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Procura por cirurgia plástica entre adolescentes cresceu 145%


Por Lara Gruppi, Marysangela Martins e Mayara Barcellos


A adolescência é a fase da vida em que não só o corpo, mas também a mente tende a passar por algumas mudanças. As alterações ocorrem logo no início da juventude principalmente com as meninas, quando vem a primeira menstruação, os seios crescem, aparecem algumas espinhas e a preocupação com o peso passa a ser mais constante. Já no caso dos meninos, há o crescimento de pelos no rosto, no corpo e alteração na voz. Esse é um período de transformação, em que o jovem está deixando de ser criança e se tornando adulto. Portando, é um período de muitos conflitos internos. Em meio a essas alterações hormonais, é comum que haja o aumento da vaidade e preocupação com a aparência. A necessidade de ser “aceito” e de fazer parte de grupos, se espelhar em alguma celebridade da moda e se livrar do famoso bullying, comum entre essa faixa etária.
De acordo com a última pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o número de adolescentes entre 14 e 18 anos procurando por cirurgias reparadoras foi bastante significativo, o público mais do que dobrou em quatro anos, subindo para 145%.

Fernanda* se submeteu a uma Rinoplastia aos 18 anos. Para ela o nariz sempre foi algo que incomodava e a vontade de operar se tornava mais forte à medida que as ofensas aumentavam: “Sofri muito sim, mas eu tentava não ligar, afinal eu tinha outras qualidades, mas a partir do momento que aquilo começou a me atingir de verdade, foi uma coisa horrível, às vezes um simples assunto sobre respiração na aula já tornava motivo de “zoação”. Na fase dos 11 anos aos 13 anos, começaram aquelas questões de primeiro beijo e um amigo me disse - Você é bem legal, até mais legal que as outras meninas, mas os meninos têm medo de ficar com você, porque vão ser “zoados” que pegaram uma pessoa nariguda.”

Segundo ela, o acompanhamento de um psicólogo foi muito importante para decidir se o procedimento cirúrgico era realmente necessário. Aos 18 anos, não se preocupava mais com a aceitação, queria se sentir melhor consigo mesma, sem pensar nos julgamentos de quando era mais nova, foi o que lhe deu mais confiança para fazer a cirurgia.

Para a psicóloga Camila Galhego, a baixa autoestima não está em mudar algo no corpo, mas dentro da pessoa. Ao perceber que a pessoa quer mudar algo de si porque não está satisfeita com ela mesma, muitas vezes a cirurgia é vetada, pois se ela não está satisfeita interiormente, nunca vai estar satisfeita exteriormente.“Já atendi caso em que uma jovem fez bariátrica exatamente porque sofria bullying na escola. Ela realmente ficou muito bonita, mas entrou em uma depressão grave depois, logo achou no seu corpo outra coisa de que não gostava. Nesses casos, a pessoa tem que mudar a forma de olhar para si mesma e fazer uma cirurgia para ela, não para os outros.”
Maria* começou a ter vontade de aumentar os seios aos 13 anos. Segundo ela, suas amigas tinham um corpo muito mais desenvolvido que o dela, e isso de certa forma a incomodava.“No início eu achava que uma hora meu corpo iria se desenvolver, mas quando fui chegando perto dos 15 anos comecei a ficar muito incomodada. Nunca sofri bullying por causa do meu corpo, era algo pessoal mesmo. Hoje, com 16 anos, ainda tenho bastante vontade de fazer a cirurgia, mas optei por esperar pra saber se é esse mesmo meu desejo e não me arrepender depois.”

De acordo com a pesquisa que divulgamos pelo facebook aproximadamente 84% das pessoas se sentem ou já se sentiram insatisfeitos com a sua aparência. O questionário foi respondido por 118 pessoas, durante três dias, 72% eram mulheres e 77,3% tem entre 18 e 29 anos. Do total 42,9 fariam algum procedimento cirúrgico. 

A psicóloga Camila Galhego ainda ressalta que desconstruir os padrões com o paciente é um processo árduo. A autoestima é algo interno, o erro de muitos é achar que o seu valor é pautado nos outros ou em coisas, status. Se uma pessoa se acha feia, provavelmente é porque ela está se comparando com alguém. Ser feio é um rótulo, pois o que é feio para uma pessoa pode não ser pra outra. Ser bonita(o) ou se achar bonita(o), é uma decisão, não uma futilidade. As pessoas precisam aprender a se libertar de rótulos externos impostos pelos outros. Um estranho nunca poderá ter o poder de dizer o que você é, a não ser que você deixe.

*Nomes fictícios

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