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O sonho de estudar e jogar no exterior






O sonho de estudar e jogar no exterior 

por Stephany Cordeiro


No Brasil, apenas 2% dos jogadores profissionais ganham mais de 20 salários mínimos. Segundo o IBGE, no ano passado, 68% dos brasileiros ganhavam até dois salários. No futebol profissional, existem cerca de 30 mil atletas com registro profissional. Depois dos campeonatos estaduais, 70% deles perdem o emprego.

Frente às dificuldades impostas no país do futebol, muitos meninos e meninas buscam outras alternativas para ter seu talento reconhecido. Uma delas, é jogar representando universidades do exterior. Programas que aliam esporte e educação tornaram-se uma alternativa recorrente entre os jovens.

Aos 24 anos, o brasileiro Cauê Salgado passou por uma seletiva do programa Next Level Sports em  e conseguiu uma bolsa integral para estudar e jogar o futebol universitário pela UTB - Universidade do Texas Brownsville, nos EUA em 2014.

Atualmente, o brasileiro fechou sua transferência para o Lindsey Wilson College, universidade localizada no Kentucky, e considerada uma das principais forças do campeonato universitário americano.

Um dos principais diferenciais do programa de que participa, é a importância dada aos estudos. Enquanto joga, Cauê pretende formar-se em jornalismo e se especializar na área de esportes.

O atleta, que jogou profissionalmente no Brasil dos 17 aos 24 anos, acreditava que, com o tempo, estaria em um grande time. Porém, os anos se passavam e o sonho parecia estar longe. Atualmente, Cauê joga pela liga universitária dos EUA, que não pertence à categoria profissional. Mas, como grande vantagem, geralmente conta com a presença de olheiros de grandes times, em busca de novos talentos.


Universidade Lindsey Wilson, - Kentucky, EUA


Localização do estado de Kentucky
Para Cauê, estudar no exterior tem sido uma experiência muito boa. "Ao mesmo tempo em que você aprende a parte acadêmica, como aprenderia no Brasil, você também está diariamente estudando inglês, mesmo que indiretamente. A bagagem cultural adquirida é sensacional."

Ele considera a decisão de ter ido pra outro país a melhor de sua vida,  pois os ganhos, as experiências e os aprendizados que tem hoje não se comparam a nenhuma vivência anterior. O niteroiense nunca pensou em desistir e acredita ter valido a pena largadar tudo e aventurar-se em um mundo novo. O programa tem a duração de quatro anos (oito semestres), e depois ainda existem as possibilidades de fazer mestrado, conseguir um estágio ou ir para o futebol profissional - tentações que fazem Cauê repensar sua volta ao Brasil após o término do prazo.

O jogador e estudante conta que teve a sorte de ter sido muito bem recebido nos Estados Unidos e que o primeiro ano no Texas foi o melhor de sua vida. Sorte, porque alguns de seus amigos não foram recebidos de braços abertos por outros companheiros de time. Mas, segundo ele, "Morar no exterior é como se você estivesse o ano inteiro de férias, mas com deveres e obrigações. O que a maioria das pessoas gosta de fazer em suas férias (viajar, conhecer novos lugares), acaba sendo minha rotina. Eu amo".

A maior dificuldade para o futuro jornalista esportivo é ter que encarar algumas situações e problemas sozinho do outro lado do mundo, mas considera que as adversidades de certa forma acabam contribuindo para seu amadurecimento.

Cauê dribla a saudade de seus familiares e amigos com o auxílio da tecnologia. "De vez em quando dá saudade, mas estamos sempre em contato todos os dias, seja por vídeo, por mensagens. E também, aqui temos férias de quatro em quatro meses, em que posso ir pro Brasil ou trazer familiares pra me visitar". Esse ano, por exemplo, ele passou os meses de maio, junho e julho no Brasil e voltou para Kentucky em agosto por conta do início da temporada. Agora em dezembro, sua namorada, brasileira, viajará pra ficar um mês com ele durante as férias de final de ano.

O custo de vida nos Estados Unidos é muito mais baixo do que no Brasil. O intercambista diz aos risos que as únicas coisas que valem mais a pena de se comprar em seu país, ao comparar os preços são Nutella, tênis Converse e, claro... Havaianas. O jogador também procura o máximo possível, conhecer lugares diferentes, e consegue fazer isso com o time, que muitas vezes viaja para outras cidades.

Orgulhoso de sua conquista, o jovem relata que seu inglês melhorou muito. "Isso foi a melhor consequência de ter vindo pra cá. Aqui você tem que aprender, tem que viver a língua. Quando cheguei aqui, acreditava que tinha um inglês 'legal', mas toda vez que tinha que falar, travava. Muitas vezes não conseguia explicar ao meu treinador umas situações de posicionamento que estavam na minha cabeça, mas que quando eu tentava falar, não saía. Ainda tenho que muito o que melhorar, principalmente no meu sotaque, mas já falo tudo e entendo muito melhor do que quando cheguei aqui".

Conciliar o tempo de estudos com o de treinos  é bem tranquilo, segundo Cauê. Os treinos têm duração máxima de uma hora e meia por dia e a carga horária também não é muito grande: toda segunda, quarta e sexta ele tem uma aula de 50 minutos. Porém, o maior problema são as faltas devido a viagens, jogos e momentos na concentração. Mas, sabendo da condição dos esportistas, os professores são bem flexíveis em relação às datas de entrega de trabalhos e provas, além de marcarem datas especias para a realização das atividades.

Em relação a diferenças de estrutura entre os clubes brasileiros e os estrangeiros, Cauê defende a qualidade do Brasil e diz que os clubes daqui são muito bem estruturados com grandes profissionais, aparelhagem, métodos de treinamento e modernidade. E complementa  com argumentos de que a medicina esportiva brasileira (que trata da recuperação física e clínica dos jogadores) é considerada a melhor do mundo. Pra ele, "a disparidade entre clubes pequenos e grandes é muito grande. E nisso que os Estados Unidos ganham: Aqui, todo lugar é moderno, bem estruturado, funciona bem.  Da menor faculdade ao menor clube profissional."   

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