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FavelaZap cria plataforma de informação contra a Covid-19

Mesmo sabendo que o acesso à internet não é uma realidade de todos os brasileiros, os criadores apostam na ferramenta.

Por Thayssa Rios

Menina ao celular na favela
Foto: Ângelo Cavalcante

Quando a pandemia do novo coronavírus se instalou no Brasil, trazendo a necessidade do isolamento social, nem todos os brasileiros puderam trazer as tarefas de trabalho para dentro de casa, e não apenas porque algumas atividades exigiam a presença física dos trabalhadores. A falta de equipamentos e de internet de qualidade limitou para muitos moradores de periferia as possibilidades do chamado home office. Esse foi o caso, por exemplo, dos membros do Observatório de Favelas, ONG que funciona dentro do conjunto de favelas da Maré, e realiza estudos e ações no território. Segundo Priscila Rodrigues, coordenadora de comunicação do OF, a maioria dos integrantes faz parte de uma população à qual não foi permitido parar de trabalhar no contexto pandêmico. “Muitos de nós somos moradores de favela, pessoas pretas, e mulheres. O nosso primeiro movimento foi entender como garantir que a gente conseguisse parar, o que não é simples para uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos”.

Sem poder oferecer computador e internet para todos trabalharem de casa, o grupo criou o FavelaZAP como parte da campanha “Como se proteger do coronavírus”, voltada para os próprios colaboradores. A ferramenta deu tão certo que acabou sendo incorporada a outras ações voltadas à comunidade. Priscila Rodrigues explica que a plataforma de mensagens se mostrou útil para a missão institucional do organizatório “que é criar experiências que possam diminuir a desigualdade e fortalecer a democracia a partir das favelas e periferias e seus moradores, afirmando esses territórios e esses sujeitos como potência de direitos”. Através do FavelaZAP, a instituição pode interagir com os moradores e criar campanhas para ensinar e conscientizar sobre as formas de se prevenir contra o coranavírus, em um contexto em que as casas, na maioria, são pequenas, impossibilitando o isolamento, e onde nem sempre tem água corrente para lavar as mãos, álcool em gel e janelas.

Foram criados conteúdos que pudessem garantir cuidados e autonomia para os moradores de favelas e periferias. Através de parcerias, a equipe se reúne com especialistas e busca informações sobre temas diferentes. O material é disparado através do WhatsApp, que consideram ser a plataforma mais fácil para fazer a transmissão do conteúdo, já que é uma ferramenta que está na palma das mãos e “todo mundo tem”, conforme Priscila. Isabella Rodrigues, que é quem lida diretamente com o FavelaZAP como social media, diz que tem consciência de que a internet não chega a todos os brasileiros, mas lembra que o WhatsApp é a rede social que mais pessoas têm acesso. Segundo a pesquisa do Comitê Gestor da Internet do Brasil, em 2020, o país chegou a 152 milhões de usuários.

"Se a fake News chega pelo WhatsApp, por que não usar para entregar as informações no FavelaZAP?", pondera a coordenadora de comunicação, Priscila Rodrigues.

Principal meio de interação da campanha da instituição, o FavelaZap não é o único canal de divulgação de informação contra a pandemia. Assim como outras organizações de favela, como o LabJaca, do Jacarezinho, o Observatório também usa o Instagram e o contato presencial para informar os moradores.

A instituição pretende manter o canal de informações mesmo depois da pandemia, porque gerou um alcance maior do que o imaginado. Isabella Rodrigues conta que recebeu relatos de outros estados sobre o conteúdo produzido pela ONG e até denúncias de violência doméstica e abuso de autoridade e agressão policial, o que gera um espaço de interação e refúgio para os moradores. “A última vez foi uma moradora da Maré pedindo atendimento psicológico. Entrei em contato com a nossa coordenadora do eixo de Direito à vida e Segurança Pública e ela foi encaminhada”.


4 comentários:

  1. Matéria muito bem escreita, de fácil entendimento e com um conteúdo relevante!

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  2. Excelente matéria!!! Muito boa e acessível de acompanhar.

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  3. Muito boa reportagem, e com um tema relevante e atual! Parabéns

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