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Um mercado bom para cachorro

Tratados como membros da família, cães representam um gasto considerável na renda familiar e aquecem o mercado, mesmo em tempos de crise


Letycia Cardoso


O último levantamento do IBGE revelou que, nos lares brasileiros, há mais cães que crianças. A cada 100 famílias, 36% têm filhos, contra 44% que possuem um cãozinho de estimação. Os animais são considerados, muitas vezes, membros da família e os donos não medem esforços para agradá-los. A jornalista Daniela Ananais conta que considera seu cachorro como um filho: “não tem como falar que não é da família, todo mundo ama e cuida dele como se fosse um bebê mesmo”. Daniela ainda ressalta não se importar com o alto gasto financeiro, proporcionado por ração especial, xampus, escovas e vitaminas.




[caption id="attachment_8370" align="aligncenter" width="594"]Daniela Ananias, com o namorado Diego Dias e Bartô Daniela Ananias, com o namorado Diego Dias e Bartô[/caption]

[caption id="attachment_8367" align="alignleft" width="225"]CLUBE PET 1 CRECHE Em creches Pet, os cachorros têm atividades recreativas durante o dia.[/caption]

Baseado nisso, alguns empresários estão investindo no mercado PET. Há ainda os estabelecimentos que apostam no selo “amigo pet”, para ganhar, como clientes, pessoas que não desgrudam dos bichinhos. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, há restaurantes que oferecem até um cardápio pet por conta da casa. Hotéis também adotam a estratégia de agradar os cães para atrair os donos. A pousada Vale do Ermitão, em Penedo, no Rio de Janeiro, sempre aceitou que viajantes levassem os pets como estratégia para atrair hóspedes. A gerente Patrícia Miranda conta que, só no mês de junho, o hotel recebeu 20 cães e nos períodos de férias, essa quantidade é ainda maior. Ela ainda ressalta que essa é uma fórmula para reforçar a marca como ambiente agradável e acolhedor.


O mercado também tem soluções para quem passa o dia fora de casa, mas não quer deixar o cão sozinho. As creches para cachorro tomam conta dos animais e ainda oferecem atividades para melhorar o comportamento deles. Fabiana Velmovitsky, sócia-proprietária do Club Pet no Leblon, explica que resolveu abrir uma creche canina há um ano e meio porque acreditou que esse era um mercado em ascensão. Hoje, com a crise econômica no país, o número de clientes caiu 20%, ainda assim, o investimento é lucrativo. Seus clientes gastam com cada animal, aproximadamente, 500 reais por mês.


A população canina no Brasil já representa 52 milhões de animais, contra 45 milhões de crianças. A projeção é que, em 2020, a proporção seja de 71 milhões de cães para 41 milhões de crianças.


CLUBE PET - CRECHE


A psicóloga Ana Lúcia Rodrigues analisa essa personificação dos bichinhos como integrantes da família. Para ela, há preferência pela relação com os animais porque nesse vínculo não existe cobrança. “Eles sempre vão achar os donos perfeitos e depender deles. Existe um conflito dos pais com os filhos na adolescência pela independência, o que causa frustração nos genitores porque querem continuar controlando os jovens. Já com os animais, não acontece isso, não são contrariados, o que gera segurança”.


Francine e Bruce Carvalho tratam o animal de estimação como um ser humano e até perfis em redes sociais para “Kratos” já criaram. Francine explica que a ideia surgiu logo quando adquiriram o cão. “Desde que ele chegou, com menos de dois meses de vida, a gente percebeu que tinha muita história para contar e muitas fotos que as pessoas gostavam de ver. Kratos é engraçado e faz muitas coisas que merecem ser compartilhadas. Quando eu dei conta, as minhas redes sociais só tinham fotos dele! Então criamos para ele uma fanpage e um perfil no instagram.”




[caption id="attachment_8371" align="aligncenter" width="470"]Francine com a família e Kratos Francine com a família e Kratos[/caption]

Os perfis nas redes sociais fazem sucesso até com quem não possui um animal. A página do facebook “Cansei de ser gato” tem, hoje, mais de 335 mil curtidas. A princípio, era uma brincadeira entre a dona dos gatos e uma amiga, Stefany Guimarães e Amanda Nori. Mas o negócio se tornou tão lucrativo que as publicitárias abandonaram seus empregos para cuidar exclusivamente das redes sociais dos felinos. Hoje, as duas já ganham quatro vezes mais do que no tempo em que decidiram jogar tudo para o alto e apostar no mercado pet.




[caption id="attachment_8368" align="aligncenter" width="470"]Na fanpage Cansei de ser gato, as autoras brincam com a criatividade, fantasiando seus gatos. Na fanpage Cansei de ser gato, as autoras brincam com a criatividade, fantasiando seus gatos.[/caption]

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