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Crise no Jornalismo ou no modelo de negócio?

[caption id="attachment_8822" align="alignleft" width="398"]cadernos reportagem - foto carolina lopes O papel do jornalista na nova configuração do mercado foi debatido durante dois dias na UFF[/caption]

Por Carolina Lopes

Muito se fala sobre a reinvenção do jornalismo (ou do jornalista). Uma pesquisa citada pela professora de jornalismo da UFF Sylvia Moretzsohn, em texto para o Observatório de Imprensa, mostrou que muitas pessoas acessam as redes (em particular o Facebook) em busca de notícias. O que a jornalista Lúcia Guimarães – em fala reproduzida no texto de Sylvia – diz ter consequências ruins, “já temos uma geração pouco educada e não leitora chegando à idade adulta convencida de que se informar é circular por aqui [pelo Facebook]”.

Na primeira mesa do Controversas (evento realizado pelo curso de Jornalismo da UFF) um aluno disse que vê a maior parte das notícias nas redes sociais. Se os alunos não estão lendo nem jornais em plataformas digitais, muito menos a versão impressa. Mas o perigo é reproduzir ou confiar em informações veiculadas nas redes sociais, que os próprios leitores já afirmaram não confiar tanto quanto nas veiculadas em jornais ou revistas, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015.

A onda de demissões em grandes jornais mandou embora muitos profissionais experientes, com anos de casa, que buscam alternativas para continuar no mercado. Ser microempreendedor individual, ter uma empresa, atuar como free-lancer são algumas dessas alternativas. Porém, alguns jornalistas e estudiosos afirmam que a crise não é do jornalismo/jornalista, mas do modelo de negócios que tem como fim o lucro, como afirma o professor e pesquisador Samuel Lima em texto para o Observatório.

A professora Larissa Morais abriu o Controversas falando que o profissional já precisa entrar reinventado no mercado. São novos modos de produzir conteúdo, processos multimídia, novas plataformas de distribuição. Porém, nem sempre isso é positivo. As pessoas acabam fazendo muitas coisas ao mesmo tempo e a atenção e a concentração diminuem; e isso não acontece só no Jornalismo, mas também em várias atividades da rotina pessoal – assistir televisão ao mesmo tempo em que está no computador e trocando mensagens no celular, por exemplo.

O aluno do quinto período Fabrycio Azevedo ressaltou que, mesmo nos estágios, que deveria ser um espaço de aprendizado para o estudante, já é exigido domínio em programas de edição de fotografia e vídeos, por exemplo. Além disso, muitos estagiários ainda produzem conteúdo, precisam gerenciar mídias sociais e fazer assessoria, tudo ao mesmo tempo.

Nesse cenário, o jornalista se vê com diversas matérias para fazer simultaneamente inserido na lógica de mercado atual, que é ser cada vez mais veloz. Mas a apuração e a checagem de informação não podem ser feitas pela metade, como disse a jornalista Angelina Nunes em fala no Controversas. Surgiu do público o comentário de que por conta dessa lógica de simultaneidade, o profissional acaba não tendo tempo para checar exatamente a informação. Porém, Angelina ressaltou que a checagem é elemento crucial no fazer jornalístico e quando não é possível se ter certeza das informações, que não se deve publicar a matéria.

Portanto, talvez a crise não esteja na profissão ou no profissional, mas no mercado que exige cada vez mais velocidade e mais lucro para uma função que deveria ter um papel social exatamente o oposto disso, que contasse histórias sem se preocupar em primeiro lugar com a venda desse conteúdo e que tivesse o tempo hábil de pesquisa e imersão para fazê-lo.

 

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