações são tão intensas quanto acertar uma manobra nova ou receber agradecimentos de pais e mães das crianças pela realização do projeto. É gratificante”.

Confira os outros esportes:

Parkour

Surfe

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