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Artistas brasileiras no Mac


Por Júlia Leite
Está em exposição no MAC, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, até 09 de dezembro, uma homenagem à quatro das mais importantes artistas visuais brasileiras do século XX. Anna Bella Geiger, Lygia Clark, Mira Schendel e Wanda Pimentel tiveram diferentes atuações na história das artes visuais no Brasil, mas foram todas testemunhas da passagem da primeira para a segunda metade do século XX. O trânsito de linguagens e questões desse período resultaram na experimentação com múltiplas linguagens, na necessidade de sair de um lugar seguro durante a ditadura militar no Brasil e na maneira como lidavam com a efemeridade de suas obras, pontos em comum entre as três artistas. 
As obras são parte do acervo de João Sattamini, que morreu na última terça-feira (6), e sua exposição surge no momento histórico em que diversas instituições museológicas refletem sobre a presença de artistas mulheres em suas coleções. Essa curadoria ressalta o objetivo de tornar a memória da história da arte no Brasil menos masculina e mais multifacetada. Diante das obras destas quatro grandes artistas, a produção de Geiger chama a atenção pela diversidade de técnicas e pela crítica política por meio da ironia. 
Anna Bella Geiger (Rio de Janeiro, 1933) é uma desenhista, pintora, gravadora, artista multimídia e professora que começa sua produção nos anos 50, um momento efervescente na área artística do país. Após dividir sua educação entre sua cidade natal e Nova York, a artista passou, como docente, por lugares de grande importância na vida cultural do Rio de Janeiro, como no Museu de Arte Moderna e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. 
As técnicas de gravura e desenho acompanharam toda a carreira da artista, que também foi pioneira na videoarte desde os anos 60 e produziu uma intensa reflexão poética a partir do uso da palavra e da cartografia. Com os anos 70 e a inclusão do debate político no mundo da arte, Anna passa a explorar o livro-objeto ao mesmo tempo que dá continuidade à sua produção de vídeos. Nisso, surgem os tópicos que marcariam sua produção: espaço, território e fronteiras. Fronteiras essas que, como foi demonstrado pela artista, não são só espaciais, mas também simbólicas e conceituais. No âmbito político, Geiger indaga, desde então e até hoje, usando um teor irônico, sobre o espaço que ocupa como artista em um país periférico. 
A exposição fica no MAC: no Mirante da Boa Viagem, s/nº, Boa Viagem, Niterói, RJ. De terça à domingo das 10 às 18 horas. Às quartas-feiras a visitação é gratuita, nos demais dias a entrada inteira é 10 reais e a meia é R$5,00.

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