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Nas praças, UFF recebe o apoio da população para as pesquisas





Por Catiane Pereira

    Em reação a mobilização do país em defesa da educação, a Universidade Federal Fluminense (UFF), localizada na cidade de Niterói, realiza o “UFF nas Praças”, que começou no dia 08 de maio e foi até o dia 25. Esse evento se constitui numa série de ações em prol da universidade pública, gratuita, inclusiva e de alta qualidade.
    O intuito foi demonstrar à população a importância de se ter uma universidade pública para formação de profissionais de ótima qualidade, pesquisas para a produção de patentes, além de geração de valor em diversas áreas. Essa ação busca levar à população os serviços de atendimento gratuito, ações extensionistas, divulgação científica e tecnológica para diferentes lugares da cidade com grande circulação de pessoas, a Praça Araribóia (próxima às Barcas) e o Campo de São Bento.
     No dia 30 de abril, o Ministério da Educação (MEC) anunciou, inicialmente, cortes as universidades que não apresentassem "desempenho acadêmico esperado" e que promovam eventos com "balbúrdia" em suas instalações. Em primeiro instante, os repasses foram reduzidos a três universidades federais, entre elas a UFF.
     Nesse sentido, o evento traz como ideia principal divulgar a qualidade do ensino público e sua notoriedade em pesquisas que contribuem para a comunidade. Além disso, visa a demonstrar que é através de muito estudo e empenho que a Universidade Federal Fluminense está no ranking das melhores universidades do mundo e entre as 20 universidades com maior produção científica do país.

      Professores da universidade se reuniram em uma tenda, oferecendo café da manhã para as pessoas que passavam observando o evento, chamavam para conversar e explicar sobre os projetos que integram a universidade e, ainda, esclarecer sobre o impacto que o contingenciamento, e por conseguinte,  os cortes de bolsas de mestrado e doutorado, geram na universidade.
     Os cortes iniciais anunciados pelo MEC se destinam a gastos discricionários, ou seja, que envolvem conta de luz e água, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas.

     Desse modo, os professores se propuseram a demonstrar que os cortes atingem não só universidade, mas também aos funcionários terceirizados, a infraestrutura da universidade, a manutenção dos laboratórios, além da educação básica. O governo efetuou, no total, um bloqueio de R$ 7,4 bilhões sobre todo o Orçamento de 2019, e engloba despesas para custear todos os níveis educacionais, da educação básica ao ensino superior. Nesse sentido, os estudantes e professores da UFF difundem a comunidade seus trabalhos, projetos de extensão, suas áreas de conhecimento para demonstrar que investir em educação pode gerar ganhos muito além dos esperados.

   “Se a população não tiver consciência do papel do estudo para a sociedade e da sua importância, ela não vai lutar pela ciência de um modo geral. E os cortes vêm afetando exatamente isso. O projeto que fazemos, eu e minha equipe, só existe porque teve a ajuda do CNPQ,  teve ajuda direta do MEC,  através de editais que foram para a divulgação científica, justamente na tentativa de levar a divulgação desses estudos para sociedade. Nós temos que entender que a universidade é pública, mas não é de graça. Viver na universidade pública custa dinheiro, os alunos precisam se manter. Por conta disso nós estamos aqui lutando e mostrando o que a gente faz. Nós não fazemos balbúrdia, muito pelo contrário, fazemos muita ciência e com muito amor”, contou Lucianne Fragel, professora associada do Instituto de Biologia e coordenadora do Projeto Ciências Sob Tendas.

     A população reagiu favoravelmente ao evento e demonstrou solidariedade à causa universitária. A professora de ensino fundamental, Thais Dutra Nascimento, levou seus filhos para participarem das atividades da UFF. “Hoje eu fiz questão de os meus filhos terem aula na rua. Como eu sabia que a UFF iria estar na praça, trouxe meus filhos e eles estão adorando conhecer esses projetos apresentados aqui e as pesquisas também. Achei importante trazê-los para conhecer o que acontece dentro da UFF e mostrar que a universidade não é balbúrdia, muito pelo o contrário”, conta Thais Dutra.


 O estudante do Ensino Médio, João Guilherme Muniz, também prestigiou o evento.“Sou estudante do Ensino Médio de uma escola particular e vim aqui para manifestar apoio pela nossa educação que está em risco, e estou aqui para que ela resista. Estou gostando bastante do evento, dessa concentração aqui. Eu gostei muito dos experimentos, a pilha humana apresentada ali, fiquei maravilhado com tantos projetos legais que a universidade oferece”, contou João Guilherme .

   No dia 15 de maio estava previsto, às 15 horas, uma manifestação a favor da educação pública no Rio de Janeiro. A Universidade Federal Fluminense se colocou aderente ao movimento e disponibilizou tendas para a confecção de cartazes, além de tintas, pincéis, canetas e adesivos para quem quisesse produzir cartazes em defesa do ensino público.

    A partir das 14:30h, as tendas do “UFF nas Praças” foram sendo recolhidas e as pessoas envolvidas com esse projeto se mobilizaram e começaram a ir, aos poucos, para a concentração nas Barcas para apoiar a manifestação pacífica no Rio de Janeiro

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