Navigation Menu

Um chamado às ruas: redes sociais mobilizam manifestantes




Por Bruna Lima

O ato realizado no dia 15 de maio reuniu milhares de pessoas contra o bloqueio de verbas no ensino público, mas isso não seria possível sem as redes sociais organizando, divulgando e alastrando os acontecimentos

Com gritos de ordem, os cariocas - alunos, professores, aposentados e até mesmo crianças -, se concentraram nas imediações da Igreja Candelária, às 16h, e caminharam até a estação ferroviária Central do Brasil. O ato, que se iniciou nas redes sociais através de eventos e campanhas, obteve sucesso e reuniu mais de 100 mil pessoas, de acordo com os organizadores. Apesar de ter levantado discussões sobre a Reforma da Previdência e partidos políticos, a maioria protestava contra o “corte na educação”, como diziam as vozes em protesto. Essa medida prevê a redução de 3,48% no orçamento total repassado às faculdades e aproximadamente 30% nas despesas discricionárias (não obrigatórias). Com ela, mais de 50 faculdades serão afetadas em suas pesquisas e bolsas de mestrado e doutorado, de acordo com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

As redes sociais não serviram somente para organizar as manifestações, como também auxiliaram na divulgação, através do compartilhamento de vídeos e fotos e da criação de hashtags. O evento que impulsionou a ida às ruas contou com 5,5 mil pessoas interessadas no Facebook e superou as expectativas. No dia 15, as pessoas utilizaram a rede para publicar fotos da movimentação e tirar selfies, convidando os amigos a comparecerem. Os usuários do Twitter, além de realizarem as mesmas atividades, conseguiram subir hashtags - #TsunamiDaEducação; #TodosPelaEducação; #15M - e deixá-las nos “Assuntos do Momento” durante horas, atingindo mais de 200 mil tweets (publicações).


A estudante Luiza Pereira, que tomou conhecimento da mobilização no Rio através do Twitter, afirmou que a medida governamental é uma tentativa de desmoralizar as universidades públicas e favorecer os interesses privados: “As instituições estão cada vez mais abertas à inclusão social, mas com esse desprestígio, haverá exclusão de grande parte da população e as pessoas não vão ter senso crítico para apontar o dedo e indicar os erros de um governo que não preza por elas”.

A manifestação conseguiu a adesão de alunos de universidades privadas que, em prol de uma educação de qualidade, se juntaram às redes públicas. Durante o ato, todos caminharam pacificamente enquanto bradavam “não vai ter corte, vai ter luta”; “pula, sai do chão quem defende a educação”. A Polícia Militar também marcou presença, assegurando o direito de protesto e monitorando o trânsito. Por volta das 18h, metros à frente da Igreja de Nossa Senhora da Candelária, a marcha parou a fim de escutar por meio de transporte sonoro, a situação inaceitável pela qual a educação passa devido aos problemas políticos. Depois de aproximadamente uma hora de discurso, a passeata continuou até cerca das 20h, em que foram ouvidos rojões e, na sequência, dispersão. Por fim, dois ônibus foram incendiados.

Enquanto a população tomava as ruas, o presidente Jair Bolsonaro desvalorizava os manifestantes: “(...) Agora... a maioria ali é militante. É militante. Não tem nada na cabeça. Se perguntar 7 x 8 não sabe. Se perguntar a fórmula da água, não sabe. Não sabe nada. São uns idiotas úteis, uns imbecis que estão sendo utilizados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo de muitas universidades federais do Brasil”, declarou o político em entrevista à grande imprensa.


0 comentários: