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Casa do Estudante Fluminense resiste



(Retirada do Facebook CEF/ Niteroi)

 Por Sasha Lima
A necessidade de moradia para concluir a graduação distante do lar e a falta de vagas no Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), levaram alunos a darem continuidade à história da Casa do Estudante Fluminense (CEF). Localizada na Rua Professor Hernani Melo, em São Domingos, Niterói, o espaço abriga estudantes pobres desde 1925, quando Maria Julia Braga abria suas portas para quem precisasse do local como moradia. A solidariedade da dona fez do local patrimônio, deixado após sua morte, em 1968, para os cuidados do Governo com a condição de manter seu propósito anterior.
Em nota publicada no Facebook da CEF
o movimento de ocupação diz que “Após a fusão do Governo do Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro em 1975, diversas disputas políticas foram travadas em vista do grande interesse imobiliário na propriedade, sendo instaurado um ciclo recorrente de despejos e ocupações. Em 1996, em reação às disputas, o imóvel foi tombado provisoriamente pelo município e em 2000 tombado definitivamente, dado o grande valor histórico e afetivo do patrimônio, que uma vez tombado reforça que não poderia perder sua função social”.
Um grupo de 27 pessoas, 4 gatos e 2 cachorros reside no local desde a última ocupação, em novembro de 2017. O grupo, que prefere não identificar seus componentes por medo de represálias, tem as portas abertas para receber visitantes que desejem conhecer o local, além de contar a história e o porquê de estarem ali. Em entrevista, um dos moradores conta o que é o movimento atual: após a abertura da Moradia Estudantil dentro do campi  do Gragoatá, os estudantes foram expulsos da CEF. 
Alunos que ingressaram na UFF posteriormente à inauguração da moradia, no entanto, tiveram dificuldades de obter o benefício, devido à ausência de novos editais e ao número limitado de vagas. Em manifestação contra à gestão da assistência e em busca de abrigo, alguns estudantes ocuparam a Moradia ilegalmente, se retirando em seguida. O destino dos desabrigados foi a Casa do Estudante, que até então era vigiada por seguranças da Universidade, co-responsável pela manutenção do espaço. Com a chegada dos atuais moradores, no entanto, a segurança foi retirada.
Com espaço para mais de 70 pessoas habitarem, o patrimônio estava abandonado. Depredado, teve telhas arrancadas e cômodos inundados, o que limitou o espaço para ocupantes. Apesar disso, os moradores afirmam que quem precisar de um lugar para ficar será recebido de braços abertos, mesmo que para isso precisem montar barracas no espaço aberto entre o prédio da frente e os quartos do fundo. 

Como espaço para estudantes pobres, eles acolhem quem buscar ajuda e são acolhidos pela comunidade, que demonstra solidariedade através de doações e apoio à causa. Segundo um dos ocupantes, os vizinhos compreendem a elogiam a iniciativa de conservar o espaço que é dos estudantes e manter acesa a história e o legado de Maria Julia Braga.
Por falta de segurança, os estudantes revezam o horário da vigia que é feita por eles mesmos. Eles afirmam que em caso de despejo, fariam acampamento na frente da construção. “O prédio já foi condenado pela defesa civil, mas a gente chamou engenheiros para ver a casa e a situação. Os engenheiros falaram que o prédio não está na situação de ser condenado, que as partes estruturais estão boas”. Eles sentem que os órgãos só desejam a expulsão do local para a demolição, que viria seguida de privatização devido ao valor do m² na cidade de Niterói.
Os estudantes disponibilizam o local para eventos na busca de novas pessoas para o debate sobre a importância da Casa.

A casa no tempo

Fonte: Ocupação

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