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Manifestação realizada no dia 15 de maio busca conscientizar a população acerca dos desmontes das universidades federais




Por Pâmela Dias

A quarta-feira 15 de maio foi marco de mais uma manifestação em prol da educação pública, gratuita e de qualidade no Brasil. Estudantes, professores e trabalhadores em geral foram às ruas protestar contra o bloqueio de 30% da verba pública destinada às universidades e institutos federais, anunciado pelo Ministério da Educação. Os atos populares começaram pela manhã e ao longo do dia alcançaram 222 cidades nos 26 estados e no Distrito Federal, segundo levantamento do G1. Os manifestantes carregaram pelas ruas cartazes contra o governo, contra os cortes na educação e na Reforma da Previdência, além de, juntos, formarem um conjunto de vozes que exclamavam “não vai ter corte, vai ter luta!”.

O contingenciamento anunciado no dia 30 de abril pelo Ministro da Educação Abraham Weintraub materializou as propostas do presidente Jair Bolsonaro para as universidades brasileiras: reduzir “gastos” e combater o “marxismo cultural”. A medida instaurada afetou inicialmente a Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal da Bahia (UFBA), sob a justificativa de “baixo rendimento” e “balbúrdia”. Contudo, após críticas e ações judiciais, o Ministro estendeu o bloqueio para todas as 63 universidades e 38 institutos federais, além de sinalizar o corte de bolsas de pesquisa científica e pós-graduação.

A verba bloqueada destinava-se a gastos não obrigatórios, como água, luz, terceirizados, obras, equipamentos e realização de pesquisas, os quais afetam diretamente o funcionamento das instituições e a população que utiliza, por exemplo, serviços odontológicos e psicológicos oferecidos por elas. É o que afirma Pedro Rosa, ex-aluno de universidade federal, atual servidor público e filiado ao Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal Fluminense (SINTUFF).

“Estamos juntos nessa luta geral, não somente contra os cortes de verba, mas contra o processo de decadência da universidade. Ano após ano, o governo vem negligenciando a educação e, dessa vez, não só cortou verbas, como está atacando professores, alunos e trabalhadores de uma forma geral. Então é muito bom a gente ver a reação massiva, não só da comunidade universitária, mas da educação de um modo geral. Hoje é o dia simbólico nacional com condições reais de derrotar o governo de forma conjunta, tanto pelos cortes, quanto pelas outras políticas”.

A concentração na Praça XV, centro do Rio de Janeiro, teve início por volta das 14h com a apresentação de projetos de extensão e pesquisas científicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O objetivo da ação foi expor para sociedade como os projetos desenvolvidos pela comunidade acadêmica favorecem a população e fomentam o avanço científico do país. De acordo com Renan Cruz, aluno de Engenharia Ambiental da UFRJ e bolsista do MUDA, projeto da rede de agricologia da universidade, “a extensão é um dos três pilares da faculdade junto de ensino e pesquisa. Contudo ela é a que menos tem investimento financeiro. O seu fortalecimento geraria muito mais visibilidade pela população, pois a faculdade mediaria esta relação todos os dias, não só quando o governo ameaçasse cortar as verbas da educação”.

Os estudos desenvolvidos pelo MUDA e pelo Capim Limão, outro projeto de extensão da UFRJ, busca esclarecer para as pessoas o que é soberania e segurança alimentar, além da relação entre pobreza, produção de alimentos e sua distribuição. Luisa Ferrer, aluna de Biologia da universidade e bolsista do projeto Capim Limão, descreve essa relação como uma falta de prioridade do governo: “Se sua prioridade fosse distribuir alimentos para a população, já teríamos alimentos de qualidade feitos pela agricultura familiar nos mercados, visto que 70% do que consumimos vem desse tipo de produção. Quando compramos nos grandes supermercados, financiamos grandes corporações que lucram através do trabalho escravo e uso de agrotóxicos. Então, temos urgência em conseguir financiar a agricultura que nada contra essa corrente”.

De acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio, cerca de 150 mil pessoas participaram da manifestação. Durante todo o protesto, o principal intuito dos estudantes e professores, tanto de universidades públicas, quanto privadas, e dos cidadãos em geral foi reivindicar seus direitos frente aos frequentes desmontes que estas instituições de ensino vêm sofrendo. O professor de Arquitetura e Urbanismo da faculdade Silvio Sousa, Rodrigo Cotevila Palmo, ao fim da manifestação apresentou boas perspectivas do ato.

“A mobilização está bem grande, mas temos que fazer uma maior ainda para, efetivamente, forçar o governo a parar com os cortes na educação e fazer o movimento inverso. Nós precisamos de um maior investimento na educação, porque ao contrário do que eles (ministros e presidente) dizem, o que vai acontecer é que o país vai piorar: não tem como melhorar sem pesquisa e educação”, disse. 

A chance de uma maior manifestação, citada por Palmo, pode se concretizar no próximo dia 30 de maio, data prevista para novo protesto, igualmente organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE). 



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