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A música eletrônica na terra do pandeiro

[caption id="attachment_5385" align="alignleft" width="470"]Festival XXXperience 2013 em Itu (SP) Foto: I hate flash Festival XXXperience 2013 em Itu (SP) Foto: I hate flash[/caption]

Por João Pedro Soares, Luis Pedro Rodrigues e Rafael Bolsoni Bastos


A música eletrônica vem se consolidando como uma realidade no Brasil. Eventos como o Rio Music Conference (RMC), no Rio de Janeiro, e o XXXperience, em Itu, recebem milhares de pessoas anualmente. A região sul se destaca pelo número de eventos que hospeda, principalmente em Santa Catarina. O público é restrito. Os ingressos para a última edição do RMC variavam de R$ 240,00, para mulheres, e R$ 320,00, para homens. Ambos com meia-entrada.

Por tratar-se de um negócio extremamente rentável, tanto pelas receitas de bilheteria como pelo consumo de alimentos e bebidas no interior dos eventos, os organizadores de festivais olham cada vez mais para o Brasil. Em artigo publicado no portal Housemag, o fundador da agência Djcom, Sandro Horta, afirmou que “Se 2014 é o ano da Copa no Brasil, 2015 promete ser o ano dos festivais de música eletrônica por aqui”. Ele afirma ter conversado com os principais players mundiais da EDM (Eletronic Dance Music, como o gênero é conhecido internacionalmente) em uma viagem recente aos Estados Unidos, e eles confirmaram o Brasil como o alvo dos festivais a médio prazo. Há a expectativa pela realização de eventos como o Tomorrowland, o Mysteryland e o Eletric Daisy Carnival (EDC).

Esse movimento só é possível graças ao bom momento internacional do mercado de música eletrônica. As cifras movimentadas estão atingindo valores inéditos. Somente o EDC arrecadou, em 2013, a soma de US$ 154 milhões. Os números brasileiros ainda são modestos, se comparados aos norte-americanos e europeus, mas representativos, tratando-se de um mercado em fase de amadurecimento. O grupo ALL, que organiza o principal festival de inverno brasileiro, o Winter Play, e gerencia diversas casas em Santa Catarina, como Posh, Pacha e Second Floor, possui faturamento anual de R$ 15 milhões.

Entre os especialistas, predomina a opinião de que o público brasileiro se pauta pelo movimento internacional. Em entrevista ao Casarão, a mestranda em Antropologia e sócia-fundadora da agência Mana, que analisou a dimensão de festivais de música na vida dos brasileiros, explica que o público dos festivais de música eletrônica não é composto, necessariamente, por fãs do gênero. O interesse pelos eventos se dá muito mais em função da experiência que a estrutura proporciona, desde a divulgação do line-up – lista de DJs que se apresentarão – até a divulgação do aftermovie, vídeo produzido pelos organizadores com um resumo do evento.

Em entrevista ao portal Noize, o diretor executivo da RMC, Claudio da Rocha considera a nossa cultura “americanizada” como a maior dificuldade para a inserção dos DJs nacionais no mercado. “Se tivéssemos uma cena respaldada em nossos próprios talentos, os nacionais e não os internacionais, nossos artistas seriam melhor reconhecidos e olhados com mais atenção no exterior. Mas o que acontece não é isso, para vender tickets o produtor do evento, festival ou dono do clube ou festa ainda tem que se apoiar no “gringo” e isso é uma realidade desde o clube da periferia até os grandes festivais como Lollapalooza e Rock in Rio”.

A realidade dos DJs brasileiros é, inclusive, um ponto contrastante em relação ao crescimento da música eletrônica no Brasil. Eles têm se mobilizado por melhores condições e a regulamentação da profissão, por meio do projeto de lei 3265/2012, que tramita na Câmara.

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