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Solidariedade e luta em Niterói

Associações desenvolvem projetos no combate ao preconceito e promovem a inclusão social


Por Nathália Vincentis, Sabrina Nunes e Thaís Cerqueira


Preconceito é um "juízo" preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou estranhos.  Saber o que é o preconceito, todos sabemos, mas são poucos os que fazem algo para mudar a intolerância e os inúmeros danos que são causados na vida das pessoas devido a ele. O Quintal de Ana e o Grupo Pela Vidda Niterói são duas associações que lidam com diferentes formas de preconceito em nossa sociedade. O que as une, é a incessante luta no combate e na ajuda às pessoas que sofrem com as barreiras impostas por este “pré julgamento”.


O Quintal de Ana, associação civil fundada em 2001 por Bárbara Toledo e seu marido Sávio Bittencourt, surgiu como um grupo de apoio às famílias adotivas e tinha como principal objetivo fortalecê-las para enfrentarem eventuais preconceitos dos amigos e familiares em relação a sua opção de adotar um filho. Bárbara explica que ao saber e ser vítima desse preconceito, viu a necessidade de criar a associação. “Eu e meu marido pensamos que as famílias que ainda estivessem em dúvida sobre a adoção, ao serem vítimas de preconceito, poderiam voltar atrás. Então vimos que tínhamos que nos unir com outros pais para combater e enfrentar esse problema. Não podíamos deixar que os filhos fossem rotulados por serem adotados”, contou.


Após sua criação, o Quintal de Ana começou a ser procurado não só pelas famílias que já tinham concluído o processo de adoção, mas também por quem tinha o desejo de adotar. “As famílias vinham até nós porque não encontravam centros de informações para ajudar. O Quintal, então, passou a ser um lugar de famílias adotivas e de interessados em adotar”, explicou Bárbara.


Mãe de duas filhas e atualmente próxima ao Quintal, Rosana Santos diz se sentir plena com a maternidade após as adoções. “Eu me senti cem por cento realizada com a adoção. Descobri que para eu ser mãe, não precisava gestar uma criança. Então, eu adotei minha primeira filha e, dois anos depois, adotei a segunda”, diz. Ela relembra que há cerca de duas décadas poucas eram as informações sobre o assunto. “Eu fiz adoção há 24 anos. As coisas não eram como são hoje. Não existia esse apoio de grupos de adoção, como o Quintal. Antigamente a gente não tinha a menor noção de como fazer as coisas. Havia toda uma dificuldade e desinformação total sobre isso.”


De acordo com dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), atualmente cerca de 5.700 crianças e adolescentes aguardam para ser adotados, enquanto o número de pessoas que pretendem adotar é de quase 33 mil. Segundo o relatório, que pode ser gerado no site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apesar de a quantidade de pretendentes ser superior, aproximadamente 70% têm preferência por crianças com até três anos de idade, o que corresponde apenas a 4% do total de crianças e adolescentes disponíveis.


Outro número que se destaca é o de crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos que estão disponíveis para adoção: são 5.188, mais de 90% do total. A fim de mudar esse cenário, o Quintal criou o projeto Apadrinhamento Afetivo. Ele busca dar oportunidade às crianças e adolescentes que vivem em abrigos de encontrarem um padrinho, que participa de suas vidas, acompanhando seu desenvolvimento, sendo uma referência familiar. Apesar de não ser seu objetivo principal, o apadrinhamento afetivo pode se transformar em adoção. “Dos 56 apadrinhamentos que já tivemos, 23 se converteram em adoções. O apadrinhamento afetivo é uma isca para a adoção tardia”, conta Bárbara.


Outra organização que luta pelo fim do preconceito é Grupo Pela Vidda de Niterói. Ele busca promover a melhoria da qualidade de vida de pessoas que vivem com aids, e também conscientizar a sociedade sobre o HIV/aids por meio de diversos projetos.


Um deles é o “Convivência Positiva” que oferece cursos e oficinas às crianças e adolescentes no bairro da Ponta d’Areia, em Niterói, onde fica sua sede. A inclusão é a palavra-chave do projeto, que não visa apenas a acolher crianças soropositivas, mas sim ser um meio de inclusão e socialização para a juventude. “Um dos objetivos principais é proporcionar às crianças e jovens uma convivência eminentemente positiva, que seja um espaço onde eles possam se conhecer e ter uma relação baseada no respeito, na igualdade e na troca de experiências”, afirma a coordenadora do projeto, Mônica Nunes.


O “Convivência Positiva” conta com o apoio de psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e educadores que não só trabalham com as crianças, mas também oferecem apoio aos pais. Com reuniões mensais, eles buscam ter um contato permanente com as famílias, com o intuito de debater temas que possam ajudá-las a encontrar soluções para alguns dilemas cotidianos. “Tivemos um grupo muito produtivo sobre sexualidade, onde os pais trouxeram suas perguntas e pudemos avaliar juntos como abordar essa questão com as crianças”, lembrou Mônica.


Marinete Henud é uma das educadoras do projeto há três anos e conta como desenvolve seu trabalho com as crianças ali. “Trabalhando de uma forma lúdica, tentamos prepará-las pra vida, usamos fatos do dia a dia delas pra falar sobre temas difíceis, como o preconceito.”


As crianças e os adolescentes assistidos pelo projeto desenvolvem trabalhos educativos, fazem debates sobre temas diversos, além de terem aulas de desenho, música e informática. Jhoseffe, morador de São Gonçalo, de 14 anos conheceu o projeto através de uma amiga de sua mãe e a partir de então frequenta todos os dias a sede que fica na Rua Visconde de Itaboraí, nº 66, no contra turno da escola. “Acho o projeto muito legal, educativo. A gente aprende muito porque aqui é um espaço de convivência positiva. Convivemos com pessoas diferentes e aprendemos com elas todos os dias”, conta o estudante do 8º ano do ensino fundamental que pretende ser arquiteto.


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