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MULHERES NO PODER

(reprodução da internet. disponível em:http://abre.ai/SGj)


Até que ponto elas realmente estão no poder? 

Por Giovanna Mendes, Júlia Leite, Mariana Trindade. 
O grupo do sexo feminino, atualmente, apesar de compor 50% da população brasileira, está presente em apenas 10% na Câmara. Nota-se que a representatividade da mulher no plenário ainda é muito pequena, principalmente levando em consideração a quantidade de pautas urgentes que envolvem essa parcela da sociedade brasileira. Questões como o direito da licença à maternidade, os alarmantes dados sobre feminicídio no país, a quantidade de estupros, a desigualdade salarial e o aborto são exemplo de temas que atingem diretamente as mulheres e seus direitos fundamentais. A cientista política Ana Paula Massonetto, afirma em blog do Estadão, que “a autorrepresentação das mulheres na política é fundamental, tanto para que atuem como protagonistas de suas próprias lutas, quanto para, de fato, equilibrar os espaços e as relações de poder” 
Após a criação de cotas nos partidos, que obriga as coligações a terem no mínimo 30% de mulheres participantes, se tornou comum a prática de usar mulheres como “laranjas”, apenas para cumprir o que manda a Lei nº 9.504/1997. Lucia*, 20 anos, concorreu às últimas eleições como deputada estadual sem ao menos saber, tomando conhecimento de sua candidatura tempos depois por meio de outras pessoas — o partido a havia inscrito para o cargo sem consulta prévia. Tal atitude, que se tornou de corriqueira nos partidos, traz consequências graves às mulheres, como multas e até oito anos de inelegibilidade, por não cumprirem as obrigações como candidatas, como a prestação de contas. O que chamou a atenção da mídia para esses casos foi o fato de muitas candidatas encerrarem as eleições com 0,0% dos votos válidos. 
É importante ressaltar que a luta da mulher pelo voto é antiga e marcada pela necessidade de se mostrar capaz de atuar na esfera política/pública, independente do sexo. Prova disso é a trajetória de Nísia Flores, educadora e feminista, que em meados do século XIX já compartilhava a ideia de que mulheres eram submetidas a um ciclo vicioso, onde eram privadas do conhecimento e da participação política, e por isso permaneciam em uma situação de ignorância. Durante o governo Vargas, em 1932, as mulheres brasileiras viveram a maior conquista até então: o direito ao voto. Entretanto, essa prerrogativa era restrita às mulheres casadas, apenas com a autorização de seus maridos, às viúvas e às solteiras com renda própria. 
Hoje, na luta pelo direito de ser votada, cresce o número de mulheres que dá apoio às vozes que gritam pela representatividade, como a youtuber Julia Tolezano do canal “Jout Jout” que recentemente iniciou uma série de vídeos para conscientizar sobre a importância do voto e da discussão política. Vale destacar que a maioria de seu público é feminino, portanto ela aborda a temática feminista frequentemente. Em um dos seus vídeos ela aponta que, apesar do voto feminino ser aprovado há quase 20 anos, a representação política deste grupo ainda é mínima, a ponto de apenas em 2016 o senado ter construído o primeiro banheiro para elas. Antes disso, as senadoras e funcionárias utilizavam um banheiro de um restaurante próximo. “Não é um banheiro que vai mudar toda a situação, mas o fato de não ter um banheiro no plenário é um indicativo de que a Casa não foi preparada para as mulheres. E não foi mesmo” disse a senadora Vanessa Grazziotin ao G1, em 2016. Existem também outras personalidades que atuam nesse movimento, como os canais Afros e Afins, por Nátaly Neri, e o de Débora Baldin, os quais criaram ambientes de debate político sério fazendo uso de uma linguagem acessível e didática 
Prova dessa falta de representatividade é o recém eleito presidente, Jair Bolsonaro, que não trouxe nenhuma proposta concreta para as mulheres em sua campanha. Em relação às negras, a negligência é ainda maior. Em seu plano de governo o eleito diz "Um exemplo de prevenção: Saúde bucal e o bem estar da gestante. Estabelecer nos programas neonatais em todo o país a visita ao dentista pelas gestantes. Onde isso foi implementado, houve significativa redução de prematuros". Não é preciso, porém, muito esforço para perceber que essa é uma proposta sem embasamento científico, onde o candidato afirma que mulheres com menos cáries têm menos chance de terem bebês prematuros, o que não tem sentido. 
Ou seja, é necessário que se fomente esse movimento a fim de conscientizar a população feminina acerca da importância do voto em mulheres que as representem, pois, com mais figuras femininas no Congresso, se tornará menos difícil lutar por mudanças significativas nesse âmbito. “Em termos de eleição, onde a gente tem uma democracia composta por homens, brancos, velhos de classe média, a gente já vai ter no contexto de produção da pergunta, um corte de desigualdade de raça, de classe e de gênero muito forte” disse a pesquisadora e doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Suellen Guariento, em entrevista ao The Intercept Brasil, em 2018.

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