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Após vários "quase", Alemanha está pronta para ser tetracampeã





Por Vinícius Mathias

“É tetra! É tetra! É tetra”. A euforia marcante de Galvão Bueno na Copa de 1994, quando o Brasil conquistou seu tetracampeonato em cima da Itália, nos Estados Unidos, é o grito entalado na garganta dos alemães há 12 anos. A Nationalmannschaft “bateu na trave” nas últimas três Copas do Mundo. Em 2002 perdeu a final para o Brasil, e em 2006 e 2010 terminou com o terceiro lugar, após ser eliminada nas semifinais por Itália e Espanha, respectivamente.

Sempre muito criticada por um estilo de futebol menos vistoso e mais focado em resultados, a Alemanha mudou radicalmente seu estilo de jogo após a Copa de 2006. Com o auxiliar Joachim Löw assumindo o lugar de Jürgen Klinsmann, os tricampeões mundiais passaram a praticar um futebol de muita troca de passes, velocidade e objetividade. Mesmo com o futebol mais bonito, a Alemanha continuou caindo nas horas decisivas e perdeu a final da Euro 2008 e caiu nas semifinais da de 2012, curiosamente também para Espanha e Itália, respectivamente.

Em 2010, Alemanha ficou com o terceiro lugar pela segunda vez consecutiva após a final de 2002 (Foto: Reuters)[/caption]

Atualmente, a Alemanha possui um dos mais fortes elencos do mundo, principalmente no setor de meio-campo. Schweinsteiger, Özil, Götze e Reus seriam titulares em quase todos os grandes clubes europeus. A zaga não é tão segura como as do passado comandadas por Beckenbauer, mas não deve causar muitos problemas. Principalmente quando se tem debaixo das traves o melhor goleiro do mundo, Manuel Neuer.

O que pode ser o ponto fraco alemão é o comando do seu ataque. A Nationalef chega ao Brasil com apenas um centroavante de ofício, Miroslav Klose. Segundo maior artilheiro de todas as Copas com 14 gols, o atacante de 36 anos vem de um período repleto de lesões e não deve jogar o mundial com 100% de sua capacidade física. Sem Mario Gomez que passou toda a temporada lesionado e Max Kruse e Stefan Kiessling cortados por problemas pessoais com o treinado Löw, Klose é a única esperança de gols da Alemanha. O que é um problema coletivo, pode ser a solução pessoal. Sem um concorrente direto, Klose deve ter mais minutos em campo e a chance de marcar um gol para empatar com Ronaldo na artilharia das Copas é grande.
 O último título alemão veio na Copa de 1990. 24 anos depois, Phillip Lahm espera repetir o ato de Lothar Matthäus (Foto: AFP)

Sem dificuldades para se classificar em primeiro no grupo C, a Alemanha passou invicta pelas eliminatórias. Venceu nove das dez partidas contra Suécia, Áustria, Cazaquistão, Irlanda e Ilhas Faroe. Os alemães marcaram 36 gols e sofreram dez. O meia Mesut Özil foi o artilheiro da equipe com oito gols. Apesar da campanha avassaladora e do grande favoritismo, a Alemanha vem com desfalques importantes, por conta de lesões de última hora, como Marcel Schmelzer, Lars Bender, Ilkay Gündogan e Marco Reus.


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O grupo na Copa: Cabeça de chave do grupo G, a Alemanha não deu sorte no sorteio das bolinhas. A Nationalmannschaft vai medir forças com Portugal de Cristiano Ronaldo; com os campeões da Concafaf e vice-campeões da Copa das Confederações de 2009, os EUA, comandados por Jürgen Klinsmann; e assim como em 2010, com a seleção africana mais forte, Gana. Os ganeses passaram pela primeira fase nas últimas duas Copas, quando caíram para o Brasil nas oitavas em 2006, e para o Uruguai (nos pênaltis) nas quartas em 2010. Vida dura para os alemães logo de cara.

A estreia: Logo na estreia, a Alemanha terá seu teste mais duro. Apesar de Portugal ser um freguês nos últimos jogos válidos pela Copa de 2006 e pela Euro 2008, enfrentar Cristiano Ronaldo num primeiro jogo não é das tarefas mais tranquilas. Uma derrota pode custar caro, principalmente pelo adversário seguinte ser Gana. No teórico jogo mais tranquilo, contra os EUA, a Alemanha pode chegar com a classificação em risco caso tropece nos primeiros dois jogos.



O caminho até a final: O trabalho para se classificar em primeiro no grupo G pode ser grande, mas ele pode recompensar a Alemanha e fazer com que a seleção encare um favorito ao título apenas numa semifinal. Nas oitavas, o adversário vem do grupo H, onde a Bélgica deve passar em primeiro e deixar Rússia e Coréia do Sul na briga pra quem enfrentará provavelmente os alemães. A Argélia corre por fora nessa luta.

Nas quartas devem aparecer pelo caminho, Bósnia, Suíça ou França. Um novo confronto com a Argentina, eliminada pelos alemães nessa fase em 2006 e 2010, não ocorrerá caso ambas confirmem as primeiras (ou segundas) posições em seus grupos. Assim, apenas na semifinal (onde foi eliminada nas últimas duas Copas) a Alemanha deve ter um adversário à altura, e este pode ser o Brasil.









O craque: Bastian Schweinsteiger




Ponta de 2006 a 2008, Schweinsteiger foi recuando para o meio-campo aos poucos. Com a lesão de Ballack às portas do Mundial de 2010, Schweini assumiu o comando da faixa central do gramado e se firmou definitivamente com volante. Fez uma Copa impecável e brigou pelo título de melhor jogador da competição - vencido pelo uruguaio Diego Forlán - e foi escolhido para o time ideal da Copa.




O craque sofreu um pouco com lesões nesta temporada e tem sido poupado dos últimos amistosos da seleção. Ao todo pela Alemanha, são 102 jogos disputados e 23 gols marcados, além de 32 assistências. Schweinsteiger é principal ponto de referência do time, mesmo tendo apenas 29 anos. Sem o camisa 7, os tricampeões não conseguem ditar seu ritmo de jogo e isso pode ser um problema caso o volante não esteja 100% recuperado ainda. (Foto: FIFA)








Ficou de fora: Marco Reus




O jogador alemão em melhor fase não vem mais para o Brasil. No último amistoso preparatório para a Copa, contra a Armênia, Marco Reus sofreu uma ruptura dos ligamentos do tornozelo esquerdo e desfalcará a seleção. O meia de 25 anos vinha de duas temporadas excelentes no Borussia Dortmund e era a grande esperança de show, gols e assistências.




É o melhor jogador alemão do momento, e a Alemanha vai ter que buscar o tetra sem sua principal arma. Reus marcou 42 gols em 90 jogos pelo Dortmund, e sete em 21 aparições pela seleção alemã. (Foto: FIFA)




Confira um vídeo dos 14 gols marcados por Klose em Copas do Mundo




http://www.youtube.com/watch?v=gJcD8393ARY

Os convocados:




Goleiros: Manuel Neuer (Bayern de Munique-ALE), Roman Weidenfeller (Borussia Dortmund-ALE), Ron-Robert Zieler (Hannover-ALE).




Defensores: Benedikt Höwedes (Schalke 04-ALE), Mats Hummels (Borussia Dortmund-ALE), Per Mertesacker (Arsenal-ING), Jerome Boateng (Bayern de Munique-ALE), Matthias Ginter (Freiburg-ALE), Shkodran Mustaf (Sampdoria-ITA), Erik Durm (Borussia Dortmund-ALE), Phillip Lahm (Bayern de Munique-ALE) e Kevin Grosskreutz (Borussia Dortmund-ALE).




Meio-campistas: Sami Khedira (Real Madrid-ESP), Bastian Schweinsteiger (Bayern de Munique-ALE), Christoph Kramer (Borussia Monchengladbach-ALE,), Toni Kroos (Bayern de Munique-ALE), Mesut Ozil (Arsenal-ING), Julian Draxler (Schalke 04-ALE) e Mario Götze (Bayern de Munique-ALE).




Atacantes: Lukas Podolski (Arsenal-ING), Thomas Muller (Bayern de Munique-ALE), André Schürrle (Chelsea-ING) e Miroslav Klose (Lazio-ITA).




Provável time titular: Neuer; Lahm, Hummels, Boateng e Höwedes; Schweinsteiger, Khedira e Kroos; Özil, Müller e Klose. Técnico: Joachim Löw.




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