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Cadê a canjica?

Por Luana Santiago e Tatiana

Festa junina ou de São João é uma comemoração conhecida por seus costumes específicos, como a fogueira, a quadrilha, os balões e as comidas típicas. Estas, são o principal atrativo para os participantes da festança, que pode se estender até o mês de agosto.
Mas o evento vem passando por algumas mudanças, principalmente em relação à parte alimentar. Isso ocasiona uma perda de costumes e consequente estranhamento em seus frequentadores, que sentem falta dos deliciosos quitutes. Por exemplo, a pipoca, que antes limitava-se a ser doce ou salgada, agora pode ser encontrada também caramelizada ou no sabor paçoca; o cajuzinho é vendido também como brigadeiro "chique", em versões que incluem Nutella e Leite Ninho.
A estrangeirização das festas juninas é um fenômeno visível por todo o país por meio da introdução de novos hábitos. A presença de food trucks - caminhões em que se vendem comidas, tradição nos Estados Unidos – e de alimentos como hambúrguer e batata frita provam que as comidas típicas ainda atraem, mas não são mais o foco da comemoração.
As tradições juninas vêm da Europa, onde os agricultores festejavam para comemorar as colheitas. Em 1500, época da colonização, Portugal introduziu no Brasil muitas tradições europeias; entre elas, as festas juninas. Mas elas surgiram como uma comemoração pagã à grande fertilidade da terra, às boas colheitas, no solstício de verão. Essas festas ocorriam no dia 24 de junho, atualmente dia de São João, e eram conhecidas como Joaninas, tendo esse nome para homenagear João Batista que, segundo as escrituras bíblicas, batizava as pessoas, purificando-as para a vinda de Jesus, seu primo.
Em Portugal, comemorava-se a colheita do trigo e, com a colonização, o costume foi introduzido no Brasil; entretanto, o grão foi substituído pelo milho. Este é base para grande parte das comidas típicas das festas juninas, como a canjica, a pipoca e o bolo de milho ou fubá. O coco, a maçã do amor, o cachorro-quente e a batata doce assada na brasa também são tradicionais nesta época do ano, junto ao quentão. Esta é uma bebida feita com gengibre, canela e pinga ou vinho que é servida quente e faz grande sucesso na comemoração.
A mudança no cardápio trouxe também versões menos engordativas das comidas típicas, as fitness. Esta é, na verdade, uma tendência na alimentação em geral que chegou no universo das festas juninas. Juliana Perpétuo, nutricionista clínica esportiva especializada em Personal Diet, afirma que "houve uma evolução dos pratos e aprimoramento dos ingredientes influenciados pelas dietas da moda, devido à cultura do corpo escultural, na qual não há lugar para 'exageros' (gorduras e açúcares)".
A comemoração também conta com outras novidades. As tradicionais duplas sertanejas continuam tendo seu espaço, mas agora acompanhadas de cantores como Anitta e Thiaguinho. As festas também passaram a ocorrer em lugares fechados como shoppings e até baladas, com open food e open bar (comida e bebida liberados), ao invés de nas igrejas.
       Tudo isso leva à perda do caráter popular da comemoração, abrindo espaço para a gourmetização - sofisticação e consequente encarecimento de tradições (principalmente alimentares) consideradas "simples".  Churros – que nem fazem parte das comidas típicas – chegam a custar R$ 13 na sua versão completa, com diversas opções de sabores e confeitos; na praia, podem ser encontrados a R$ 3,50, em sua versão simples. 

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