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Projeto da UFF celebra 21 anos levando reportagens de alunos para emissoras de rádio

Por Maria Clara Pestre

Um parabéns inusitado preencheu os corredores do Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS)  no mês de junho. Com direito a bolo e vela, o projeto de extensão Universidade no Ar comemorou seus 21 anos em um evento que reuniu alunos e professores de diversas gerações do instituto.

Criado em 1996, o Universidade no Ar é um projeto que surgiu na faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) para veicular programas radiofônicos produzidos por alunos em emissoras de rádio fora da universidade -- primeiro na rádio MEC e atualmente na rádio CBN. 

“1, 2, 3, pode entrar no ar”, disse Ana Baum, professora coordenadora do projeto, dando início a roda de conversas do dia 21 de junho,  que reconstituiu a história do Universidade no Ar através de depoimentos de quem acompanhou sua trajetória e de transmissões de trechos do programa.

Com muitos prêmios nas costas e cerca de 500 programas produzidos, o Universidade no Ar passou por muito antes de chegar até aqui. No início, a equipe do projeto tinha que gravar as reportagens no estúdio da rádio MEC,  já que a UFF não contava com a infraestrutura necessária, contou Ana Baum.

“Quem está sentado nessa roda hoje, não sabe como foi a briga para ter o nosso estúdio”, disse a professora. 
Professora Ana Baum, coordenadora do projeto

O obstáculo, entretanto, se transformou em uma oportunidade de aprendizado. A experiência de gravar em um estúdio com profissionais e equipamentos do mercado de trabalho virou um grande atrativo para os alunos. André Coelho, ex-aluno do projeto destacou a importância de vivenciar a “pressão de fazer algo que seria transmitido na prática”.

Para Ana Baum, o projeto permite que os alunos se acostumem com os critérios do jornalismo feito fora da universidade. “Uma coisa é o aluno fazer algo que só a professora vai ouvir. No projeto ele sente a responsabilidade profissional, ética e social do jornalismo”, afirmou a professora.

O projeto caiu tanto no gosto dos estudantes, que eles começaram a levar o trabalho para casa. José Cláudio Castanheira, ex-operador de áudio do programa, relembrou como os alunos costumavam terminar de editar as matérias na casa dele aos sábados para garantir que tudo sairia perfeito.

Até hoje o projeto é sucesso entre os alunos. A estudante Marcella Ramos, que participou do projeto em 2016, conta que o interesse em participar do projeto é tanto, que ultrapassa a capacidade física da universidade. ”A gente tinha que fazer um rodízio para ir às aulas porque não cabiam todos os alunos no estúdio”, lembra.

Dos mais de 1200 alunos que participaram do Universidade no Ar, muitos continuaram trabalhando na área. “Foi esse programa que me fez ser jornalista e trabalhar com rádio”, disse José Ferrão, que atualmente é professor de comunicação na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Evento comemora aniversário do projeto Universidade no Ar 

Antônio Serra, ex-diretor do IACS, destacou a dificuldade de se manter um projeto ativo por tanto tempo. “Manter uma continuidade em uma universidade onde a cada seis meses entram cabeças novas é uma arte”, afirmou.

De fitas cassetes a CDs, os 21 anos do Universidade no Ar foram de grandes mudanças. Em 2002, o projeto deixou de ser transmitido na rádio MEC e iniciou uma parceria que dura até hoje com a rádio CBN. Os programas vão ao ar todo primeiro sábado do mês às 11h30.

Os temas das reportagens são variados, indo dos 25 anos do movimento Diretas Já, passando por uma matéria com o prêmio Nobel de Literatura José Saramago, até entrevistas com catadores de lixo. A ideia é que o aluno “seja crítico, criativo, e que traga outras vozes”, afirmou Ana Baum.

  A professora destaca também a importância de experimentar com a linguagem radiofônica e estimula o uso de elementos musicais nos programas jornalísticos. Segundo Marcelo Santos, atual operador de áudio do Universidade do Ar, são utilizadas músicas com letras “que agregam informação e valor aos programas”.

Atualmente, a parceria iniciada pela UFF com a CBN foi reproduzida em várias faculdades públicas e particulares do Rio de Janeiro e São Paulo, como a UERJ, UFRJ e PUC.

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