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A nova moda do IACS

Por Natan Duarte

O início tardio do primeiro semestre de 2016 trouxe uma ótima iniciativa por parte dos estudantes para o Instituto de Artes e Comunicação Social da UFF, a venda de produtos caseiros em um dos blocos de salas de aula do Casarão, como é conhecido o Instituto. Porém, é o comprador quem faz o processo de pagamento e recebimento de troco.

Trata-se, portanto, de uma espécie de auto-serviço, pegue-e-pague, ou, do inglês, do it yourself. O sistema já é utilizado em algumas cidades brasileiras e também no Campus do Gragoatá, no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia.

O funcionamento é bem simples. Os produtos ficam disponibilizados em uma mesa grande, os interessados chegam perto, escolhem o que querem levar e colocam o dinheiro em uma caixa ou uma bolsa disponibilizada pelo vendedor.

Não há controle e é tudo na base da honestidade. Indo na contramão de quem diz que brasileiro não é honesto e educado a ponto de não haver nenhuma fiscalização no ato da cobrança.


ALUNOS VENDEDORES


A estudante de jornalismo Bárbara Queiroz, 20, começou a vender docinhos (brigadeiros e beijinhos) com a intenção de comprar livros para ajudá-la durante o curso. Ela já conseguiu comprar seis livros. “Eu estou vendendo os docinhos desde que o período começou e com o dinheiro que arrecadei no primeiro mês, eu investi na minha biblioteca”, conta entusiasmada.

Ela disse que a mesa grande foi colocada tem poucos dias e também acha que gera oportunidade para outros estudantes para venderem o que quiserem. “Até o meado de maio, era só uma ou duas cadeiras. A mesa grande que colocaram trouxe muito mais concorrência, porque as pessoas colocam mais variedades. Sou a favor disso e foi vendo as pessoas venderem que eu também comecei a vender”, lembra.

A estudante do curso de artes Rafaela Santos, 22, vende bolos e começou a vender para ajudar na sua renda mensal. “Quando vi que havia pessoas que vendiam coisas na UFF e estavam tirando um lucro razoável, pensei que seria uma boa forma de complementar minha renda, já que com a bolsa da UFF, eu não conseguia cobrir todas as minhas despesas”, diz.

Em suas vendas, ela aposta em opções mais saudáveis com alimentação vegana e se diferencia de outras alternativas na mesa. “Acho importante não só trazer uma opção saudável, mas também mostrar que comida vegana vale muito a pena e ainda promove um mundo melhor para todos os seres, sem exploração animal”, sugere a aluna.

Apesar de acreditarem nesse modelo de vendas e que essa auto-gestão funciona de maneira mais prática por parte dos compradores, as duas estudantes relatam algumas experiências não muito boas e algumas surpresas. Bárbara conta que já teve dois dias de calotes e um que não foi pago até hoje. “Na verdade, falta um ou dois reais quase todos os dias. Mas, como eu levo em média 80 docinhos, isso não me prejudica tanto. Uma vez faltaram sete reais no meu potinho em uma segunda-feira e eu quase morri. Só que na sexta-feira seguinte, estavam sobrando sete reais. Aí eu sorri de novo”, diz aliviada.

E por pouco, a Rafaela quase desistiu. “Se eu não acreditasse no sistema "pegue-e-pague", não estaria mais vendendo há muito tempo. Levei diversos calotes e quase me desmotivei. Mas, em geral as pessoas pagam”, diz esperançosa.


ALUNOS CONSUMIDORES


Bilhete de um dos consumidores que a Rafaela
encontrou em seu pote de dinheiro.
Os alunos, que diariamente consumem os produtos deixados na mesa, têm aproveitado bastante as opções que são levadas por alunos como a Bárbara e a Rafaela, por exemplo. Dayane Alves, estudante de jornalismo no IACS, gosta da forma como é feita a venda, da variedade de lanches e destaca a distância do Instituto de lugares para fazer um lanche entre as aulas. “Acho ótimo. O IACS fica um pouco distante de locais onde a gente possa fazer um lanche. Então, a venda de comida pelos alunos ajuda a suprir essa necessidade que, além da variedade oferecida, tem preço acessível. O Iacs possui apenas uma cantina, que não conta com muitas opções”, disse.

Em uma publicação no grupo do IACS no Facebook, Clara Monnerat disse que faz um bom tempo que procurava e não encontrava alguém ou algum lugar que vendesse docinhos. Ela é apaixonada por chocolate branco. “Estou aqui só pra dizer à pessoa, que fez o brigadeiro branco, que estava uma delícia e gostaria de te pedir para fazer mais porque infelizmente é um doce difícil de encontrar em padarias e eu adoro. O mesmo vale para a pessoa que fez a palha de chocolate branco”, postou.


A CANTINA


Foto: Natan Duarte
Há 23 anos, Daniela da Silva é dona da única cantina que o IACS possui e com o que arrecada com a venda de produtos integrais, ela sustenta a família. Ela contou que é a primeira vez que ela vê essa movimentação por parte dos alunos e comentou que a venda dos alunos tem atrapalhado um pouco as vendas da cantina. “Mexeu um pouco na nossa venda, pois a gente vende não só os nossos produtos, como também, revende alguns produtos de outros alunos. Se fosse só os alunos daqui e se não vendessem os mesmos produtos que nós vendemos, não teria problema nenhum”, lamenta.

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