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O PIBID acabou?




Por: Thaís Marques


O fim das bolsas de PIBID no início deste ano surpreendeu a comunidade acadêmica, que esperava continuar com o programa pelo menos até agosto, período em que entra em vigência um novo edital. O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência visa a aproximar os universitários em formação das escolas de ensino básico da rede pública, através de projetos promovidos por professores de universidades e escolas públicas. Essa política nacional é administrada pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), fundação pertencente ao MEC (Ministério da Educação). Os alunos foram avisados por e-mail que receberiam a última mensalidade referente à bolsa, de 400 reais, em fevereiro.

Com a confirmação do período sem as bolsas, professores e alunos chegaram a organizar um abaixo assinado pelas redes sociais reivindicando a prorrogação do edital até que o próximo entrasse em vigência, o que não foi atendido. A CAPES informou por e-mail que o calendário inserido no Edital Nº061/2013 - PIBID já previa a aplicação do programa por apenas 4 anos, tendo fim justamente em fevereiro. A professora do departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Amélia Cristina Bezerra, alega que  a renovação poderia ter sido realizada, como, segundo ela, já foi feito em outros momentos.

Além desse problema, um outro debate que também está ligado a programas de aproximação entre licenciandos e escolas públicas se estabelece na comunidade acadêmica, o Residência Pedagógica. Esse novo projeto é confundido com uma reformulação que entraria no lugar do PIBID, mas o que ele traz é uma divisão entre os públicos atendidos. De acordo com a CAPES, o Residência Pedagógica é destinado a alunos a partir da segunda metade do curso e está relacionado ao estágio supervisionado, inclusive com realização de regência na sala de aula. Já o PIBID, contempla os matriculados até a primeira metade da graduação e as atividades deverão estar ligadas à Prática como Componente Curricular (PCC) ou às atividades teórico-práticas, sem equivalência de estágio supervisionado.

Há distinções entre seus termos também, o que pode causar confusão. No Residência Pedagógica o aluno será acompanhado por um professor da educação básica, chamado "preceptor", sob a orientação do "docente orientador", que é da instituição de ensino superior. No caso do PIBID, esses cargos serão denominados "supervisor" e "coordenador de área", respectivamente.

Na lista de certificados de participação divulgada pela UFF, a universidade teve no total 2.112 alunos contemplados pela última edição do PIBID. Com essa grande atuação no programa, muitos estudantes da Federal Fluminense alegaram falta de comunicação sobre as decisões oficiais por parte da CAPES. Pensando nisso, Amélia reuniu seu núcleo em pelo menos três encontros, assim como os demais grupos da Geografia. A ênfase dos debates foi o Residência Pedagógica, que, segundo eles, é o ponto mais problemático, pois o projeto está vinculado às normas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). "Na Geografia, nós somos contrários à BNCC, contrários ou completamente avessos ao próprio governo que está aí, que boa parte dos professores entende como golpe. E, antes de tudo isso, tem essa dimensão mais ampla da política", conta a professora.

Com essa ligação com a BNCC, Amélia alega que há um temor em não conseguir trabalhar temas que consideram importantes ou, com esse novo intuito de ser um estágio, que os universitários sejam usados como reais professores nas escolas, sem muita supervisão e como forma de mão-de-obra de baixo custo. Mas, mesmo com as contradições, os professores da UFF decidiram inscrever seus projetos nos dois editais, por conta da dependência da bolsa que certos alunos apresentam. A posição de vigilância é uma precaução para uma ideia ainda não aplicada. "Pode ser que se torne um programa muito bacana, porque conseguimos ressignificar o PIBID a partir das nossas ações, com o Residência Pedagógica ainda não sabemos", conclui Amélia.

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