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Afinal, o que te liberta?

Museu Janete Costa de Arte Popular
Foto: Catiane Pereira
   
   

Por Catiane Pereira 

Diante de um dia quente e ativo na cidade de Niterói, andando pelas suas ruas em uma quarta-feira, me deparei com um museu com suas portas e janelas na cor verde oliva, paredes com tom salmão e suas ombreiras brancas, numa arquitetura que fascina os olhos, um casarão típico do século XX. Ao entrar, senti um extremo conforto pela sua temperatura suave, diferente do lado de fora, me senti envolvida pela aparência daquele lugar. Um lugar que mistura o antigo e o moderno, ferro e madeira, luz e sombra, o simples e o deslumbrante. 

Esbarrei em anjos esculpidos em elementos sacros, arte ligada à religião. Não, muito além disso. Esbarrei nas imagens esculpidas de homens e mulheres, crianças, namorados, trabalhadores, colhedores, etc; tendo suas vidas envolvidas nas palmeiras. Esbarrei nas letras da Tropicália, conversando com a frase na parede: “Ditadura Nunca Mais”. 

Abriu-se em mim a inquietação, a dúvida sobre essa exposição. Abriu-se o questionamento sobre as lindas imagens de anjos esculpidas, as letras da Tropicália e a sala interativa. Senti que tudo conversava entre si, mas precisava saber como, até que compreendi: liberdade, simplesmente liberdade, do começo ao fim da exposição, tudo girando em torno dessa palavra: Liberdade! Liberdade!

A vida cotidiana, esculpida na madeira, ao lado de anjos, também esculpidos. As letras e textos remetendo a um movimento brasileiro que buscou respeito, a não censura. No final compreendi que as pessoas buscam no dia a dia sua liberdade, seja na fé, na luta estudantil, na busca por direitos, na arte, seja dentro da sua cultura e de seu estado, todos estamos em busca dessa palavra: Liberdade.

Ao final, fui levada à galeria, que expôs mais do que minha expectativa esperava, um lugar de emoções e questionamento. Afinal, o que te liberta? E o que te aprisiona?

Uma sala com dois opostos, um perguntando o que me aprisionava: pensei em várias coisas. A outra, indagando sobre o que me libertava, demorei um pouco para chegar a uma resposta. Dois lados opostos da sala, um contrapondo o outro, mas ao mesmo tempo, um completando o outro. Sem saber o que me aprisiona, não sou capaz de me libertar, sem saber o que me liberta, contínuo aprisionada. E agora é minha vez perguntar: Afinal, o que te liberta? E o que aprisiona?

Sinto liberdade para te convidar a refletir sobre isso e muita mais, nessa mesma exposição. Ela estará disponível à visitação até o dia 04 de agosto no Museu Janete Costa de Arte Popular (R. Pres. Domiciano, 178 - Ingá, Niterói - RJ). 

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