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UFF classifica nove trabalhos para o Intercom Nacional

Por Alexandre Strachan e Rebeca Letieri


A Universidade Federal Fluminense vai levar nove trabalhos para o XVII Congresso de Ciências da Comunicaçã (Intercom) em Foz do Iguaçu. O resultado é muito expressivo para a UFF, que teve ao todo dezoito projetos apresentados na etapa regional do Intercom, dos quais nove premiados. O número mostra um avanço significativo se comparado com o ano anterior, quando três trabalhos ganharam. O Intercom Sudeste 2014 foi realizado na Universidade de Vila Velha (UVV), entre os dias 22 e 24 de maio, e contou com a participação de aproximadamente 2 mil pessoas entre estudantes, professores, pesquisadores e profissionais da área.


A viagem proporciona aos participantes muito mais do que sair vitorioso ou não na premiação que fecha o último dia de evento. A troca com outros estudantes do curso, da mesma universidade e de universidades diferentes, ou até mesmo a oportunidade de fazer turismo em outra cidade da região são algumas das experiências mais comentadas pelos envolvidos. Uma das premiadas do curso de Jornalismo, Laís Carpenter falou sobre as experiências vividas durante o congresso: “Essa edição em Vila Velha teve um tom todo especial. Conheci pessoas novas e me aproximei ainda mais de alguns amigos. Conheci mais um pouquinho do Espírito Santo e me encantei com algumas das muitas paisagens”, comentou.


A professora do departamento de Publicidade e Propaganda, Ana Paula Bragaglia, uma das lideranças da UFF no Intercom, acompanha os alunos desde 2012 e ressalta a importância de um evento como esse. "Eu vou com os alunos há três intercons. Acho uma experiencia muito interessante e gratificante. Ela promove integração e troca de conhecimento e isso tudo contribui no aspecto motivacional e também no próprio aspecto de aprendizagem. E quando a gente fala de integração, a gente fala no professor com o aluno e também do professor com outros professores, da comunidade da UFF e de outras comunidades", disse. Porém, ressalta que os problemas de organização e estrutura existem, e devem ser apontados.


Ela cita, por exemplo, a falta de uma estrutura física, um alojamento, para receber os alunos que não têm condição de pagar uma estadia cara em outra cidade. "A cidade que cedia o Intercom não pode ficar sem a responsabilidade de achar um alojamento gratuito ou com um preço simbólico para o aluno, que muitas vezes não tem condição de pagar". Além disso, cita a organização da programação, que dessa vez incluía muitas apresentações simultâneas, inclusive de um mesmo autor. "Outra coisa que eu tenho que falar é sobre a taxa de inscrição que o professor tem que pagar. São 250 reais para não associados ao Intercom. O professor é quem faz o evento, não pode ser isento de inscrição?", indignou-se.


Apesar disso, destaca a importância do evento para a formação do aluno. Para ela, o prêmio não passa de um aspecto motivacional. "A premiação está no plano psicológico. Mas de nenhuma maneira pode ser o objetivo central da viagem. Porque tem muita mais coisa envolvida. Foi legal trazer nove prêmios, é claro que eu fiquei feliz, mas pra mim, o mais interessante foi a quantidade de pessoas que se inscreveram e foram aprovadas, a dedicação de se preparar pras apresentações e a qualidade dos trabalhos".


Já Lara Vieira, outra premiada do curso de Jornalismo da UFF, destaca o espaço para discussão proporcionado pelo evento, bem diferente do ambiente de mercado. “Eu lembro de ver os jornais feitos pelas universidades do Sudeste e todos eles tinham em comum essa vontade de fazer um jornalismo diferente do que é feito na mídia hegemônica, todos eles querendo mostrar a cara da juventude do país, mostrar o que está dando errado e o que dá certo também, tocar na ferida e fazer refletir. Eu lembro que eu pensei “caramba, aqui é um espaço diferente”. É isso o que eu penso da faculdade de Comunicação e em extensão, do Intercom: um espaço cheio de gente que, principalmente, quer pensar junto, quer sentar e refletir junto e ver o que precisa mudar e como a gente pode fazer com que o lugar que a gente vive seja um lugar mais justo de se viver”, ressaltou.




[caption id="attachment_5909" align="aligncenter" width="519"]DSC_0347 Premiação Expocom / Foto Rebeca Letieri[/caption]

[caption id="attachment_5910" align="aligncenter" width="521"]DSC_0351 Público do Intercom Sudeste 2014 lotando o auditório da UVV / Foto Rebeca Letieri[/caption]

Do Regional para o Nacional


Esse foi apenas um dos cinco Congressos Regionais organizados pela Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). A entidade foi fundada no dia 12 de dezembro de 1977, em São Paulo, e o intuito sempre foi compartilhar pesquisas e informações de forma interdisciplinar. Para alcançar o objetivo, a instituição não possui fins lucrativos, é voltada apenas para estimular a produção científica não apenas entre mestres e doutores, mas também de alunos e recém-formados. Como forma de reconhecimento aos que se destacam, a Intercom criou dois prêmios, o Intercom Junior e o Prêmio Expocom. Laís é recém-formanda, e levou pela primeira vez um trabalho para concorrer ao prêmio Expocom, apesar de ter participado na categoria Intercom Jr., nos últimos dois anos. Para ela, a sensação é diferente. “Vila Velha foi melhor do que esperava, porque eu já tinha a expectativa das outras edições do Intercom. Estive em Ouro Preto e em Bauru, e todas foram maravilhosas, porque eu estava cercada de amigos. Mas nas duas vezes, fui para apresentar no Intercom Jr. Não tinha aquela pressão de premiação que o Expocom tem”, acrescentou. O Intercom Jr é um espaço acadêmico idealizado para receber artigos escritos durante a graduação. Já o Expocom reconhece trabalhos de estudantes e recém-graduados, feitos sob a orientação de um professor, oferecendo troféus ao ganhador em cada categoria.


Para distribuir essas premiações, a instituição organiza anualmente seis congressos, o Nacional ocorre no segundo semestre e é precedido de cinco Regionais, marcados para o primeiro semestre, em um dos estados de cada região. Os eventos abordam o tema escolhido para o Congresso Nacional da Intercom do ano em que for realizado. O debate da temática nesses dois âmbitos instaurou um campo fértil para a discussão entre diferentes perspectivas regionais numa conjuntura marcada pela globalização. É uma forma de interiorização da discussão acadêmica sobre o campo da comunicação. Para este ano, o 37º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação tem como tema Comunicação Guerra e Paz. A expectativa da UFF para o Nacional é superar o feito do ano passado quando ganhou um prêmio com o projeto de comunicação integrada de Caio Vinicius de Macedo intitulado Operação Verão da Marinha do Brasil Se liga, você é o Capitão! "Ter seu trabalho reconhecido é muito bom. Com prêmio, então? Melhor ainda. Bauru, Manaus e Vila Velha, pra mim, foram experiências interessante, cada um a sua maneira. Definitivamente, viajar em delegação é uma das melhores coisas que a faculdade pode proporcionar. Já Vila Velha me surpreendeu porque foi um ano que eu não estava concorrendo com algo ultra inovador, como era o trabalho com a Marinha do Brasil. E mesmo assim me consideraram merecedor de prêmio em um deles", afirmou Caio. E completou dizendo que espera encontrar trabalhos com relevância sócio-cultural em Foz do Iguaçu.


Renata Rezende, coordenadora do Intercom e professora da UFF, destaca a relevância tanto dos Congressos Regionais quanto do Nacional. "A importância é contribuir para a circulação das pesquisas científicas, para problematizar a temática da nossa área de Comunicação Social e para difundir o conhecimento. Há um intercâmbio entre as pesquisas de todo o país, então isso funciona também como uma distribuição de conteúdo e troca de conhecimento".


Para a aluna do 4º período de Jornalismo, Isabella de Oliveira, que participou pela primeira vez do Intercom concorrendo ao prêmio Expocom, a expectativa para o Nacional é grande. A foto artística, categoria em que ganhou, é produto de um trabalho iniciado na comunidade de Manguinhos, em 2013, na qual as remoções eram pauta de uma matéria que estava fazendo para o jornal dos alunos do curso de Comunicação Social da UFF, O Casarão. Nesse caso, o objetivo apontado por Ana Paula foi conquistado, o prêmio foi uma das razões para motivar Isabella a continuar buscando se especializar em fotojornalismo. “Eu conheci fotografia na UFF, no meu segundo período da faculdade, e desde então eu procurei seguir estudando e praticando. Ganhar um prêmio nessa categoria foi o reconhecimento de um trabalho iniciado há tanto tempo. E isso me deixou com mais vontade de me especializar nessa área. Isso sem falar na própria temática da foto, Manguinhos é um lugar que me marcou muito, e saber que a história daquela comunidade está sendo contada para pessoas de diferentes lugares é muito bom”, afirmou.




[caption id="attachment_5915" align="aligncenter" width="470"]Galera da UFF comemorando os prêmios / Foto Rebeca Letieri Galera da UFF comemorando os prêmios / Foto Rebeca Letieri[/caption]

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