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Pelo orgulho de ser quem se é

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Por Thalita Bastos  

   A cidade estava mergulhada em cores. Enquanto pintores as traziam em pinceladas, retratando a lagoa que é o cartão postal de Maricá, num banquinho quase despercebido as cores ganhavam um simbolismo próprio. Lá estavam luta, identidade, aceitação, beleza no diverso. O banquinho colorido no início da lagoa foi o ponto de encontro escolhido por cinco amigos para, em junho, mês do orgulho LGBT, transmitir a mensagem da liberdade de ser quem se é. Através de fotografias, o evento “Rainbow Pride”, que aconteceu na Lagoa de Araçatiba, no dia 22 de junho, tinha como proposta despertar o reconhecimento de si mesmo por meio das imagens. A ideia partiu de um grupo de amigos, mas logo virou um evento que não cabia em volta de um banco de madeira. Vinte pessoas, entre LGBTQI+ e simpatizantes, participaram daquela tarde de sábado.     
   Pelas lentes de Daniel Lemos (21), Flávia Pariz (22), Maria Clara Pereira (18), Pedro Solis (19) e Rafaela Machado (18), mais de 20 rostos expressavam as essências de seus donos, exatamente o que os cinco organizadores propunham. “A parte que eu mais gosto do meu trabalho enquanto fotógrafo é exaltar e captar a nossa essência”, afirma Pedro Solis, “Estamos no mês da visibilidade, no mês do orgulho, com isso acho muito legal poder mostrar para as pessoas as fotos que faço delas e acompanhar como elas conseguem enxergar com outros olhos aquilo que muitas vezes não veem”.
   Solis foi convidado por Maria Clara Pereira, a idealizadora do “Rainbow Pride”, para trazer sua expertise em fotografia e fomentar novas percepções de cada um sobre si mesmo, tão caras a uma comunidade que busca se fortalecer no combate ao preconceito. “Eu via que as pessoas se sentiam mal, tinham a autoestima baixa por serem LGBT’s, por conta da sua sexualidade, por serem quem são, então decidi fazer esse evento para fotografar essas pessoas e contribuir justamente com a melhoria dessa autoestima ”, explica Maria Clara.
   Emoldurado pela natureza, o evento foi se tecendo de forma livre, com cangas estendidas pelo gramado e o sol tornando as cores das bandeiras de arco-íris mais vibrantes. O estímulo à partilha, com a proposta de cada participante levar sua contribuição para o lanche, gerou resultados acima do esperado e em pouco tempo apenas uma mesa não foi suficiente para receber brownies, sucos, bolos. Sobre as cangas, as pessoas se sentiam à vontade para deitar, conversar, trocar afetos e gargalhadas, enquanto outras passavam tintas com glitter nos rostos e partiam às margens da lagoa junto aos fotógrafos do dia, na busca pelo melhor cenário para dialogar com suas poses. O clima contagiou as pessoas, que logo começaram a tirar selfies e a fotografar os outros ali presentes.
   Jaqueline Ribeiro (19), estudante de direito da UERJ, era uma das participantes do evento a olhar para sua própria história com um sorriso no rosto. Confira entrevista concedida por ela ao Casarão.

Costuma frequentar eventos relacionados ao tema?
Costumo. Eu vou em palestras, na parada LGBT aqui em Maricá. Eu sempre tento frequentar esses espaços. Estudei no Instituto Federal Fluminense (IFF) de Maricá e lá fui bolsista do Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual (NUGEDIS), criado em 2015 junto ao IFF de Maricá. Geralmente há esse Núcleo nos Institutos Federais. Esse projeto foi coordenado por uma professora de Filosofia, fui bolsista de agosto de 2017 a janeiro de 2019. O projeto visava organizar rodas de conversa a respeito desses assuntos, eventos, participamos de Mostras de Extensão, tudo isso dentro do espaço escolar ou em outros locais.

Qual é a importância de eventos como “Rainbow Pride”?
Quando eu soube achei muito importante, porque a maioria dos LGBT’s ainda tem uma autoestima baixa, eu mesma., Então quando tem um evento desses, de fotografia, ainda mais aqui em Maricá que não é uma cidade muito grande, é relevante.
Já sofreu algum tipo de violência/preconceito por ser lésbica?
Já sofri violência verbal, principalmente no Ensino Fundamental. Foi no Ensino Médio  que eu me assumi, mas estudei no Instituto Federal daqui, achei um espaço muito mais aberto. Antes me chamavam de sapatão, de coisas assim e eu negava logo, dizia que não, eu não era isso, dava várias desculpas, mas no Ensino Médio eu me soltei mais.
Foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, no dia 13 de junho, que agora a homofobia e transfobia são crimes. Qual o significado dessa decisão para a comunidade LGBTQI+ e defensores da causa?
Acho muito importante, embora o processo de criminalização não seja necessariamente acompanhado de uma conscientização popular, de respeito, um processo que deve andar lado a lado com a lei. Mas já é um passo para a pessoa repensar qualquer atitude que tenha em mente contra LGBT’s, por se tratar de um crime.


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