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10ª PARADA DO ORGULHO LGBT

Por Rebeca Letieri


Milhares de pessoas lotaram a Praia de Icaraí, zona sul de Niterói, durante a tarde e noite de domingo, dia 8 de junho, na 10ª edição da Parada do Orgulho LGBT. A parada teve como tema os “Dez anos de luta pela diversidade” e fechou as atividades do I Encontro Nacional de Arte e Cultura LGBT.


A concentração para o evento teve início às 14h, na Rua Miguel de Frias, interditada no trecho entre a Avenida Alberto Torres (Praia de Icaraí) e a Rua Gavião Peixoto, de onde o movimento partiu em direção à praia, para participar da parada, que teve início às 17h. As ruas Pereira da Silva, Lopes Trovão, Presidente Backer e Otávio Carneiro também ficaram fechadas das 13h às 17h, entre a Avenida Jornalista Alberto Francisco Torres e a Rua Coronel Moreira César.


Em uma das ruas interditadas, de frente pra praia, a doutora Ana Lucia, residente do bairro, observava a festa feliz com o resultado do evento: “Eu acho que é um movimento positivo. Uma evolução em termos de preconceito, de ganhos da sociedade. A gente ta progredindo nesse sentido de compreender as diferenças, compreender as pessoas, cada um com a sua escolha. É importante saber respeitar a diferença das pessoas independente da escolha delas”.


Seis trios elétricos fizeram parte da programação, cada um deles representando um gênero e um tema, que junto de 30 DJs encarregados da música badalada, animaram o público na orla de Icaraí. O trio do Grupo Diversidade Niterói (GDN) abriu o desfile, seguido pelo trio do Grupo 7 Cores; do Trio GTN – Grupo Transdiversidade Niterói; do Trio Marcha das Mulheres; e do trio do I Encontro Nacional Arte de Cult LGBT. Já o sexto e último trio trouxe representantes de várias festas de Niterói e fechou a parada, ainda, com muita empolgação.




[caption id="attachment_6351" align="aligncenter" width="470"]Foto Rebeca Letieri Foto Rebeca Letieri[/caption]

[caption id="attachment_6350" align="aligncenter" width="470"]Foto Rebeca Letieri Foto Rebeca Letieri[/caption]

Jonathan Lemos estava no primeiro carro e participou pela 2ª vez da parada LGBT em Niterói. Naquele dia, Jonathan transformou-se em Monique Johnny, seu nome “montada”. Para ele, a luta contra a homofobia é diária, no que diz respeito à igualdade de direitos, acima de todas as diferenças. “Tem gente que acha que gay é baixo. Quando fala em gay, pensa em doença. E não é isso. São seres humanos como todo mundo. Da mesma forma que um hétero gosta de mulher, um gay gosta de outro gay”, ressaltou. Indignada, Monique mostrou o braço e disse: “Se eu me cortar aqui, vai sair sangue, se eu te cortar aí, também. Todos nós somos iguais. Nenhum de nós merece ser vitima de preconceito. Eu trabalho, ganho o meu dinheiro, pago meu aluguel. Eu quero ser tratado como qualquer pessoa, gay, hétero, loiro, e negro”. E finalizou: “Viva a igualdade, porque a desigualdade não tá com nada. A gente ta aqui pra somar e ser feliz”.


Organizada pelo GDN, a 10ª Parada LGBT de Niterói tem o apoio das diversas ONGs da cidade, além da Prefeitura de Niterói, através da Coordenadoria de Defesa dos Direitos Difusos e Enfrentamento à Intolerância Religiosa (CDIR) e da Fundação de Arte de Niterói (FAN).


Uma das fundadoras do Grupo, Rosileia Marques, comentou que ainda é difícil fazer esse tipo de evento em espaço público e, principalmente, dentro de órgãos públicos. E ressaltou a importância da parada LGBT para que essa luta seja consolidada. “Muitas pessoas pensam ainda que é mais uma festa, é mais um carnaval gay, e não é. É o momento que a gente tá mostrando a nossa cara realmente. Dizendo quem somos. Os homossexuais não são diferentes de ninguém. São seres humanos. E a gente busca todo ano fazer isso aqui na parada, mostrar esse lado social, do respeito ao ser humano. Ainda há muito preconceito, mas tá muito melhor do que há 10 anos atras. Temos muito orgulho de fazer parte desse movimento”.


A vereadora da cidade de Niterói, Verônica Lima, do Partido dos Trabalhadores, sabe o que é sofrer preconceito por ser lésbica, e deu ênfase à luta pela criminalização da homofobia. “O movimento LGBT avançou muito, mas precisa continuar avançando, sobretudo na garantia de direitos pros LGBTs em todo o país. A criminalização da homofobia é algo que a gente persegue desde o inicio da luta. Porque todos os indicadores na área de segurança pública apontam que é crescente o numero de agressões e assassinatos homofóbicos no Brasil inteiro. Então nós temos que aproveitar esse momento pra dar visibilidade, mas também pra conquistar esse direito legitimo e fundamental”, completou.




[caption id="attachment_6352" align="aligncenter" width="470"]Foto Rebeca Letieri Foto Rebeca Letieri[/caption]

 

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